sábado, 30 de setembro de 2023
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
domingo, 27 de agosto de 2023
Por onde começar a ler Freud? Quais são os textos iniciais para entender a psicanálise?
Por onde começar? Essa é uma pergunta que a gente se faz quando pretende estudar a psicanálise. Por onde começar quando entramos numa biblioteca e vemos centenas, milhares, de livros? Quando decidimos nos dedicar a uma teoria, a uma disciplina ou a uma ciência?
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sábado, 26 de agosto de 2023
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
terça-feira, 22 de agosto de 2023
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
O amor como experiência maltratada
O amor como experiência maltratada
Parece se ouvir um discurso que coloca o amor, o encontro
com o outro, o encontro gratuito com o outro, como algo da ordem da mera
ilusão. Só os iludidos amam. Às vezes o amor também aparece como algo sem
sentido, como impossível. É provável que seja isso mesmo, que o amor precise de
ilusão, do sem sentido, do impossível para se viver como uma experiência de
(des)encontro erótico. Mas não porque o oposto ao amor seja da ordem do
desiludido, da seriedade, do realista que realmente deveria guiar o sentido das
nossas vidas. Senão porque sustentar o dom, a gratuidade de amar exige uma
posição de um sujeito aberto à contingência, ao inesperado, ao improvável.
Alguém com a coragem do não poder (fálico) de estar na posição de viver em
falta, na incompletude, sem o álibi da ilusão de “eu me amo a mim mesmo e isso
é suficiente”. Todos sabemos que o encerramento narcísico tem um limite. O
narcisismo é constitutivo de nós mesmo, até um certo ponto, até o limite da
falta que aparece no momento do silêncio que se atravessa entre aquilo que
seria o corpo e a imagem do espelho. No encontro gratuito de amor com o outro
não se encontra a complementariedade, não se trata, apenas, de um trabalho em
equipe, aí aparece a diferença que nos habita.
Daniel Omar Perez
27/01/2022
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
O que dois anos de pandemia (até agora) deixaram?
O que dois anos de pandemia (até agora) deixaram?
No ano de 2020 fomos tomados por algo que não conhecíamos,
não sabíamos, não tínhamos ideia de como seria. O Covid19 parecia algo
longínquo, algo que acontecia na China, longe de casa. Depois foi a hora da
Itália e ficamos surpresos com tantas mortes, mas mesmo assim parecia algo que
não nos atingiria. Depois se espalhou por toda Europa e EUA até que rapidamente
chegou no Brasil. Mesmo assim, a população foi se dividindo em duas partes,
aqueles que olhavam, ficavam atentos, agiam com precaução diante de um fenômeno
de uma doença desconhecida e outros que preferiam ignorar ou, diretamente,
negar. Na medida em que a doença iria tomando conta dos corpos e das vidas mais
próximas nossas reações se apresentaram na forma de angústia, tristeza ou
negação. Nesses casos a negação da realidade é um modo de não ter que lidar com
as frustrações, as insatisfações e as angústias, as tristezas, as perdas e os
desamparos. A pandemia catalisou afetos, sentimentos e emoções, nos mostrou que
não há indivíduos isolados senão comunidades desde onde podemos experimentar a
singularidade de sujeitos que se relacionam afetivamente com outros.
***
As perdas, de emprego, de poupança, de amigos e amigas ou
familiares, de projetos e ilusões nos colocaram diante de um processo de luto
que, se elaborado, nos conduz a outros modos de lidar com as coisas, com os
outros e com nós mesmos. A elaboração dessa posição em cada caso depende de
revisar nossos desejos e interdições, nossas inibições e fantasias.
***
A pandemia nos deixou milhares de mortos na nossa memória,
sequelas no corpo, revelou saídas desesperadas de indivíduos que insistem em
negar o Real como se tivessem o poder (fálico) de se impor com a vontade da sua
ignorância. Em nome da liberdade tem ainda quem reivindica o “direito” de
contagiar os outros com uma doença grave. Mas também estamos em condições de
encontrar nossa singularidade na coletividade.
Daniel Omar Perez,
26/01/2022.
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
XX Colóquio Kant
09h:30
– Cerimônia de Abertura (Virtual)
Dr.
Daniel Perez
(IFCH/UNICAMP)
Presidente da Seção de Campinas da Sociedade Kant Brasileira
Dr.
Márcio Damin (IFCH/UNICAMP)
Coordenador
da Graduação
10h:00
– Painel Temático I (Abertura) (Virtual)
10h:00 – Dra. Silvia
De Bianchi (Università degli Studi di Milano)
Understanding the World through the “Übergang”: Kant
on the Foundations of the Sciences
11h:00 – Dra.
