sexta-feira, 31 de julho de 2026

O Nascimento da Psicologia como Disciplina Autônoma

A transição da psicologia para o estatuto de ciência independente no século XIX configurou-se como uma "rebelião epistemológica" contra a proibição kantiana de que o fluxo do sentido interno pudesse ser objeto de experimentação rigorosa. A Crítica de Kant à Psicologia Para Kant, uma psicologia científica empírica era uma contradição em termos: o objeto (a mente) confunde-se com o sujeito que observa, o que impede a distância necessária para a objetividade. Ele argumentava que os estados mentais não podem ser isolados e que o ato da introspecção alteraria inevitavelmente o fenômeno observado. Como alternativa, ele propôs uma "antropologia pragmática", voltada para a ação do homem como agente moral e social, e não para a sua essência metafísica. Wundt e a Psicologia Experimental Wilhelm Wundt (1832-1920) rompeu este interdito ao fundar o laboratório de Leipzig em 1879. Em Grundzüge der physiologischen Psychologie (1874), defendeu que processos mentais poderiam ser decompostos em elementos básicos através da introspecção controlada sob condições experimentais, aproximando a psicologia do rigor das ciências naturais (WUNDT, 1874). James e o Funcionalismo William James (1842-1910), em The Principles of Psychology (1890), ofereceu o contraponto pragmático ao atomismo de Wundt. Introduzindo a noção de "fluxo da consciência", James priorizou o valor adaptativo e funcional da mente em relação ao ambiente, sob influência do darwinismo. A tensão entre o estruturalismo experimental alemão e o funcionalismo holístico americano definiu a fragmentação paradigmática que marcaria o século XX.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

O Legado Kantiano e o Neokantismo na Ciência

Immanuel Kant figura como o arquiteto central da ciência moderna ao circunscrever os limites intransponíveis da razão teórica. Sua obra não apenas resolveu o impasse entre o racionalismo dogmático e o empirismo cético, mas definiu a estrutura sob a qual qualquer saber fenomênico deve se organizar para reivindicar validade universal. Idealismo Transcendental: Na Crítica da Razão Pura (1781), Kant postula que o conhecimento é uma síntese operada por estruturas a priori do sujeito — o espaço e o tempo como formas da sensibilidade e as categorias como funções do entendimento. A ciência, tipificada pela física newtoniana, é possível apenas enquanto estudo de fenômenos organizados por essas estruturas; a metafísica, por tentar apreender o noumenon (a coisa em si), permanece fora do domínio do conhecimento científico (KANT, 1781). A Escola Neokantiana: No crepúsculo do século XIX, o movimento "Retorno a Kant" bifurcou-se em duas linhagens fundamentais: Escola de Marburgo (Cohen, Natorp, Cassirer): Privilegiou a lógica e o fundamento matemático das ciências naturais. Escola de Baden/Heidelberg (Windelband, Rickert): Estabeleceu a distinção crucial entre as ciências nomotéticas (leis gerais da natureza) e as ciências ideográficas (fenômenos históricos e singulares), influenciando a futura fenomenologia. A rigidez do sistema kantiano impôs o primeiro grande interdito à psicologia, ao classificar a Psychologia Rationalis como uma ilusão dialética e questionar a própria viabilidade de uma psicologia empírica, uma vez que o sentido interno careceria da dimensão espacial e da mensurabilidade matemática necessárias à cientificidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Introdução aos Fundamentos da Filosofia da Ciência

A filosofia da ciência constitui-se como a investigação rigorosa acerca do estatuto ontológico do objeto científico e das condições de possibilidade que legitimam o saber. Em sua tessitura fundamental, ela não se limita à descrição de métodos, mas perscruta o regime de historicidade e as estruturas de validação que demarcam a ciência frente a outros domínios do saber. Esta disciplina problematiza a objetividade e a função das leis naturais, confrontando perspectivas que oscilam entre o indutivismo clássico e o anarquismo metodológico contemporâneo. A gênese desse escopo investigativo remonta à ruptura cartesiana, marco do amadurecimento da Modernidade. René Descartes (1596-1650), ao sistematizar o método em sua busca por fundamentos inabaláveis, estabeleceu um paradigma mecanicista que operou o desencantamento do mundo (Entzauberung), marginalizando práticas herméticas e taumatúrgicas em favor de uma racionalidade geométrica e metódica. Tal inflexão histórica, ao cindir o cogito da extensão material, preparou o solo epistemológico para que o Iluminismo exigisse da ciência uma fundamentação transcendental e purgada de resíduos metafísicos.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Filosofia da psicologia e da psicanálise no Brasil, por Daniel Omar Perez.

