sexta-feira, 29 de maio de 2020
Paixões tensas, uma iniciação
Sem rodeios Lacan fala: “Que é a angústia? Afastamos a ideia
de que seja uma emoção. Para introduzi-la direi que ela é um afeto.” (Lacan, 23, 2005) Lacan volta a nos recordar
junto com Freud que o afeto não é recalcado. “Ele se desprende, fica à deriva.
Podemos encontrá-lo deslocado, enlouquecido, invertido, metabolizado, mas ele
não é recalacado. O que é recalcado são os significantes que o amarram” (Lacan, 23, 2005). Isso Freud já tinha nos
mostrado no seu texto metapsicológico O
Inconsciente de 1915. Mas citando o livro II da Retórica de Aristóteles, onde o filósofo trata das paixões, afirma
que “O que há de melhor sobre as paixões está preso na malha, na rede da
retórica” (Lacan, 23, 2005). É no
entramado dos significantes que aparece a angustia. Uma teoria lacaniana dos
afetos não poderia ser pensada sem a relação significante. Aqui Lacan retoma o
espírito do estagirita.
Angustia e o desejo do Outro
No dia 11 de novembro de 1962, numa sala de aula de Paris, o
doutor Jaques Lacan afirmava que a estrutura da angustia e a estrutura da
fantasia era exatamente a mesma. A ocorrência não deixa de surpreender a
próprios e estranhos. Mas se avançarmos um pouco no seu discurso ouviremos dizer
também que “a relação essencial da angústia é com o desejo do Outro” (Lacan, 14, 2005). O Grande Outro, aquele lugar desde
o qual o sujeito entende que é demandado a responder, a agir, a se comportar,
não diz o que exige e então surge o interrogante: Que queres? Que quer ele de mim? Que quer ele comigo? Como me quer ele?
Que quer ele a respeito deste lugar do eu? Lacan nos adverte que é na “relação
com o desejo e a identificação narcísica” (Lacan, 15, 2005) que aparece a função da
angústia.
Lacan, J. (2005). O Seminário 10 A Angustia.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.
Entre as palavras tramam os afetos
Lacan fala: “Que é a angústia? Afastamos a ideia de que seja
uma emoção. Para introduzi-la direi que ela é um afeto.” (Lacan, 23, 2005) Lacan volta a nos recordar
junto com Freud que o afeto não é recalcado. “Ele se desprende, fica à deriva.
Podemos encontrá-lo deslocado, enlouquecido, invertido, metabolizado, mas ele
não é recalacado. O que é recalcado são os significantes que o amarram” (Lacan, 23, 2005). Isso Freud já tinha nos
mostrado no seu texto metapsicológico O
Inconsciente de 1915. Mas citando o livro II da Retórica de Aristóteles, onde o filósofo trata das paixões, afirma
que “O que há de melhor sobre as paixões está preso na malha, na rede da
retórica” (Lacan, 23, 2005). É no
entramado dos significantes que aparece a angustia. Uma teoria lacaniana dos
afetos não poderia ser pensada sem a relação significante. Aqui Lacan retoma o
espírito do estagirita.
Lacan, J. (2005). O Seminário 10 A Angustia.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Melancolia
Na
melancolia o sujeito não logra retirar a libido do objeto perdido. O sujeito
não se separa do objeto produzindo e sustentando uma identificação narcísica:
“A sombra do objeto abate-se assim sobre o ego que pode então ser julgado por
uma instância particular como um objeto, como o objeto abandonado. Dessa
maneira, a perda do objeto se transformou em uma perda do ego, e o conflito
entre o ego e a pessoa amada em uma cisão entre a crítica do ego e o ego
modificado por identificação” (Freud, Luto e Melancolia (1917), 2016).
O ego se confunde com o objeto perdido e uma parte do ego se opõe a outra.
O
sujeito em estado de depressão manifesta um forte impulso autodestrutivo. Freud
entende que a relação de ambivalência afetiva (de amor e ódio) que nos vincula
ao objeto oscila para o ódio e como se produz a identificação com o objeto no
próprio ego então o ódio direcionado para o objeto recai no próprio ego, assim,
amar o objeto é ser o objeto e sendo o objeto (perdido) se torna o alvo do
ódio.
Freud
entende também que a libido regride a uma fase oral ou canibalesca onde o
sujeito incorpora o objeto na devoração do mesmo. Abraham é a referência
imprescindível. A autopunição, a autoagressão é um modo de manifestar o ódio ao
objeto perdido que não pode ser abandonado. Em 1920 em Introdução ao conflito entre pulsão de vida e pulsão de morte Freud nos dará elementos para
entender a melancolia como uma luta entre ambas pulsões. Em 1923 em Id e Eu a
consciência moral ou a voz da consciência aparece como uma verdadeira instância
psíquica. Assim, o superego, que exerce uma função reguladora das pulsões,
aparece com um sadismo excessivo em relação ao Eu. Melanie Klein (1996) em Uma contribuição à psicogênese dos estados
maníaco-depressivos (1935) avançará na ideia de uma teoria de estados
maníaco-depressivos em relação com a melancolia. Klein introduz a noção de
reparação normal e patológica, a normal restauraria o objeto danificado e a
patológica negaria os sentimentos depressivos ou tentaria eliminar magicamente
a angústia depressiva.
