Disciplina: HF033- Filosofia da Ciência I
Angústia e repetição
Segundo semestre de 2026
Dia e horário: segunda-feira de 14.00 horas a 18.00 horas
Aceita alunos especiais
Sala de aula no Centro de Lógica e Epistemologia (CLE)
Professor: Daniel Omar Perez
Programa: Esta disciplina está pensada no interior da área de filosofia da ciência, mais especificamente, dentro da filosofia da psiquiatria, psicologia e psicanálise. Procuramos refletir sobre as condições de possibilidade da experiência clínica. Do horizonte geral: Quais são os ingredientes e o funcionamento do dispositivo que permite a experiência clínica? À pergunta particular: Como podemos pensar a angústia como experiência dentro da clínica psicanalítica? Entendemos aqui nosso trabalho de filosofia da ciência a partir de uma orientação kantiana acerca do alcance da experiência e seus limites. A angústia foi pensada na história da medicina dentro da melancolia, ligada à teoria dos humores de Hipócrates até Galeno entrando no século XVIII. No século XIX europeu a angústia estava do lado da neurastenia. Foi Freud que isolou a experiência de angústia. A neurastenia seria o esgotamento da energia, enquanto a angústia, para Freud seria o acúmulo de energia. Decididamente, Freud em diálogo com Fliess (1897), de acordo com os dados clínicos, a angústia seria causada pela repressão sexual. No entanto, o caso do Pequeno Hans (1908) mostra algo que será elaborado quase vinte anos depois. Em Inibição, Sintoma e Angústia (1926), Freud determina que é a angústia que causa repressão. A retomada da experiência da angústia em psicanálise reformula sua concepção em 1963. Em O Seminário 10 A Angústia de Jaques Lacan avança na ideia de que angústia e desejo habitam a mesma estrutura. A angústia surge quando o objeto de desejo aparece em excesso, sem mediação simbólica. Assim, quando o Real do objeto causa de desejo não é simbolizado e/ou imaginarizado, o afeto da angústia comparece como sinal. Diferente da concepção de Freud de compulsão de repetição como retorno do recalcado, o que Lacan mostra é que a repetição não é simples reprodução do mesmo, eterno retorno do mesmo, mas insistência do real quenão se deixa simbolizar, não se inscreve. O sujeito, ao repetir, não busca, como sustentava Freud, reviver uma experiência passada, mas se coloca em funcionamento o movimento que leva ao ponto de encontro com aquilo que do objeto que não cessa de não se articular na linguagem. A repetição, portanto, é o movimento que expõe o sujeito ao excesso, à presença do objeto que não pode ser integrado ao simbólico. É nesse excesso que a angústia se manifesta, não como sinal de algo que falta, de um vazio ou nada, mas como sinal da falta da falta, ou seja, da irrupção do objeto sem mediação na linguagem. A repetição insiste porque o Real insiste, e o sujeito é convocado a lidar com esse encontro inevitável. Na clínica, isso significa que a repetição não deve ser vista como círculo vicioso a ser interrompido, mas como via de acesso ao ponto mais íntimo da estrutura do sujeito. Assim sendo, esta disciplina propõe examinar a repetição do paciente na experiência de angústia que o conduz a uma situação mortificante.
Plano de trabalho:
1. Breve história da angústia nas psiquiatrias
2. 3. 4. 5. 6. 7. Breve história da angústia nos Manuais do DSM Breve história da compulsão nas psiquiatrias Breve história da angústia e da compulsão na história da psicanálise A angústia em Inibição, Sintoma e Angústia de S. Freud A repetição em Além do princípio do prazer de S. Freud O nascimento do sujeito: física, linguística, sociologia, fisiologia, topologia. (O Seminário 10 de J.Lacan)
8. Acausa do desejo: a identificação sádica e a masoquista; o amor real. Kant e Sade (O Seminário 10 de J.Lacan)
9. 10. 11. Passagem ao ato, acting out: as mentiras do inconsciente. (O Seminário 10 de J.Lacan) Osintoma como gozo. (O Seminário 10 de J.Lacan) Aangústia entre o gozo e o desejo: a perversão e a angústia do Outro (O Seminário 10 de J.Lacan)
12. Os objetos parciais: a boca e os olhos, a voz, o falo evanescente, do anal ao ideal (O Seminário 10 de J.Lacan)
13. 14. 15. Desejo e castração: Do a aos Nomes-do-pai (O Seminário 10 de J.Lacan) Oinconsciente e a repetição (O Seminário 11 de J.Lacan) Aangustiante experiência de repetir a repetição que leva à angustia: o mortificante e a vida em psicanálise