Ina Goy (Beijing Normal University)
On biodiversity heritage – Kant, Darwin, Gray
Mediador/Debatedor: Luhan
Galvão Alves (UNICAMP)
12h:30
– Intervalo (Almoço)
14h:00 – Conferência I (Auditório
Fausto Castilho)
Dra. Luciana Martínez (CONICET)
Kant e
a Geometria
Debatedores: Dr. Daniel Perez (UNICAMP); Dr. Luis A. Canela
Morales (UNAM)
15h:00
– Conferência II (Auditório Fausto
Castilho)
Dr. Orlando Linhares
(Mackenzie)
Matéria,
espaço e movimento nos Primeiros Princípios Metafísicos da Foronomia
Debatedora: Dra. Luciana Martinez (CONICET)
16h:30
– Conferência III (Auditório Fausto
Castilho)
Kant e
o problema de Newton
Debatedor: Dr. Orlando Linhares (Mackenzie)
15 de setembro – 5ª feira
08h:00-10h:00
– Sessão de Comunicações I (Virtual)
Mediador: Dr. Luís Portela (UNIOESTE)
10h:00
– Painel Temático II
10h:00 – Dr. Fábio Carvalho (UFPE)
A
Abordagem Transcendental das Inferências Abdutivas no Processo de Investigação
Científica
11h:00 – Dr. Luís Souza (UFPA)
Kant e
o conceito puro e aplicado das ciências formais e empíricas: o problema da
lógica pura e aplicada
Debatedor: Dr. Daniel Perez (UNICAMP)
12h:30
– Intervalo (Almoço)
14h:00
– Conferência IV (Auditório Fausto
Castilho)
Dr. Osvaldo Pessoa Jr.
(USP)
Mente e Númeno: Kant, Clifford e os atuais estudos
científicos
Debatedores: Dra. Luciana Martínez (CONICET); Dr. Fábio
Carvalho (UFPE)
15h:00
– Conferência V (Auditório Fausto
Castilho)
Dr. Zeljko Loparic (PUC-SP/UNICAMP)
Kant e
a Ciência do Homem
Debatedora: Dra. Suze Piza (UFABC)
16 de setembro – 6ª feira
08h:00-10h:00 – Sessão de Comunicações (Virtual)
Mediador:
Dr. Luís Souza (UFPA)
10h:00 – Painel Temático III
10h:00
– Dr. Marcos Seneda (UFU)
Sobreposições metateóricas do espaço em
Kant, Leibniz e Newton
11h:00 – Dr. Luis Morales (UNAM,
México)
Sobre
la adquisición de los conceptos matemáticos. Kant y el problema del álgebra
Debatedor:
Dr. Fábio Scherer (UEL)
12h:30 – Intervalo (Almoço)
14h:00 – Conferência VI (Auditório Fausto
Castilho)
A natureza da filosofia transcendental
(ontologia) enquanto a primeira ciência da metafísica da natureza
Debatedor:
Dr. Daniel Perez (UEL)
15h:00 – Sessão Plenária I (Auditório Fausto
Castilho)
15h:00 – Dr. Rafael Garcia (UNICAMP)
O 'conflito das faculdades' no século
XX: A renovação kantiana da Escola de Marburgo
16h:00 – Dr. Lucas Amaral (PUC-SP)
Similitudes
e diferenças entre as filosofias de Kant e Cassirer: observações sobre o método
e o Faktum da ciência
Debatedor: Dr. Adriano Mergulhão (IFSP
– Campus Catanduva)
17h:00 – Mesa em Homenagem aos 20 anos do
Colóquio Kant
Dr. Joãosinho
Beckenkamp (UFMG); Dr. Zeljko Loparic (PUC-SP/UNICAMP); Dr. Daniel Perez
(UNICAMP); Dr. Fábio César Scherer (UEL); Dr. Orlando Linhares (Mackenzie)
18h:00 – Sessão Plenária II (Virtual)
18h:00
– Dr. Fábio Scherer (UEL)
Método dos “Prolegômenos” na
investigação das ciências teóricas da razão
19h:00
– Dr. Ubirajara Marques (UNESP)
Sulzer, Tetens e Kant a propósito de
“préformation générale”, “Epigenesis durch Evolution” e “generische
Präformation”
Debatedora:
Dra. Natalia Lerussi (UBA)
Local do Evento
Auditório Fausto Castilho –
IFCH/UNICAMP
Rua Cora Coralina, 100, Cidade
Universitária Zeferino Vaz
Campinas - São Paulo - Brasil - CEP
13083-896
Transmissão
Canais do IFCH-UNICAMP (Youtube, Facebook,
Twitter)
Comissão Organizadora
Daniel Omar Perez (UNICAMP)
Luhan Galvão Alves (UNICAMP; IFMT)
Luis Cesar Yanzer Portela
(UNIOESTE-Campus Toledo)
Zeljko Loparic (PUC-SP; UNICAMP)
Comissão Científica
Eduardo Salles de Oliveira Barra (UFPR)
Fábio Tenório de Carvalho (UFPE)
Orlando Linhares (Mackenzie)
Marcos César Seneda (UFU)