Sonho
Sonhei que amanhecia caminhando por uma floresta interminável e labiríntica, que no pôr do sol alcançava a ouvir o barulho da água de um rio turbulento, cansado de caminhar sem rumo o tronco de uma imensa árvore serviu de barco ou lugar de descanso. Entre o som das águas e o movimento da correnteza dormi. Acordei numa praia. Um insecto ou talvez uma cobra que passava pelo meu braço quase enterrado na areia me deixou alerta. Levantei e caminhei. Atravessei dunas do tamanho de pirâmides, provavelmente um pouco maiores. Encontrei uma lagoa com alguma vegetação ao redor que me permitiu matar a sede e a fome. Comi umas raízes e uns frutos que não conhecia. Mas o temor de amolecer ainda mais por desnutrição me fez preferir o provável veneno a recuar diante do desconhecido. Continuei a jornada. Senti-me um peregrino em terras estranhas, às vezes eram longos vales, intermináveis platôs, acidentadas montanhas ou simplesmente nada. Vazio o espaço de andar sem rumo, incompreensível o tempo sem medida da travessia. Um barulho de carro ou de panela de cozinha acordou o homem que sonhava e eu desapareci quando deixei de ser sonhado.
terça-feira, 26 de maio de 2020
Para uma análise sem divã
Atendimentos psicanalíticos on-line em época de pandemia e distanciamento social.
Alguns psicanalistas e analisantes no inicio da pandemia tiveram algum reparo com relação a continuar o trabalho analítico on-line. E na verdade acho até razoável. Ao final é a primeira vez que nos deparamos com isto na história da psicanálise. Alguns questionaram a questão do set de análise, algo que se questiona desde a época de Freud. Uns são fieis ao divão, outros entendem que o trabalho analítico está aquém e além do divã. Outros questionaram o lugar dos corpos, do corpo do analista e do analisante no encontro do espaço da análise, algo que é elaborado topologicamente e decide boa parte do encaminhamento analítico.
Há mais duas questões que devem ser repensadas para uma análise sem divã: a voz e o olhar. Isto é, a pulsão invocante e a escopofílica na sessão de análise.
A voz, sabemos, é uma pulsão que faz laço, estabelece uma relação com o objeto que contorna. O analista faz função de objeto para o analisante em posição de sujeito de uma fala. Esta cena opera, evidentemente, de modo diferente no espaço físico e no espaço virtual. Talvez seja preciso repensar em cada caso como articula o Real, o Simbólico e o Imaginário nessa fala do analisante que se dirige ao analista, mas retorna de modo invertido e provocando corte que pode desencadear angustia.
domingo, 24 de maio de 2020
Luto
Freud
publicou Luto e melancolia no
contexto dos escritos metapsicológicos. Ele abordou o problema da perda, da dor
da perda, da perda de uma pessoa amada, da perda de um ideal ou também da
decepção com relação a algo ou alguém. Diante dessa perda ou decepção aparece
um afeto. A perda ou a decepção provoca uma dor e pode devir num estado
depressivo. A essa situação se denomina de luto e o estado aparentemente mais
agravado de melancolia.
Com
efeito, a perda desencadeia um processo de luto que pode ser percorrido até o
desfecho onde o sujeito se reencontra com outros objetos e outras expectativas.
Mas também pode acontecer, no caso da melancolia, que o sujeito não consiga
reconhecer conscientemente o que foi que se perdeu em aquilo que perdeu. Assim,
aparece uma inibição e, ao mesmo tempo, a perda do interesse no mundo externo, nas
palavras de Freud tornando-se pobre e vazio, absorve-se o ego e deriva numa
profunda diminuição da autoestima. Deste modo, aparecem auto-recriminações,
autoacusações, autodepreciação pública e até escancarada e a espera de um
castigo. Esses são os elementos daquilo que Freud entende como uma ruptura com
o mundo externo e retraição narcísica. O sujeito rompe os laços afogando-se
no próprio ego que deflagra um combate consigo mesmo.
No luto o sujeito consegue chegar à renuncia do
objeto perdido. A libido investida naquele objeto se retrai ao sujeito e num
terceiro momento reencontra outro objeto substitutivo. É este o movimento que
não acontece na melancolia.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Publicações de 2019
Sentimentos em conflito: Acerca do que fazemos, podemos e devemos fazer de nós mesmos
Neste trabalho, intitulado Sentimentos em conflito - Acerca do que fazemos, podemos e devemos fazer de nós mesmos, procurei mostrar como se organiza e funciona o campo de sentido da experiência prática com vários dos seus desdobramentos internos. Chamamos aqui de experiência prática ao conjunto de experiências do sujeito no domínio prático: moral em sentido estrito, direito, política e história, incluindo reflexões sobre a loucura e o conhecimento antropológico. A pergunta em questão é acerca da possibilidade da experiência moral e nos conduz a indagar as estruturas proposicionais que aparecem na experiência prática, o sujeito dessa experiência que aparece como operador e objeto das operações, os afetos e sentimentos que se articulam com os enunciados morais, bem como as regras sintáticas e referenciais que estão em jogo no campo prático. Parafraseando Kant: deixamos para trás o presunçoso título de ontologia como também o de uma moral dos fatos em si e avançamos numa analítica das condições de possibilidade de uma experiência prática (em sentido amplo): moral, política, histórica e antropológica, incluindo ainda a experiência da loucura.Coleção Modernos e ContemporâneosISBN: 978-85-66045-60-4384 páginas73R$FRETE GRÁTIS (envio por registro módico)
O PÊNDULO DE EPICURO:
ensaio sobre o sujeito e a lógica de uma história sem finalidade – Kant, Freud e Darwin
Autores: Francisco Verardi Bocca - Daniel Omar Perez
Sinopse
O Pêndulo de Epicuro é, em princípio, uma estratégia de reflexão sobre a filosofia da história. O recurso a Kant parece-nos justificado em si mesmo quanto ao tema. Já o recurso a Freud tem um valor adicional: a simetria e dissimetria em relação a Kant que reconhecemos nele. A novidade, se podemos assim chamar, aparece no recurso a Darwin. Este nos deu o equilíbrio do pêndulo, o ponto de vista que faz verdadeiro contraponto a Kant e Freud, mas, principalmente, que delineia os dois enquadres que detectamos na história da filosofia, o acaso e a necessidade, o aprioristicamente determinado e a contingência, o progresso e o declínio, numa palavra, o mesmo e a diferença. Tudo isto, por outro motivo que não o diletantismo filosófico, a saber, uma reflexão consistente sobre o sujeito e, assim, sobre os destinos da humanidade, sobre as responsabilidades humanas, sobre as condições de possibilidade das ações e das autodeterminações humanas. A dimensão do desafio encontrado, verá o leitor, é que tudo está por ser feito e ninguém além dos seres humanos o fará.
