domingo, 27 de agosto de 2023

Por onde começar a ler Freud? Quais são os textos iniciais para entender a psicanálise?

 Por onde começar? Essa é uma pergunta que a gente se faz quando pretende estudar a psicanálise. Por onde começar quando entramos numa biblioteca e vemos centenas, milhares, de livros? Quando decidimos nos dedicar a uma teoria, a uma disciplina ou a uma ciência?

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https://www.institutoespe.com.br/post/lerfreud

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O amor como experiência maltratada

 

O amor como experiência maltratada

 

Parece se ouvir um discurso que coloca o amor, o encontro com o outro, o encontro gratuito com o outro, como algo da ordem da mera ilusão. Só os iludidos amam. Às vezes o amor também aparece como algo sem sentido, como impossível. É provável que seja isso mesmo, que o amor precise de ilusão, do sem sentido, do impossível para se viver como uma experiência de (des)encontro erótico. Mas não porque o oposto ao amor seja da ordem do desiludido, da seriedade, do realista que realmente deveria guiar o sentido das nossas vidas. Senão porque sustentar o dom, a gratuidade de amar exige uma posição de um sujeito aberto à contingência, ao inesperado, ao improvável. Alguém com a coragem do não poder (fálico) de estar na posição de viver em falta, na incompletude, sem o álibi da ilusão de “eu me amo a mim mesmo e isso é suficiente”. Todos sabemos que o encerramento narcísico tem um limite. O narcisismo é constitutivo de nós mesmo, até um certo ponto, até o limite da falta que aparece no momento do silêncio que se atravessa entre aquilo que seria o corpo e a imagem do espelho. No encontro gratuito de amor com o outro não se encontra a complementariedade, não se trata, apenas, de um trabalho em equipe, aí aparece a diferença que nos habita.

 

Daniel Omar Perez  27/01/2022

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

O que dois anos de pandemia (até agora) deixaram?

 

O que dois anos de pandemia (até agora) deixaram?

 

No ano de 2020 fomos tomados por algo que não conhecíamos, não sabíamos, não tínhamos ideia de como seria. O Covid19 parecia algo longínquo, algo que acontecia na China, longe de casa. Depois foi a hora da Itália e ficamos surpresos com tantas mortes, mas mesmo assim parecia algo que não nos atingiria. Depois se espalhou por toda Europa e EUA até que rapidamente chegou no Brasil. Mesmo assim, a população foi se dividindo em duas partes, aqueles que olhavam, ficavam atentos, agiam com precaução diante de um fenômeno de uma doença desconhecida e outros que preferiam ignorar ou, diretamente, negar. Na medida em que a doença iria tomando conta dos corpos e das vidas mais próximas nossas reações se apresentaram na forma de angústia, tristeza ou negação. Nesses casos a negação da realidade é um modo de não ter que lidar com as frustrações, as insatisfações e as angústias, as tristezas, as perdas e os desamparos. A pandemia catalisou afetos, sentimentos e emoções, nos mostrou que não há indivíduos isolados senão comunidades desde onde podemos experimentar a singularidade de sujeitos que se relacionam afetivamente com outros.

 

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As perdas, de emprego, de poupança, de amigos e amigas ou familiares, de projetos e ilusões nos colocaram diante de um processo de luto que, se elaborado, nos conduz a outros modos de lidar com as coisas, com os outros e com nós mesmos. A elaboração dessa posição em cada caso depende de revisar nossos desejos e interdições, nossas inibições e fantasias.

 

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A pandemia nos deixou milhares de mortos na nossa memória, sequelas no corpo, revelou saídas desesperadas de indivíduos que insistem em negar o Real como se tivessem o poder (fálico) de se impor com a vontade da sua ignorância. Em nome da liberdade tem ainda quem reivindica o “direito” de contagiar os outros com uma doença grave. Mas também estamos em condições de encontrar nossa singularidade na coletividade.

 

 

Daniel Omar Perez, 26/01/2022.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

XX Colóquio Kant

 

14 de setembro – 4ª feira

 

09h:30 – Cerimônia de Abertura (Virtual)

 

Dr. Daniel Perez (IFCH/UNICAMP)

Presidente da Seção de Campinas da Sociedade Kant Brasileira

 

Dr. Márcio Damin (IFCH/UNICAMP)

Coordenador da Graduação

 

10h:00 – Painel Temático I (Abertura) (Virtual)

 

10h:00 – Dra. Silvia De Bianchi (Università degli Studi di Milano)

Understanding the World through the “Übergang”: Kant on the Foundations of the Sciences

 

11h:00 – Dra. Ina Goy (Beijing Normal University)

On biodiversity heritage – Kant, Darwin, Gray

 

Mediador/Debatedor: Luhan Galvão Alves (UNICAMP)

 

12h:30 – Intervalo (Almoço)

 

14h:00 – Conferência I (Auditório Fausto Castilho)