Oswaldo Frota Pessoa Jr. (USP)
Ubirajara Rancan de Azevedo Marques
(UNESP)
Parceria & Apoio
Seção de Campinas da Sociedade Kant
Brasileira (SKB)
Kant e-Prints – Revista Internacional
de Filosofia
GT Criticismo e Semântica (ANPOF)
Realização & Promoção
Secretaria de Eventos (IFCH/UNICAMP)
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Centro de Lógica, Epistemologia e
História da Ciência (CLE/UNICAMP)
Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES)
terça-feira, 8 de agosto de 2023
Trabalho clínico didático autismo
Aquelas pessoas que chegam até nós nomeadas sob o significante do autismo, em geral, tem dificuldades para estabelecer um laço social que lhes permita usufruir individual e socialmente daquilo que a sociedade, num tempo determinado, coloca como objetos de satisfação seja do ponto de vista das metas alcançadas, seja do ponto de vista das propriedades. Esta situação faz com que os outros sujeitos da sociedade e mesmo as instituições exerçam voluntaria ou involuntariamente mecanismos de exclusão em relação com aqueles. Assim sendo, nomeados como autistas e excluídos como indivíduos, vivenciam um mal-estar, um sofrimento, uma dor que não faz senão reproduzir e aprofundar a situação na qual foram nomeados sob o significante do autismo.
As dificuldades em estabelecer o laço social tem como
consequências o impedimento leve, moderado ou grave de vivenciar experiências
cognitivas, estéticas ou morais que incluam tanto o outro como diferente,
quanto a alteridade, a contingência e o acaso. Todas essas experiências
constituem o que denominamos de autonomia relativa. Podemos entender as
condutas de cada experiência como um procedimento mecânico ou como o resultado
de um reconhecimento do contexto e uma atitude pragmática e polissêmica. De
acordo com o entendimento dos estudos de lógica contemporânea até os teoremas
matemáticos precisam de uma compreensão pragmática para elucidar seu sentido.
Isto significa que não há sentido literal e unívoco senão um contexto mais ou
menos aberto para dar sentido.
Nossa hipótese é que as condições de possibilidade de
abertura de sentido dependem do modo em que podemos lidar com o outro e a
contingência. Isto é, com o laço social.
Por isso, antes e concomitantemente com o trabalho
didático-pedagógico devemos trabalhar na
constituição do laço social. A constituição do laço social é um trabalho
clínico individual e grupal, específico de cada área e transdisciplinar.
O laço social não é outra coisa que uma economia dos corpos
e da relação entre corpos e objetos perdidos.
Para que o sujeito possa estabelecer o laço social há um
conjunto de elementos que devem ser estabelecidos.
O corpo imaginário
O reconhecimento do outro e do Outro
Para isso propomos uma série de jogos entendidos como
atividades lúdicas que supõem sujeitos que usufruem da atividade e ao mesmo
tempo estão em relação com algo que não é o próprio corpo.
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
Rosine Lefort e a clínica em torno da questão do autismo
Rosine
Lefort e a clínica em torno da questão do autismo
Daniel Omar Perez
No ano de 1953 Jaques Lacan (1901-1980) inaugura formal e explicitamente o que denominou de seu ensino que, passando por vários períodos e mudanças, durou até sua morte. Para a oportunidade, no seu primeiro seminário “Os escritos técnicos de Freud” Lacan convidou a Rosine Lefort (1920-2007) com o objetivo de falar da função imaginária do eu. Rosine era casada com Robert Lefort. Também médico psiquiatra e psicanalista. Ambos trabalharam desde cedo em psicanálise com crianças e foram fundadores da orientação lacaniana.