Detalhes do produto
Editora: EDITORA CRV
ISBN:978-85-444-3592-2
DOI: 10.24824/978854443592.2
Ano de edição: 2019
Distribuidora: EDITORA CRV
Número de páginas: 190
Formato do Livro: 14x21 cm
Número da edição:1
ISBN:978-85-444-3592-2
DOI: 10.24824/978854443592.2
Ano de edição: 2019
Distribuidora: EDITORA CRV
Número de páginas: 190
Formato do Livro: 14x21 cm
Número da edição:1
ONTOLOGIE SANS MIROIRS
Essai sur la réalité
Borges, Descartes, Locke, Berkeley, Kant, Freud
Josiane Cristina Bocchi, Daniel Omar Perez, Francisco Verardi Bocca
Traduit du portugais (Brésil) par Isabelle Alcaraz
Collection : La philosophie en commun
Livre papier :
19,5 €
sábado, 9 de maio de 2020
As batalhas do sul
No meio do lodo, entre o frio metal das armas e o sabor do sangue na boca Luiz Ferreira olhava desde o chão para a lança do soldado que acabava de matar de um tiro que destroçou o lado esquerdo da cabeça. A lança, enterrada entre suas tripas, seria o último objeto que veria. Luiz Ferreira pensou que se existia a eternidade então ele levaria essa imagem para sempre e isso não seria justo. Com as últimas forças buscou que sua vista encontrasse outra paisagem. Algo que merecesse ser levado ao final dos tempos. Ao redor não havia senão mais mortos, degolados, amputados, despedaçados, afogados no seu próprio sangue. O campo de batalha estava semeado de milhares de corpos inertes e então percebeu que a sua própria morte não fazia o menor sentido. Aferrou-se à lança e os olhos permaneceram abertos, mas sem imagem.
(No século XIX Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai travaram batalhas por territórios em meio de epidemias de cólera e febre amarela, quem não morria pelas doenças buscava todas as formas para morrer na guerra)
O ato
O ato da escrita literária cria mundos e seres imaginários, cria o castelo de Kafka, Tlön de Borges, Macondo de Garcia Marques... também cria Moby Dick de Melville, Frankenstein de Mery Shelley...
Margarita Guerrero e Jorge Luis Borges escreveram "O livro dos seres imaginários" uma espécie de catálogo de invenções literárias. Esses seres que não só foram entendidos como fantásticos, mas também como reais.
Umberto Eco escreveu "História das terras e lugares lendários", também parece um catálogo das invenções da literatura, mas que se confundem com o real.
Freud elaborou o conceito de realidade psíquica tentando explicar que não se tratava nem de que tudo era delírio nem de que possamos afirmar algo como a coisa em si. O sujeito faz parte da construção da realidade que habita. Nessa realidade convivem lembranças de fatos que nunca aconteceram, expectativas de futuros impossíveis, medos presentes de seres e mundos imaginários.
A história universal como história de umas poucas metáforas
Em "La esfera de Pascal" Jorge Luis Borges procura mostrar que todo o percurso da história do pensamento ocidental pode ser apresentado como uma história composta por umas poucas metáforas. Ele transita por alguns textos buscando explicitar a questão através da metáfora da esfera eterna. É com Xenófanes de Colofón, século VI a.C., que Borges inicia sua reflexão sobre a metáfora do Deus único a partir do pensamento da esfera. Xenófanes foi aquele que fustigou aos poetas que atribuíam carácter antropomórfico aos dioses propondo um só Deus. Através do Timeu de Platão é que Xenófanes obteve a caracterização da esfera como "la figura mas perfecta y mas uniforme, porque todos los puntos de su superficie equidistan del centro". Assim, ele teria representado a unidade absoluta através das características da esfera, ou seja, de um Deus esferóide. Em outro escrito antigo, o de Parmênides, é declarado que "el ser es semejante a la masa de una esfera bien redonda, cuya fuerza es constante desde el centro en cualquier dirección".