 

Dra. Luciana Martínez (CONICET)

Kant e a Geometria

 

Debatedores: Dr. Daniel Perez (UNICAMP); Dr. Luis A. Canela Morales (UNAM)

 

15h:00 – Conferência II (Auditório Fausto Castilho)

 

Dr. Orlando Linhares (Mackenzie)

Matéria, espaço e movimento nos Primeiros Princípios Metafísicos da Foronomia

 

Debatedora: Dra. Luciana Martinez (CONICET)

 

16h:30 – Conferência III (Auditório Fausto Castilho)

 

Dr. Eduardo Barra (UFPR)

Kant e o problema de Newton

 

Debatedor: Dr. Orlando Linhares (Mackenzie)

 

 

 

 

 

 

15 de setembro – 5ª feira

 

08h:00-10h:00 – Sessão de Comunicações I (Virtual)

 

Mediador: Dr. Luís Portela (UNIOESTE)

 

10h:00 – Painel Temático II

 

10h:00 – Dr. Fábio Carvalho (UFPE)

A Abordagem Transcendental das Inferências Abdutivas no Processo de Investigação Científica

 

11h:00 – Dr. Luís Souza (UFPA)

Kant e o conceito puro e aplicado das ciências formais e empíricas: o problema da lógica pura e aplicada

 

Debatedor: Dr. Daniel Perez (UNICAMP)

 

12h:30 – Intervalo (Almoço)

 

14h:00 – Conferência IV (Auditório Fausto Castilho)

 

Dr. Osvaldo Pessoa Jr. (USP)

Mente e Númeno: Kant, Clifford e os atuais estudos científicos

 

Debatedores: Dra. Luciana Martínez (CONICET); Dr. Fábio Carvalho (UFPE)

 

15h:00 – Conferência V (Auditório Fausto Castilho)

 

Dr. Zeljko Loparic (PUC-SP/UNICAMP)

Kant e a Ciência do Homem

 

Debatedora: Dra. Suze Piza (UFABC)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16 de setembro – 6ª feira

 

08h:00-10h:00 – Sessão de Comunicações (Virtual)

 

Mediador: Dr. Luís Souza (UFPA)

 

10h:00 – Painel Temático III

 

10h:00 – Dr. Marcos Seneda (UFU)

Sobreposições metateóricas do espaço em Kant, Leibniz e Newton

 

11h:00 – Dr. Luis Morales (UNAM, México)

Sobre la adquisición de los conceptos matemáticos. Kant y el problema del álgebra

 

Debatedor: Dr. Fábio Scherer (UEL)

 

12h:30 – Intervalo (Almoço)

 

14h:00 – Conferência VI (Auditório Fausto Castilho)

 

Dr. Luis Portela (UNIOESTE)

A natureza da filosofia transcendental (ontologia) enquanto a primeira ciência da metafísica da natureza

 

Debatedor: Dr. Daniel Perez (UEL)

 

15h:00 – Sessão Plenária I (Auditório Fausto Castilho)

 

15h:00 – Dr. Rafael Garcia (UNICAMP)

O 'conflito das faculdades' no século XX: A renovação kantiana da Escola de Marburgo

 

16h:00 – Dr. Lucas Amaral (PUC-SP)

Similitudes e diferenças entre as filosofias de Kant e Cassirer: observações sobre o método e o Faktum da ciência

 

Debatedor: Dr. Adriano Mergulhão (IFSP – Campus Catanduva)

 

17h:00 – Mesa em Homenagem aos 20 anos do Colóquio Kant

 

Dr. Joãosinho Beckenkamp (UFMG); Dr. Zeljko Loparic (PUC-SP/UNICAMP); Dr. Daniel Perez (UNICAMP); Dr. Fábio César Scherer (UEL); Dr. Orlando Linhares (Mackenzie)

 

18h:00 – Sessão Plenária II (Virtual)

 

18h:00 – Dr. Fábio Scherer (UEL)

Método dos “Prolegômenos” na investigação das ciências teóricas da razão

 

19h:00 – Dr. Ubirajara Marques (UNESP)

Sulzer, Tetens e Kant a propósito de “préformation générale”, “Epigenesis durch Evolution” e “generische Präformation”

 

Debatedora: Dra. Natalia Lerussi (UBA)


Local do Evento

Auditório Fausto Castilho – IFCH/UNICAMP

Rua Cora Coralina, 100, Cidade Universitária Zeferino Vaz

Campinas - São Paulo - Brasil - CEP 13083-896

 

 

Transmissão

Canais do IFCH-UNICAMP (Youtube, Facebook, Twitter)

 

 

Comissão Organizadora

Daniel Omar Perez (UNICAMP)

Fábio César Scherer (UEL)

Luhan Galvão Alves (UNICAMP; IFMT)

Luis Cesar Yanzer Portela (UNIOESTE-Campus Toledo)

