quinta-feira, 28 de maio de 2020

Sonho

Sonhei que amanhecia caminhando por uma floresta interminável e labiríntica, que no pôr do sol alcançava a ouvir o barulho da água de um rio turbulento, cansado de caminhar sem rumo o tronco de uma imensa árvore serviu de barco ou lugar de descanso. Entre o som das águas e o movimento da correnteza dormi. Acordei numa praia. Um insecto ou talvez uma cobra que passava pelo meu braço quase enterrado na areia me deixou alerta. Levantei e caminhei. Atravessei dunas do tamanho de pirâmides, provavelmente um pouco maiores. Encontrei uma lagoa com alguma vegetação ao redor que me permitiu matar a sede e a fome. Comi umas raízes e uns frutos que não conhecia. Mas o temor de amolecer ainda mais por desnutrição me fez preferir o provável veneno a recuar diante do desconhecido. Continuei a jornada. Senti-me um peregrino em terras estranhas, às vezes eram longos vales, intermináveis platôs, acidentadas montanhas ou simplesmente nada. Vazio o espaço de andar sem rumo, incompreensível o tempo sem medida da travessia. Um barulho de carro ou de panela de cozinha acordou o homem que sonhava e eu desapareci quando deixei de ser sonhado.

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