Segundo os comentadores Calogero e Mondolfo (historiadores da filosofia ocidental) –comenta Borges-, Parmênides intuyó una esfera infinita o infinitamente creciente concecendo um sentido dinâmico a essa esfera inaudita. Também na cosmogonia de Empédocles encontramos que "las partículas de tierra, de água, de aire y de fuego integran una esfera sin fin, o Sphairos redondo". Nos livros herméticos desde o Corpus Hermeticum até o teólogo Alain de Lille encontramos que: "Dios es una esfera ininteligible, cuyo centro está em todas partes y su circunferencia en ninguna". Para os medievais o sentido dessa figura era evidente: Deus está em cada uma das suas criaturas, porém nenhuma o limita. Posteriormente, Giordano Bruno inferiu, em defesa do mundo copernicano, que: podemos afirmar com certeza que "el universo es todo centro, o que el centro Del universo está em todas partes y su circunferencia en ninguna". Essa colocação ocorre em defesa do questionamento sobre a necessidade do sistema ptoloméico que é composto por esferas concêntricas. Entretanto, para Pascal também existe: "una esfera espantosa, cuyo centro está en todas partes y su circunferencia en ninguna".
As ruínas circulares
(sobre sonhos sonhados, um sonhador sonha um ser que não sabe que é sonhado)
Com o passar do tempo, o sonhador escuta de outros homens que há um homem em outro templo que pode caminhar pelo fogo sem dano. O homem sabe que este é seu filho e se preocupa da possibilidade de que ele se inteire de que não é um ser humano, senão uma projeção de outrem. De repente, um grande incêndio eclode no templo do sonhador. O homem aceita que tem chegado seu momento de morrer, e caminha para o fogo. Passa pelas chamas sem se queimar, e nesse momento compreende que ele também é uma projeção, um sonho de outro homem.
(Fragmento de Jorge Luis Borges)
Em alguns momentos do seu ensino Lacan nos propõe pensar nossas atitudes, escolhas e modos de ser como pautados pela relação que estabelecemos com um Grande Outro (o pai ou a mãe, mestre, figura ideal, ideal político, religioso ou de qualquer tipo) que estaria nos demandando determinadas atitudes, escolhas e modos de ser. Às vezes tudo se passa como se nossas atitudes, escolhas e modos de ser fossem a resposta (negativa ou positiva) daquele que entendemos como sendo a imposição, aconselhamento ou demanda desse Grande Outro que se dirige a nós com o olhar, com o tom de voz, com um gesto ou com uma palavra. No entanto, às vezes ocorre que aquilo que acreditávamos ser da nossa mais absoluta propriedade descobrimos que já estava presente nesse Grande Outro em relação ao qual nos achávamos diferentes, mas agora percebemos que estamos repetindo.
O desejo é o desejo do Outro e não está longe da alienação.
Jorge Luis Borges e o estatuto da verdade
Borges trabalha com histórias e problemas reais que são contados de forma fantástica, da mesma forma que relata situações imaginárias que nos colocam problemas ontológicos e éticos reais. Isso se passa na difusa fronteira entre as ficções e os fatos. Não se trata de negar uns ou outros. Tlön não é uma província do Iraque nem um planeta. Pior, Tlön é aqui ao avesso. A ficção produz um efeito de verdade que desnaturaliza aquilo que na realidade aparece como evidente e inquestionável. Tlön questiona nosso princípio de identidade e de permanência.
Em “El idioma analítico de John Wilkins” nem John Wilkins nem a enciclopédia chinesa tem o mesmo modo de existência que tem a cadeira onde estou sentado neste momento. Porém, ambos existem de tal modo que provocam em Michel Foucault o riso e a inquietação suficiente como para questionar a ordem de um saber que se nos aparece como evidente e natural (supondo que a confissão de Foucault seja “verdadeira” e não uma ficção que produz mais um efeito de verdade). A classificação dos animais na China, não é da China, é a imagem especular da nossa classificação vista a partir do estranhamento, do infamiliar que em vez de causar o conforto que oferece o dado como fato provoca a excitação do encontro com o inusitado. O inusitado pode causar rejeição, ódio, negação, mas também angustia, desidentificação, mudança de posição do sujeito de uma fala que justifica e ordena uma hierarquia e sustenta um sintoma.
Borges, Jünger e Celine
Borges faz filosofia fora do padrão da seriedade acadêmica estabelecida pela normativa universitária, escreve supostamente literatura fantástica, usa figuras retóricas, inventa histórias, faz piadas, muda os relatos segundo a conveniência como Groucho Marx, ironiza, com tudo o que isso implica, chega a ser engraçado. Porém, ao mesmo tempo, não é um marginal nem na academia nem na sociedade. Aceito nos círculos mais conservadores e elitistas da sociedade aparece como um escritor popular, quase como Ernst Jünger. Ambos escrevem corroendo os fundamentos do lugar que habitam e mesmo assim....
A radicalidade da escrita de Borges e Jünger não se mostra como escandalosa, denunciadora ou indignada, aparece como publicável.
Ao contrário de Celine que com insultos, obscenidades e bastante ressentimento se apresenta como transgressor enquanto afirma o mais recalcitrante fascismo. Celine é o exemplo mais nítido de uma escrita escandalosa que não faz outra coisa que afirmar o poder real que se sustenta na certeza de uma realidade inquestionável. Sua literatura é tão pequena quanto seu problema (de inveja) pessoal com Sarte.