Zeljko Loparic (PUC-SP; UNICAMP)

 

 

Comissão Científica

Eduardo Salles de Oliveira Barra (UFPR)

Fábio Tenório de Carvalho (UFPE)

Joãosinho Beckenkamp (UFMG)

Orlando Linhares (Mackenzie)

Marcos César Seneda (UFU)

Oswaldo Frota Pessoa Jr. (USP)

Rafael Garcia (UNICAMP)

Ubirajara Rancan de Azevedo Marques (UNESP)

 

 

Parceria & Apoio

Seção de Campinas da Sociedade Kant Brasileira (SKB)

Kant e-Prints – Revista Internacional de Filosofia

GT Criticismo e Semântica (ANPOF)

 

 

Realização & Promoção

Secretaria de Eventos (IFCH/UNICAMP)

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE/UNICAMP)

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Trabalho clínico didático autismo

Aquelas pessoas que chegam até nós nomeadas sob o significante do autismo, em geral, tem dificuldades para estabelecer um laço social que lhes permita usufruir individual e socialmente daquilo que a sociedade, num tempo determinado, coloca como objetos de satisfação seja do ponto de vista das metas alcançadas, seja do ponto de vista das propriedades. Esta situação faz com que os outros sujeitos da sociedade e mesmo as instituições exerçam voluntaria ou involuntariamente mecanismos de exclusão em relação com aqueles. Assim sendo, nomeados como autistas e excluídos como indivíduos, vivenciam um mal-estar, um sofrimento, uma dor que não faz senão reproduzir e aprofundar a situação na qual foram nomeados sob o significante do autismo.

As dificuldades em estabelecer o laço social tem como consequências o impedimento leve, moderado ou grave de vivenciar experiências cognitivas, estéticas ou morais que incluam tanto o outro como diferente, quanto a alteridade, a contingência e o acaso. Todas essas experiências constituem o que denominamos de autonomia relativa. Podemos entender as condutas de cada experiência como um procedimento mecânico ou como o resultado de um reconhecimento do contexto e uma atitude pragmática e polissêmica. De acordo com o entendimento dos estudos de lógica contemporânea até os teoremas matemáticos precisam de uma compreensão pragmática para elucidar seu sentido. Isto significa que não há sentido literal e unívoco senão um contexto mais ou menos aberto para dar sentido.

Nossa hipótese é que as condições de possibilidade de abertura de sentido dependem do modo em que podemos lidar com o outro e a contingência. Isto é, com o laço social.

Por isso, antes e concomitantemente com o trabalho didático-pedagógico devemos trabalhar na  constituição do laço social. A constituição do laço social é um trabalho clínico individual e grupal, específico de cada área e transdisciplinar.

 

O laço social não é outra coisa que uma economia dos corpos e da relação entre corpos e objetos perdidos.

 

Para que o sujeito possa estabelecer o laço social há um conjunto de elementos que devem ser estabelecidos.

O corpo imaginário

O reconhecimento do outro e do Outro

 

Para isso propomos uma série de jogos entendidos como atividades lúdicas que supõem sujeitos que usufruem da atividade e ao mesmo tempo estão em relação com algo que não é o próprio corpo.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Rosine Lefort e a clínica em torno da questão do autismo

 

Rosine Lefort e a clínica em torno da questão do autismo

 

Daniel Omar Perez

No ano de 1953 Jaques Lacan (1901-1980) inaugura formal e explicitamente o que denominou de seu ensino que, passando por vários períodos e mudanças, durou até sua morte. Para a oportunidade, no seu primeiro seminário “Os escritos técnicos de Freud” Lacan convidou a Rosine Lefort (1920-2007) com o objetivo de falar da função imaginária do eu. Rosine era casada com Robert Lefort. Também médico psiquiatra e psicanalista. Ambos trabalharam desde cedo em psicanálise com crianças e foram fundadores da orientação lacaniana.

Na ocasião do seminário Rosine Lefort apresentou um caso, uma criança de orfanato de três anos e nove meses. O diagnóstico era de psicose, o trabalho foi desenvolvido durante um ano, interrompido pelo nascimento do filho de Rosine Lefort, continuado por Robert Lefort e mais tarde retomado por Rosine Lefort. Robert, a criança em questão, era filha de pai desconhecido e sua mãe era diagnosticada de paranoia. Suas dificuldades não lhe permitiam manter os cuidados fundamentais do filho a quem se esquecia de alimentar. Assim, foi hospitalizado por desnutrição com 5 meses de idade. Teve uma intervenção maxilar sem anestesia. Até o momento do encontro com Rosine Lefort, o Robert tinha passado por 25 lugares de residência. Seus movimentos eram pendulares, tinha dificuldades motoras, não lograva segurar os objetos com facilidade, usava fraldas, não tinha coordenação na fala, os gritos eram frequentes, igualmente que os sons guturais. As palavras que pronunciava eram “madame” e “o lobo”.