Na ocasião do seminário Rosine Lefort apresentou um
caso, uma criança de orfanato de três anos e nove meses. O diagnóstico era de
psicose, o trabalho foi desenvolvido durante um ano, interrompido pelo
nascimento do filho de Rosine Lefort, continuado por Robert Lefort e mais tarde
retomado por Rosine Lefort. Robert, a criança em questão, era filha de pai
desconhecido e sua mãe era diagnosticada de paranoia. Suas dificuldades não lhe
permitiam manter os cuidados fundamentais do filho a quem se esquecia de
alimentar. Assim, foi hospitalizado por desnutrição com 5 meses de idade. Teve
uma intervenção maxilar sem anestesia. Até o momento do encontro com Rosine
Lefort, o Robert tinha passado por 25 lugares de residência. Seus movimentos
eram pendulares, tinha dificuldades motoras, não lograva segurar os objetos com
facilidade, usava fraldas, não tinha coordenação na fala, os gritos eram
frequentes, igualmente que os sons guturais. As palavras que pronunciava eram
“madame” e “o lobo”.
domingo, 6 de agosto de 2023
Grupo de Investigações Psicanalíticas
Grupo de Investigações Psicanalíticas
Resultados esperados:
1.
Resultados de projetos de pesquisa individual e
coletiva em diferentes níveis (grad. Pós e pesquisa acad.)
2.
Eventos para intercâmbio de resultados
3.
Cursos e grupos de estudos para formação de
pesquisadores
4.
Publicações
5.
Atendimentos específicos.
Dos membros: fazem parte do (GIP) os coordenadores e os
colegas e estudantes que tenham um projeto de pesquisa aceito pelo (GIP) coordenação.
Dos colaboradores: serão considerados colaboradores os que
participarem regularmente dos grupos de pesquisa e cursos, se assim o
solicitarem.
Atividades:
1.
Grupos de estudo.
2.
Trabalho de extensão: 2.1. curso de introdução à
psicanálise; 2.2. Atendimento a pessoas e familiares com diagnóstico de autismo
e sofrimento psíquico.
3.
Projetos de pesquisa: 3.1. A constituição do
sujeito em relação com o significante “autismo”. 3.2. Identificações
individuais e Coletivas. 3.3. Saúde mental psicanálise. 3.4. Clínica pública e
psicanálise
O espectro de fenômenos que se nomeiam
sob a categoria de autismo é suficientemente amplo e variado ao ponto que
subsome casos extremamente divergentes. Também se apresentam desenvolvimentos de
diferentes propostas terapêuticas. Assim, encontramos desde situações pessoas
com dificuldades motrizes e cognitivas graves até indivíduos com vida social e
familiar. Com relação às experiências terapêuticas podem se constatar desde
situações com mínimo de mudança até situações de mudança radical. Tais pontos
de partida são muito variados quanto a capacidades, disposições e condições
circunstanciais de vida familiar e social.
Até o momento esse universo amplo não
tem um marcador biológico comum. Condutas autistas não identificadas em
mamíferos seria uma prova de inexistência de marcadores biológicos do autismo
em seres humanos. Também não há algoritmo para decidir a priori nem a favor nem
contra a possibilidade de um diagnóstico de autismo.
Assim sendo, entendemos que o autismo é um conceito geral
(espectro) com projetos terapêuticos particulares.
Sobre os elementos gerais dos tratamentos
Os Tratamentos levados adiante com
pessoas diagnosticadas de autismo se propões bem estar físico (acompanhamento
médico) e projeto terapêutico-pedagógico particular.
·
O bem estar físico elimina fatores que indispõem o
sujeito em relação com ele mesmo, com os objetos e com os outros.
·
O acolhimento da diferença na família e na
sociedade contribui para favorecer a abertura e o laço com o mundo externo, os
objetos e as pessoas.
·
O trabalho terapêutico não pode ser impositivo, nem
ficar na lógica do prêmio e do castigo. Deve ser lúdico com o objetivo de poder
reconhecer o corpo próprio, o mundo externo, a troca e a perda, o corpo do
outro semelhante. Isso é condição de possibilidade de autonomia relativa e laço
social.
Por
que autonomia relativa e laço social? Por que isso diminui o sofrimento do
diagnosticado. Dessa forma passamos do mal-estar ao mínimo de prazer em relação
com o outro, na forma de laço e não de autoerotismo como Gozo sem laço
(Freud-Lacan).
Não
existe critério a priori que permita decidir qual será o resultado do
tratamento. Pode haver condições favoráveis ou desfavoráveis, mas nenhuma
garante uma consequência necessária. Porém, é trivial dizer que em condições
favoráveis o mal-estar do diagnosticado diminui relativamente. Em condições
desfavoráveis tudo poderia ser pior.
O
trabalho terapêutico não pode ser padrão porque não há padrão nos casos. Deve
haver um projeto terapêutico específico. Isso não significa que o trabalho
sempre deve ser individual. Muito pelo contrário, o grupo favorece o laço.