A radicalidade da escrita de Borges e Jünger não se mostra como escandalosa, denunciadora ou indignada, aparece como publicável.
Ao contrário de Celine que com insultos, obscenidades e bastante ressentimento se apresenta como transgressor enquanto afirma o mais recalcitrante fascismo. Celine é o exemplo mais nítido de uma escrita escandalosa que não faz outra coisa que afirmar o poder real que se sustenta na certeza de uma realidade inquestionável. Sua literatura é tão pequena quanto seu problema (de inveja) pessoal com Sarte.
segunda-feira 11 de maio às 19.30 leituras de Jorge Luis Borges
Na segunda-feira 11 de maio às 19.30 realizaremos algumas leituras de Jorge Luis Borges.
Poemas.
Ensaios.
Contos.
Poemas.
Ensaios.
Contos.
DISCIPLINA PÓS GRADUAÇÃO Fundamentos da Psicanálise
HF 164 120 8 créditos. segundo semestre 2020
ANGUSTIA
Professor Daniel Omar Perez
Data e hora: terça-feira de 19 a 23 horas
IFCH – UNICAMP
Ementa: O
objetivo desta disciplina é apresentar uma análise da noção de angustia em
psicanálise. Para isso abordaremos os textos de Freud e Lacan. Inibição, sintoma e angustia e O Seminário 10 respectivamente. No
primeiro caso se apresenta uma angustia sem objeto. No segundo caso se
apresenta uma angustia que não é sem objeto. Isso possibilita a reformulação do
conceito de objeto em psicanálise. Assim sendo, a abordagem do conceito de
angustia nos permitirá não só entender um afeto fundamental do ser humano para
a clínica psicanalítica senão também o estatuto do conceito de objeto da teoria
e da prática psicanalítica.
Programa:
- Sentimentos, afetos e
emoções, uma introdução
- A angustia em Freud
- A angustia em Lacan
- A teoria dos afetos em
psicanálise
- A teoria dos objetos em
psicanálise
Metodologia:
aulas expositivas com debate e intervenção dos estudantes que assim o
desejarem. As aulas de apoio serão realizadas a terça-feira durante o período
da tarde com horário marcado.
Avaliação:
trabalho final escrito entregue na última aula do semestre.
Disciplina Filosofia Geral ANGUSTIA, LUTO, MELANCOLIA, DESAMPARO
Professor Daniel Omar Perez
Data e hora: segunda-feira de 19 a 23 horas segundo semestre 2020
IFCH – UNICAMP
Ementa: O
objetivo desta disciplina é apresentar uma análise do conceito de Angustia em
Kierkergaard, Heidegger e Freud. Para isso tentaremos diferenciar de outros
afetos e sentimentos como culpa, ressentimento, luto, melancolia, desespero e
desamparo. Em cada um dos casos a angustia está associada ao pecado, ao nada e
ao desejo. As diferentes formulações do afeto da angustia possibilitam
diferentes formas de entender a existência humana e os modos de se relacionar
consigo mesmo, com os outros, com as coisas e com o pensamento. A história da
filosofia desde Aristóteles até a fenomenologia contemporânea vem abordando a
experiência nomeada como de tristeza ou de sensação de vazio. Nosso trabalho
aqui será recortado em algumas obras de três pensadores contemporâneos.
Programa:
1. Sentimentos,
emoções, afetos e sensações: uma introdução
2. A
angustia em Kierkegaard
2.1.Introdução
aos conceitos fundamentais da filosofia de Kierkegaard
2.2.Considerações
sobre o amor
2.3.O
desespero humano
2.4.
Angustia e pecado
2.5.
Angustia como o que salva pela fé
3. A
angustia em Heidegger
3.1.Introdução
aos conceitos fundamentais de Heidegger
3.2.Solidão
3.3.Angustia
4. A
angustia em Freud
4.1.Introdução
aos conceitos fundamentais de Freud
4.2.Luto
e melancolia
4.3.Inibição
sintoma e angustia.
5. Retomada
dos conceitos e reformulação dos
significados da angustia
Metodologia:
aulas expositivas com debate e intervenção dos estudantes que assim o
desejarem.
Avaliação:
trabalho final escrito entregue na última aula do semestre.
Bibliografia básica:
Costa Pereira, M.E. Pânico e desamparo. São Paulo: Escuta,
2008.
Darwin, Ch. A expressão das emoções nos homens e nos
animais. São Paulo: Companhia das letras 2009.
Descartes, R. Obras Escolhidas. São Paulo Perspectiva, 2010.
Freud, S. Duelo y melancolia. Vol 11 Obra completa. Buenos
Aires: Hyspamerica, 1988.
_______ Inibición, síntoma y angustia. Vol 16 Obra completa.
Buenos Aires: Hyspamerica, 1988.
_______ Das Ich und das Es. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuch Verlag,
2009.
_______ Das
grosse Sigmund Freud Lesebuch. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuch Verlag,
2009.
________ Neurose, Psicose, Perversão. Belo Horizonte:
Editora Autêntica, 2016.
*Girard, R. & Serres, M. O trágico e a piedade. São Paulo: Realizações Editora,
2011.
*Han,
Byung-Chul La agonia del Eros. Buenos Aires: Herder, 2014.
______________ La sociedad del cansancio. Buenos
Aires: Herder, 2014.
