segunda-feira, 24 de agosto de 2026
A criação do curso de psicologia no Brasil
A formação universitária em Psicologia tem uma trajetória marcada por avanços e interrupções, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. A primeira tentativa oficial de criar um curso superior de Psicologia no Brasil ocorreu em 1932, quando o governo provisório de Getúlio Vargas instituiu o Instituto de Psicologia, vinculado ao Ministério da Educação e Saúde. O curso tinha duração de quatro anos e previa disciplinas voltadas para a aplicação da psicologia na educação, medicina e direito. Contudo, o Instituto foi extinto após apenas sete meses de funcionamento, devido a pressões políticas e falta de estrutura, o que adiou a consolidação da formação de psicólogos no país.
Somente em 1953, a Universidade de São Paulo (USP) criou o primeiro curso universitário de Psicologia, estruturado de forma contínua e com base científica. Esse marco representou a institucionalização da formação acadêmica de psicólogos no Brasil. Poucos anos depois, em 1958, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) também inaugurou sua graduação em Psicologia, ampliando a oferta de formação superior na área. A profissão foi oficialmente regulamentada em 1962, com a promulgação da Lei nº 4.119, que definiu as funções do psicólogo e estabeleceu a exigência de formação universitária para o exercício profissional. A partir desse momento, diversas universidades brasileiras passaram a criar cursos de Psicologia, consolidando a disciplina como campo científico e profissional.
No contexto internacional, a psicologia já havia se estabelecido como disciplina acadêmica desde o século XIX. Em 1879, Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório de Psicologia Experimental na Universidade de Leipzig, Alemanha, considerado o marco inicial da psicologia como ciência autônoma. Nos Estados Unidos, William James e outros pioneiros consolidaram cursos e laboratórios de psicologia em universidades como Harvard, ainda no final do século XIX. Esses movimentos internacionais influenciaram diretamente o desenvolvimento da psicologia no Brasil, embora o processo tenha sido mais tardio e marcado por disputas institucionais.
Portanto, pode-se afirmar que a primeira vez que uma universidade abriu o curso de Psicologia e formou psicólogos, no Brasil, foi em 1953 na USP, seguida pela PUC-Rio em 1958, com a regulamentação oficial da profissão em 1962. Internacionalmente, esse processo remonta ao final do século XIX, com destaque para o laboratório de Wundt em Leipzig. A trajetória evidencia que a psicologia, como ciência e profissão, nasceu em diálogo constante com a filosofia e com outras áreas do conhecimento, mas conquistou autonomia institucional ao longo do século XX.
Referências
ANTUNES, Mitsuko Aparecida Makino. História da Psicologia no Brasil: da época colonial até 1934. São Paulo: Educ, 1999.
BUNGE, Mario. La investigación científica. Barcelona: Ariel, 1980.
CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.
POLITZER, Georges. Crítica dos fundamentos da psicologia. Lisboa: Presença, 1974.
WUNDT, Wilhelm. Principles of Physiological Psychology. Leipzig: Engelmann, 1874.
BRASIL. Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962. Dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. Diário Oficial da União, Brasília, 1962.
PUC-Rio. Histórico do curso de Psicologia. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2020.
USP. Instituto de Psicologia: memória institucional. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015.
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