Na Unicamp, a relação entre filosofia e psicanálise consolidou-se ao longo de décadas, especialmente por meio do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). A linha de pesquisa “Fundamentos Filosóficos da Psicologia e da Psicanálise”, vinculada ao CLE, organiza seminários e encontros de estudos avançados, retomando tradições iniciadas entre 1984 e 1997, quando IFCH e CLE ofereceram conjuntamente cursos de especialização. Esses eventos têm como objetivo criar espaços de interlocução entre pesquisadores de diferentes áreas, reunindo perspectivas teóricas diversas na articulação entre filosofia e psicanálise. O Curso de Especialização em Fundamentos Filosóficos da Psicologia e da Psicanálise, oferecido entre 1984 e 1997, foi um marco histórico na consolidação da filosofia da psicanálise no Brasil. Organizado pelo Departamento de Filosofia do IFCH, com assessoria do CLE, o curso contou com vinte disciplinas, incluindo Metapsicologia, Psicanálise e Fenomenologia, Epistemologia da Psicanálise, História Epistemológica da Psicologia e da Psicanálise, além de Fundamentos da Psicanálise I e II. As turmas eram pequenas e seletivas: em 1984, foram oferecidas vinte vagas, com quinze aprovados e sete matriculados; em 1985, sete alunos se matricularam entre oito aprovados; em 1986, ingressaram nove alunos; e em 1987, treze foram aprovados. Até o primeiro semestre de 1986, apenas um aluno havia concluído o curso, enquanto cinco foram transferidos para o Programa de Pós-Graduação em Lógica e Filosofia da Ciência. Ao longo de sua duração, vinte e um alunos concluíram a especialização. Esse curso foi pioneiro no Brasil, sendo o primeiro de pós-graduação voltado principalmente à psicanálise freudiana. Criado por iniciativa de Zeljko Loparic, então coordenador do CLE, representou um marco ao trazer a psicanálise para o ambiente universitário em nível de pós-graduação. Entre os primeiros professores estavam Bento Prado Jr., Luiz Roberto Monzani e Osmyr Faria Gabbi Jr., posteriormente acompanhados por nomes como Oswaldo Giacoia Jr., Jeanne Marie Gagnebin e Urias Corrêa Arantes. A proposta consolidou a chamada filosofia brasileira da psicanálise, que rapidamente se organizou em quatro abordagens originais de Freud, resultando em obras de referência como Freud na filosofia brasileira. Em 1997, o curso foi incorporado como área de concentração na pós-graduação em Filosofia da Unicamp, ampliando seu alcance acadêmico. A trajetória do curso foi decisiva para institucionalizar a psicanálise no meio universitário brasileiro, formando pesquisadores e abrindo novas linhas de investigação. Entre os nomes centrais dessa história estão Osmyr Faria Gabbi Jr., que publicou Psicanálise e filosofia (2015) e diversos artigos sobre epistemologia da psicanálise; Luiz Roberto Monzani (1961–2020), filósofo e professor do IFCH e do CLE, figura decisiva para a consolidação da filosofia da psicanálise no Brasil, homenageado no V Colóquio Filosofia e Psicanálise de 2026; e Zeljko Loparic, professor titular aposentado da Unicamp, reconhecido como um dos principais nomes da filosofia da psicanálise no país. Assim, a experiência da Unicamp não apenas consolidou a interface entre filosofia e psicanálise, mas também inaugurou um campo de pesquisa que permanece vivo, sendo continuamente retomado e atualizado por meio das atividades do CLE e do IFCH.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Filosofia da Ciência I Angústia e repetição