*Harari, R O seminário A Angustia de Lacan. Uma introdução.
Porto Alegre: Artes e ofícios, 1997.
Heidegger,
M. Que es metafísica? Y otros ensayos. Buenos Aires: siglo veinte, 1983.
___________ Os conceitos fundamentais da metafísica. Mundo,
Finitude, Solidão. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.
__________ Ser e Tempo. Trad. Fausto Castilho, edição
bilíngue. Campinas: Editora Unicamp / Editora Vozes
Jarpers, K. A questão da culpa. São Paulo: Todavia, 2018.
Kierkegaard, S. Obras do amor. Petrópolis: Editora Vozes,
2013.
____________ O conceito de angustia. Petrópolis: Editora
Vozes, 2017.
____________ O desespero humano. São Paulo: Editora Unesp,
2010.
____________ O conceito de ironia. Petrópolis: Vozes, 1991.
____________
Diario de un seductor. Colombia: Ediciones Nuevo Siglo, 1994.
Lacan, J. O Seminário A angustia, libro 10. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Editor, 2005.
Lacoue-Labarthe,
P & Nancy, J-L El pánico político. Adrogué: Ediciones La Cabra, 2014.
Texto tipografado em frãnces http://staferla.free.fr/S10/S10.htm
Miller & all. Versiones de la Angustia. Buenos Aires:
Grama, 2008.
Novaes, A. (org) Os sentidos da paixão. São Paulo: Companhia
das letras, 2009.
Paschoal, A. E. Nietzsche e o ressentimento. São Paulo: Humanitas,
2014.
Perez, D. O. O Inconsciente. Onde mora o desejo. Rio de
Janeiro. Record, 2012.
__________ Sentimentos em conflito. Campinas: PHI, 2019.
*Ramos, G. Angustia e sociedade na obra de Sigmund Freud.
Campinas: Editora Unicamp, 2003.
Safatle, V. O circuito dos afetos. São Paulo: Cosac Naify,
2015.
*Safouan, M. Angustia-Sintoma-Inibição. Campinas: Papirus,
1989.
*Soller, C. Los afectos lacanianos. Buenos Aires LetraViva,
2016
________ O que faz laço? São Paulo: Escuta, 2011.
Spinoza Ética. Edição bilíngue. Belo Horizonte: Autêntica,
2010
*Starobinski, J. A tinta da melancolia. São Paulo: Companhia
das letras, 2016.
Tomás de Aquino As paixões da alma. São Paulo : Edipro, 2015
______________ A sensualidade. São Paulo : Edipro, 2015.
Outra bibliografia será fornecida de acordo com a demanda e o andamento do curso.
Disciplina pós primeiro semestre de 2020
Ano/semestre sigla nome
2020/1 HF722 Tópicos Esp. de História da Filosofia Moderna II
Horário
da aula:
segunda-feira de 14.00 horas a 18.00 horas
Horário
de atenção aos alunos:
com hora marcada na terça-feira de 8.00 a 12.00 horas
8 créditos
Aceita
alunos especiais
Ementa
A filosofia prática de Kant apresenta os
elementos de uma experiência moral (em sentido amplo) onde o sujeito humano da
liberdade coloca em relação conceitos e princípios de razão com sentimentos e
afetos da sensibilidade. Assim, na ética encontramos a lei moral em relação com
um sentimento moral; no direito as proposições jurídicas em relação com um
poder coercitivo do Estado; na história suas proposições em relação com um
afeto de entusiasmo individual e coletivo. Em cada caso (experiências éticas,
jurídicas e da história) encontramos um sujeito (individual ou coletivo)
articulando um discurso com uma sensibilidade. O objetivo desta disciplina
consiste em apresentar os elementos destas experiências práticas e o sujeito
das mesmas a partir da leitura dos textos de Kant em debate com interlocutores
da sua época e também com filósofos contemporâneos como Hutcheson, Hobbes, Rousseau, Freud, Lacan, Heidegger, Apel,
Levinas, Foucault e Derrida. Também debatemos com pesquisadores de estudos
kantianos, como Guido de Almeida, Ricardo Terra, Zeljko Loparic, Robert Louden,
Robert Hanna, entre outros.
Programa
Primeira
parte
A
ÉTICA: os sentimentos e os princípios (aulas dadas presencialmente antes da
quarentena)
A ética e os sentimentos
A origem mítica da lei de Freud e Hobbes
e as condições de possibilidade da moral em Kant: gênese ou estrutura.
O sexo e a lei em Kant e a ética do
desejo em Lacan
A questão do sujeito da ética entre
Foucault e Kant
Ética formal e antropologia pragmática
Segunda
parte
A
HISTÓRIA: o sentido, o entusiasmo e o sujeito (aulas on-line)
Os significados da história em Kant
Dois modelos semânticos para uma teoria
da história.
Rousseau, Kant e a hipótese da história
Terceira
parte
O
DIREITO: a relação legal com o outro (aulas on-line)
A hospitalidade de Kant em debate com
Derrida e Levinas.