Trata-se de ampliar o horizonte de
sentido, o contexto e não aperfeiçoar uma habilidade. Para isso se favorecem
atividades que propiciem
·
Imagem de um corpo unificado (Imaginário).
·
Inscrição do corpo no discurso (Simbólico).
·
Relação interior-exterior (eu-outro).
·
Pragmática da enunciação e dos enunciados (Significante).
·
Reconhecimento de códigos sociais e culturais
(imaginário).
·
Estratégias de socialização e recolhimento
(imaginário).
·
Trabalho de autoconsciência (reconhecimento do seu
corpo) e das limitações do outro semelhante. Castração própria e alheia. (Simbólico).
·
Criar as condições de possibilidade para favorecer
aquilo que é sintomático e fazer disso um saber-fazer.
Em
todos os casos trabalhar a partir daquilo que o diagnosticado traz (desde seu
sintoma: ecolalia, estereotipia, mania) e acolher isso como oferta para um
possível laço, sem esperar nunca a resposta “certa” de uma demanda histérica do
lado do terapeuta. A função de corte, de limite deve sempre ir junto com a
possibilidade de substituição. Passar do proibido/permitido ao
limite/substituição.
Sobre o grupo de trabalho
O
grupo de trabalho será composto por alunos e professores de diferentes áreas,
tais como: filosofia, linguística, psicologia, música, dança, educação física,
pedagogia, enfermagem e fonoaudiologia. O trabalho deve ser articulado em forma
de projeto terapêutico singular, não sendo compartimentalizado senão articulado
no diálogo entre os profissionais.
Deve-se
trabalhar supondo um sujeito capaz de fazer laço com os objetos e com os outros
e não uma anomalia específica ou disfunção a ser normatizada.
A
família deve ter acompanhamento terapêutico e orientação médica, terapêutica e
pedagógica.
Os
profissionais que trabalham em instituições com autistas não podem
trabalhar mais de 6 horas e devem ter acompanhamento terapêutico, capacitação
constante e encontros para articular as propostas de trabalho em cada caso.
A
tensão, o stress e o mal-estar da família e dos profissionais prejudica todo o
trabalho com o diagnosticado, por isso também deve existir um planejamento de
trabalho que diminua a tensão.
As
instituições de tratamento devem ter espaço para atividades lúdicas e
esportivas e, especificamente, ambiente natural onde caminhar e correr
livremente.
Os
exercícios físicos, os jogos com o corpo, a livre caminhada e corrida favorecem
o reconhecimento de um corpo próprio e a diminuição de tensão na infância e na
adolescência. A dança, o teatro, a piscina contribuem com a imagem corporal e a
psicomotricidade.
Deve-se
propiciar a “inclusão social” com atividades além da casa e da instituição de
tratamento. Não se trata simplesmente de “por” o sujeito no meio de qualquer
lugar, mas de fazer um lugar para ele em relação com algo outro fora da rotina:
Passeios, visitas a lugares de cultura e entretenimento, brincadeiras com
animais, etc.
Considerações sociais sobre o fenômeno do autismo
O
termo autismo tem produzido o efeito de invisibilização do sujeito ou o tem transformado
em mercadoria, o autista é excluído ou transformado em cliente (é objeto de
matéria jornalística, é cliente de médicos e terapeutas, cliente de “políticas
ou propostas inclusivas”). O mesmo fenômeno que permite “dar voz” e fazer
aparecer um individuo com diagnóstico invisibiliza o sujeito em questão é o
objetiva em mercadoria e cliente, inclui num sistema de produção e consumo. No
entanto, o autismo como fenômeno nos oferece a oportunidade de nos demorar com
relação a modos de ser, entre nós, dentro das sociedades urbanas de massas,
diferentes, não normatizados para a produção e o consumo a ritmo regular. Dar
lugar àquilo que se nomeia de autista,
oferece a oportunidade de refazer as exigências das nossas próprias
demandas em relação com o outro, na vida cotidiana e nas instituições.
Metodologia de trabalho
Trabalho lúdico-terapêutico-pedagógico,
de caráter transdisciplinar. O trabalho é direcionado para pessoas com
diagnóstico de autismo e a seus familiares.
Atividades diárias realizadas a partir
de um tema gerador, a ser escolhido conjuntamente a partir de uma primeira
experiência. O planejamento semanal, mensal e semestral deve ser realizado
coletivamente com os membros do grupo.
Uma vez por semana, encontro de todos
os profissionais para discussão de casos e propostas pedagógicas.
|
Atividade |
|
segunda-feira |
terça-feira |
quarta-feira |
quinta-feira |
sexta-feira |
|
pedagógica |
|
|||||
|
Terapêutica |
|
|||||
|
Lúdico-recreativa |
|