Disciplina: HF033 - Filosofia da Ciência I Nome Português: Filosofia da Ciência I Nome Inglês: Philosophy of Science I Nome Espanhol: Filosofía de la Ciencia I Angústia e repetição Segundo semestre de 2026 Dia e horário: segunda-feira de 14.00 horas a 18.00 horas Aceita alunos especiais Sala de aula no Centro de Lógica e Epistemologia (CLE) Professor: Daniel Omar Perez Programa: Esta disciplina está pensada no interior da área de filosofia da ciência, mais especificamente, dentro da filosofia da psiquiatria, psicologia e psicanálise. Procuramos refletir sobreascondições de possibilidade da experiência clínica. Do horizonte geral: Quais sãoosingredientes e o funcionamento do dispositivo que permite a experiência clínica? Àperguntaparticular: Como podemos pensar a angústia como experiência dentro da clínica psicanalítica?Entendemos aqui nosso trabalho de filosofia da ciência a partir de uma orientação kantianaacerca do alcance da experiência e seus limites. A angústia foi pensada na história da medicina dentro da melancolia, ligada à teoriadoshumores de Hipócrates até Galeno entrando no século XVIII. No século XIXeuropeuaangústia estava do lado da neurastenia. Foi Freud que isolou a experiência de angústia. Aneurastenia seria o esgotamento da energia, enquanto a angústia, para Freud seria o acúmulode energia. Decididamente, Freud em diálogo com Fliess (1897), de acordo comos dadosclínicos, a angústia seria causada pela repressão sexual. No entanto, o caso do PequenoHans(1908) mostra algo que será elaborado quase vinte anos depois. EmInibição, SintomaeAngústia (1926), Freud determina que é a angústia que causa repressão. Aretomadadaexperiência da angústia em psicanálise reformula sua concepção em 1963. Em OSeminário10 A Angústia de Jaques Lacan avança na ideia de que angústia e desejo habitama mesmaestrutura. A angústia surge quando o objeto de desejo aparece em excesso, semmediaçãosimbólica. Assim, quando o Real do objeto causa de desejo não é simbolizadoe/ouimaginarizado, o afeto da angústia comparece como sinal. Diferente da concepção de Freudde compulsão de repetição como retorno do recalcado, o que Lacan mostra é que a repetiçãonão é simples reprodução do mesmo, eterno retorno do mesmo, mas insistência do real que não se deixa simbolizar, não se inscreve. O sujeito, ao repetir, não busca, como sustentavaFreud, reviver uma experiência passada, mas se coloca em funcionamento o movimentoqueleva ao ponto de encontro com aquilo que do objeto que não cessa de não se articular nalinguagem. A repetição, portanto, é o movimento que expõe o sujeito ao excesso, à presençado objeto que não pode ser integrado ao simbólico. É nesse excesso que a angústiasemanifesta, não como sinal de algo que falta, de um vazio ou nada, mas como sinal da faltadafalta, ou seja, da irrupção do objeto sem mediação na linguagem. A repetição insiste porqueoReal insiste, e o sujeito é convocado a lidar com esse encontro inevitável. Na clínica, issosignifica que a repetição não deve ser vista como círculo vicioso a ser interrompido, mascomo via de acesso ao ponto mais íntimo da estrutura do sujeito. Assim sendo, esta disciplinapropõe examinar a repetição do paciente na experiência de angústia que o conduz aumasituação mortificante. Plano de trabalho: 1. Breve história da angústia nas psiquiatrias 2. Breve história da angústia nos Manuais do DSM 3. Breve história da compulsão nas psiquiatrias 4. Breve história da angústia e da compulsão na história da psicanálise 5. A angústia em Inibição, Sintoma e Angústia de S. Freud 6. A repetição em Além do princípio do prazer de S. Freud 7. O nascimento do sujeito: física, linguística, sociologia, fisiologia, topologia. (OSeminário 10 de J.Lacan) 8. A causa do desejo: a identificação sádica e a masoquista; o amor real. Kant e Sade(OSeminário 10 de J.Lacan) 9. Passagem ao ato, acting out: as mentiras do inconsciente. (O Seminário 10 de J.Lacan)10. O sintoma como gozo. (O Seminário 10 de J.Lacan) 11. A angústia entre o gozo e o desejo: a perversão e a angústia do Outro (OSeminário10de J.Lacan) 12. Os objetos parciais: a boca e os olhos, a voz, o falo evanescente, do anal ao ideal (OSeminário 10 de J.Lacan) 13. Desejo e castração: Do a aos Nomes-do-pai (O Seminário 10 de J.Lacan) 14. O inconsciente e a repetição (O Seminário 11 de J.Lacan) 15. A angustiante experiência de repetir a repetição que leva à angustia: o mortificanteeavida em psicanálise