Justiça e direito: Kant, Derrida e
Levinas
A responsabilidade não recíproca e
desigual. Uma interpretação kantiana
Quarta
parte
A
POLÍTICA: um conflito (aulas on-line)
Religião, política e medicina em Kant: O
conflito das proposições
O cínico e a política
Quinta
parte (aulas on-line)
ANTROPOLOGIA:
a natureza humana
A antropologia pragmática como parte da
razão prática
O significado do conceito de natureza
humana
A loucura como questão semântica: uma
interpretação kantiana
O debate com a história natural
Final
(aula presencial)
Juízo e natureza humana
Disciplina de graduação do curso de filosofia da Unicamp, primeiro semestre de 2020
Tópicos
Especiais de Filosofia Geral: Filosofia e
Literatura. A filosofia na obra de Jorge Luis Borges. Entre o pensamento e a
ficção.
Data:
segunda-feira 19.00 horas
Professor:
Daniel Omar Perez
Ementa:
Os escritos de Borges denotam invariavelmente uma relação íntima com os
problemas da filosofia. As leituras de Swedenborg, Hume, Miguel de Unamuno,
Schopenhauer, Angelus Silesius ou Heráclito, (só para citar alguns clássicos)
intervém em cada reflexão. Mas não diríamos nada se apenas afirmássemos uma
espécie de vocação especulativa ou o simples jogo de uma curiosidade literária.
Há uma preocupação que exige determinadas tomadas de posição. Os escritos dos
comentadores sobre este aspecto abrangem quase tudo o leque de filiações
possíveis. Jaime Rest decide que Borges pertence ao nominalismo da filosofia
analítica anglo-saxoã[1],
Ana Maria Barrenechea sugere o panteísmo niilista[2]
para explicar o pensamento de Borges, já o crítico Jaime Alazraki pensa que o
spinozismo expressa bem a reflexão do nosso escritor[3],
entretanto, Juan Nuño postula o platonismo para explicar o nosso interrogante[4]. A
lista de variedades poderia continuar mostrando múltiplas leituras e recortes
do texto borgeseano. O próprio Borges também tinha várias versões da sua
relação com a filosofia. Geralmente se apresentava nas entrevistas como um
cético. Em um diálogo com Maria Esther Vazquez, em 1973, Borges fez a seguinte
declaração: “Yo no tengo ninguna teoría
del mundo. En general, como yo he usado los diversos sistemas metafísicos y
teológicos para fines literarios los lectores han creído que yo profesaba esos
sistemas, cuando realmente lo único que he hecho ha sido aprovecharlos para
esos fines, nada más. Además,
si yo tuviera que definirme, me definiría como un agnóstico, es decir, una
persona que no cree que el conocimiento sea posible”[5]. Esse é o tom da escrita que
utilizou, por exemplo, na Historia de la Eternidad (1936) onde o
tratamento dos argumentos chega a passar da ironia ao humor. Não podemos
esquecer aqui a análise feita sobre as teorias nietzscheanas do eterno retorno
em La doctrina de los ciclos. Nesse escrito Borges procura contrapor a
segunda lei da termodinâmica à doutrina nietzscheana do retorno do mesmo
mostrando a fraqueza dos argumentos do filósofo pelo absurdo. Por outro lado,
nas Notas do livro Discusión (1932) está escrito: “Yo he
compilado alguna vez una antología de la literatura fantástica. Admito que esa obra es de las poquísimas que un
segundo Noe debería salvar de un segundo diluvio, pero delato la culpable
omisión de los insospechados y mayores maestros del género: Parménides, Platón,
Juan Escoto de Erígena, Alberto Magno, Spinoza, Leibniz, Kant, Francis Bradley.
En efecto, que son los prodigios de Wells o de Edgar Allan Poe –una flor que
nos llega del porvenir, un muerto sometido a la hipnosis- confrontados con la
invención de Dios, con la teoría laboriosa de un ser que de algún modo es tres
y que solitariamente perdura fuera del tiempo? Que es la piedra beozar
ante la armonía preestablecida, quien es el unicornio ante la Trinidad, quien
es Lucio Apuleyo ante los multiplicadores de Budas del Gran Vehículo, que son
todas las noches de Shahrazad junto a un argumento de Berkeley?”[6]
Esta
declaração parece ir ao encontro de outro escrito borgeseano de Ficciones
(1944) onde Borges diz que em Tlön, Uqbar, Orbis Tertius a metafísica é um tipo
de literatura fantástica[7],
como também de alguns ensaios redigidos em El libro de arena (1975).
Assim, o Borges dos escritos céticos passa ao Borges dos escritos de ficção.
Mas ele (Borges) se definia fundamentalmente como um argentino perdido na
metafísica[8].
Tal vez essa afirmação deva ser entendida como sugere Juan Jacinto Muñoz Rengel
que disse que o extravio é a própria metafísica. A hipótese de uma metafísica
como extravio, explorada por Borges, pode nos fazer pensar em um fio condutor
na aparente multiplicidade de versões da relação Borges/filosofia. Assim como
Kant utilizou a metáfora do mar sem orla para se referir à metafísica
que, segundo ele, formulava problemas sem sentido, podemos pensar o caráter
ficcional da metafísica que de acordo com Borges propicia as condições de seu
extravio. Assim, Borges se extravia na multiplicidade de relatos de uma
metafísica como gênero da literatura fantástica.
Programa:
- Uma
introdução à possibilidade de ler filosofia na literatura de Jorge Luis
Borges. (aula presencial antes da
quarentena)
1.1.Elementos
autobiográficos
1.2.A
identidade de um escritor e o gênero literário
1.3.A
filosofia, seu objeto e seu método?