KANT E O PROBLEMA. DA SIGNIFICAÇÃO

Para Kant, o problema da significação gira em torno de como os conceitos adquirem sentido objetivo. Ele argumenta que conceitos sem intuição sensorial são vazios, e intuições sem conceitos são cegas. O sentido surge quando o entendimento organiza as impressões sensíveis puras sob regras universais (categorias), estruturando nossa percepção da realidade. A teoria kantiana do significado estabelece que não conhecemos as coisas como elas são em si mesmas (o númeno), mas apenas como elas nos aparecem (o fenômeno) após passarem pelas estruturas do sujeito transcendental (tempo, espaço e categorias do entendimento). Isso resolve o impasse entre empirismo e racionalismo, mostrando que a significação é uma construção ativa da mente.Para aprofundar essa questão, você pode conferir a obra de Daniel Omar Perez, Kant e o problema da significação, que analisa como o sistema transcendental aborda a validade e o sentido dos juízos.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

VI Colóquio Filosofia e Psicanálise da UNICAMP: 30 Anos do Pensamento de Christian Dunker Filosofia, Psicologia e Psicanálise.

Título: VI Colóquio Filosofia e Psicanálise da UNICAMP: 30 Anos do Pensamento de Christian Dunker Filosofia, Psicologia e Psicanálise Tema: 30 Anos do Pensamento de Christian Dunker Filosofia, Psicologia e Psicanálise Local do evento: Casa do Lago Modalidade do evento: Híbrida (Presencial e Virtual) Data: 26 e 27 de outubro de 2026 (2da.3ça). Área de Conhecimento (Área de Avaliação): 70100004 – Filosofia Neste VI Colóquio Filosofia e Psicanálise da UNICAMP de 2026, homenageamos a obra do professor Christian Dunker. No ano de 2026, completa-se 30 anos da defesa de tese de Christian Dunker, quando publica Lacan e a clínica da interpretação marcando o início de um pensamento sólido que já conta com mais de quinze publicados no Brasil – além da tradução para o inglês e espanhol – na interface da psicanálise com a filosofia, antropologia, ciências da linguagem, psicopatologia, política, estética e semiótica, entre tantos outros. Não obstante a sua larga contribuição bibliográfica e o seu papel na formação do pensamento e da práxis psicanalítica no Brasil, Christian Dunker possui um papel importante em debates públicos, colocando a psicanálise em pauta para diversas interlocuções na sociedade. Este evento, que ocorre vinculado ao VI Colóquio de Filosofia e Psicanálise, tem como objetivo discutir as teses e desenvolvimentos do pensamento de Christian Dunker bem como reunir alunos, alunas e colegas, convidando a olhar para a psicanálise a partir de diferentes modelos críticos que nos permitam borrar fronteiras, criar litorais e derrubar muros. Comissão Científica: Isadora Petry Daniel Omar Perez (UNICAMP) Matteo Bonfitto (UNICAMP) Suze Piza (UFABC) Helena Lima (Unicamp) Rodrigo Gonçalves (USP) Katia Canton (USP) Guillermo Milan (UDELAR - Uruguai) Comissão Organizadora: Isadora Petry Daniel Omar Perez (UNICAMP) Izabela Loner (UNICAMP)

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Filosofia da Ciência I, Angústia e repetição , curso do segundo semestre de 2026, na unicamp.

 

Disciplina: HF033- Filosofia da Ciência I 

Angústia e repetição 

Segundo semestre de 2026 

Dia e horário: segunda-feira de 14.00 horas a 18.00 horas 

Aceita alunos especiais 

Sala de aula no Centro de Lógica e Epistemologia (CLE) 

Professor: Daniel Omar Perez 


Programa: Esta disciplina está pensada no interior da área de filosofia da ciência, mais especificamente, dentro da filosofia da psiquiatria, psicologia e psicanálise. Procuramos refletir sobre as condições de possibilidade da experiência clínica. Do horizonte geral: Quais são os ingredientes e o funcionamento do dispositivo que permite a experiência clínica? À pergunta particular: Como podemos pensar a angústia como experiência dentro da clínica psicanalítica? Entendemos aqui nosso trabalho de filosofia da ciência a partir de uma orientação kantiana acerca do alcance da experiência e seus limites. A angústia foi pensada na história da medicina dentro da melancolia, ligada à teoria dos humores de Hipócrates até Galeno entrando no século XVIII. No século XIX europeu a angústia estava do lado da neurastenia. Foi Freud que isolou a experiência de angústia. A neurastenia seria o esgotamento da energia, enquanto a angústia, para Freud seria o acúmulo de energia. Decididamente, Freud em diálogo com Fliess (1897), de acordo com os dados clínicos, a angústia seria causada pela repressão sexual. No entanto, o caso do Pequeno Hans (1908) mostra algo que será elaborado quase vinte anos depois. Em Inibição, Sintoma e Angústia (1926), Freud determina que é a angústia que causa repressão. A retomada da experiência da angústia em psicanálise reformula sua concepção em 1963. Em O Seminário 10 A Angústia de Jaques Lacan avança na ideia de que angústia e desejo habitam a mesma estrutura. A angústia surge quando o objeto de desejo aparece em excesso, sem mediação simbólica. Assim, quando o Real do objeto causa de desejo não é simbolizado e/ou imaginarizado, o afeto da angústia comparece como sinal. Diferente da concepção de Freud de compulsão de repetição como retorno do recalcado, o que Lacan mostra é que a repetição não é simples reprodução do mesmo, eterno retorno do mesmo, mas insistência do real quenão se deixa simbolizar, não se inscreve. O sujeito, ao repetir, não busca, como sustentava Freud, reviver uma experiência passada, mas se coloca em funcionamento o movimento que leva ao ponto de encontro com aquilo que do objeto que não cessa de não se articular na linguagem. A repetição, portanto, é o movimento que expõe o sujeito ao excesso, à presença do objeto que não pode ser integrado ao simbólico. É nesse excesso que a angústia se manifesta, não como sinal de algo que falta, de um vazio ou nada, mas como sinal da falta da falta, ou seja, da irrupção do objeto sem mediação na linguagem. A repetição insiste porque o Real insiste, e o sujeito é convocado a lidar com esse encontro inevitável. Na clínica, isso significa que a repetição não deve ser vista como círculo vicioso a ser interrompido, mas como via de acesso ao ponto mais íntimo da estrutura do sujeito. Assim sendo, esta disciplina propõe examinar a repetição do paciente na experiência de angústia que o conduz a uma situação mortificante. 

Plano de trabalho: 

1. Breve história da angústia nas psiquiatrias 

2. 3. 4. 5. 6. 7. Breve história da angústia nos Manuais do DSM Breve história da compulsão nas psiquiatrias Breve história da angústia e da compulsão na história da psicanálise A angústia em Inibição, Sintoma e Angústia de S. Freud A repetição em Além do princípio do prazer de S. Freud O nascimento do sujeito: física, linguística, sociologia, fisiologia, topologia. (O Seminário 10 de J.Lacan) 

8. Acausa do desejo: a identificação sádica e a masoquista; o amor real. Kant e Sade (O Seminário 10 de J.Lacan) 

9. 10. 11. Passagem ao ato, acting out: as mentiras do inconsciente. (O Seminário 10 de J.Lacan) Osintoma como gozo. (O Seminário 10 de J.Lacan) Aangústia entre o gozo e o desejo: a perversão e a angústia do Outro (O Seminário 10 de J.Lacan) 

12. Os objetos parciais: a boca e os olhos, a voz, o falo evanescente, do anal ao ideal (O Seminário 10 de J.Lacan) 

13. 14. 15. Desejo e castração: Do a aos Nomes-do-pai (O Seminário 10 de J.Lacan) Oinconsciente e a repetição (O Seminário 11 de J.Lacan) Aangustiante experiência de repetir a repetição que leva à angustia: o mortificante e a vida em psicanálise

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O Nascimento da Psicologia como Disciplina Autônoma

A transição da psicologia para o estatuto de ciência independente no século XIX configurou-se como uma "rebelião epistemológica" ...