- Ontologia
e ficção em J.L.B. (aulas on-line)
2.1.O
ser e a permanência
2.2.O
tempo e a eternidade
2.3.A
realidade como ironia
- Lógica
e retórica em J.L.B. (aulas
on-line)
3.1.A
identidade e a diferença
3.2.Os
fundamentos retóricos da realidade: a metáfora
- Ciência
e literatura em J.L.B. (aulas
on-line)
4.1.O
estatuto da verdade e da verossimilhança
- Judaismo,
cristianismo e oriente em J.L.B. (aulas
on-line)
5.1.A
cabala e o Golem
5.2.A
biblioteca e o livro de Deus
5.3.As
muralhas, as dinastias e os livros
- Ética
e destino em J.L.B. (aulas on-line)
6.1.A
milonga como ética
6.2.O
valor ético do traidor
- Retomada
dos conteúdos (aulas presenciais)
Modalidade:
aulas expositivas com debate sobre os textos e os temas.
Avaliação:
um trabalho escrito apresentado no final do semestre.
Aulas
de consulta: terça-feira de 14.00 a 18.00 na sala B
45 com horário marcado.
Bibliografia:
ALAZRAKI, J. La prosa narrativa de Jorge
Luis Borges. Madrid: Gredos, 1968.
ARANA, J. La
eternidad de lo efímero. Madrid: Biblioteca Nueva, 2000.
BAREI, S. N. Borges
y la crítica literaria. Madrid: Tauro Ediciones, 1999.
BARILI, A. Jorge
Luis Borges y Alfonso Reyes: la cuestión de la identidad del escritor
latinoamericano. México: FCE, 2000.
BARRENECHEA, A. Mª. La expresión de la irrealidad
en la obra de Borges. BsAs: Paidós,
1967.
BAUCHWITZ, O. F.
Eu, tu e Borges. Natal: Editora
universitária Natal, 2003.
BIOY CASARES, A.
Descanso de caminhantes. Diarios
íntimos. Buenos Aires: Sudamericana, 2001.
BORGES,J.L. Obras
Completas. Vol. I-V. BsAs: Emece Editores, 2000.
BORGES,J.L. Ensaio autogiográfico. São Paulo:
Companhia das Letras, 2018.
BORGES,J.L. El
aprendizaje del escritor. Buenos Aires: Sudamericana, 2014.
BORGES,J.L. Curso de literatura inglesa. São Paulo:
Martins Fontes, 2002.
BORGES,J.L.
& FERRARI, O. Reencuentro. Vol. I e
II Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1986.
BORGES,J.L.
& FERRARI, O. Sobre a filosofia e
outros diálogos. São Paulo: Hedra, 2009.
BULACIO, C.
(ORG.) De labirintos e outros Borges.
Buenos Aires: Victoria Ocampo Ed. 2004.
COSTA, R. DA El humor em Borges. Madrid: Cátedra,
1999.
CUETO, S & GIORDANO, A. Borges y Bioy Casares ensayistas. Rosario: Ediciones Paradoxa,
1988.
HEIDEGGER,M. O
conceito de tempo. In Cadernos de Tradução 2 -USP, 1997.
MONEGAL, E. Borges: uma poética da leitura. São
Paulo: Perspectiva, 1980.
NASCIMENTO, L. Borges e outros Rabinos. Belo Horizonte:
Editora UFMG, 2009.
NUÑO, J. La filosofía de Borges. México, FCE,
1986.
PAGLIAI, L ET. AL. Borges y la ciencia. Buenos Aires: Eudeba, 2004.
REST,J. El laberinto del universo. Borges y el pensamiento
nominalista. Bs As: Librería Fausto,
1976.
ROJO, A. Borges e a mecânica quântica. Campinas:
Editora da Unicamp, 2014.
ROSA, N. El
arte del olvido y tres ensayos sobre mujeres. Rosario: Beatriz Viterbo
Editora, 2004.
_________ La
letra argentina. Buenos aires: Santiago Arcos Editor, 2003.
SARLO, B. Borges,
un escritor en las orillas. Buenos Aires: Ariel, 1998.
TORO, A. de & TORO, F. de El siglo de Borges. Vol. I.
Madrid: Iberoamericana , 1999.
_________________________ Jorge Luis Borges. Pensamiento y saber en el siglo XX. Madrid:
Iberoamericana , 1999.
TORO, A. de & REGAZZONI, S. El siglo de Borges. Vol. II.
Madrid: Iberoamericana , 1999.
VÁZQUEZ, Mª. E. Borges. Imágenes, memorias,
diálogos. Caracas: Monte Ávila, 1977.
[1] REST,J., El laberinto del
universo. Borges y el pensamiento nominalista, Buenos Aires, Librería
Fausto, 1976
[2] BARRENECHEA, A. Mª., La
expresión de la irrealidad en la obra de Borges, Buenos Aires, Paidós,
1967.
[3] ALAZRAKI, J., La
prosa narrativa de Jorge Luis Borges, Madrid, Gredos, 1968.
[4] NUÑO, J., La
filosofía de Borges, México, FCE, 1986.
[6]
BORGES,J.L. Obras Completas. Vol. I, p. 280-1. BsAs: Emece
Editores, 2000.
[7]
BORGES,J.L. Obras Completas. Vol. I, p. 437. BsAs: Emece
Editores, 2000.
[8]
BORGES,J.L. Obras Completas. Vol. II, p. 135. BsAs: Emece Editores,
2000.
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