domingo, 12 de novembro de 2017

O discurso capitalista e a época da técnica

Para o curso sobre contradição, negação e oposição.

O discurso capitalista e a época da técnica

O discurso capitalista e a época da técnica entre Lacan e Heidegger são totalmente diferentes, mas falam em torno de algo Real que incide nos corpos e na linguagem buscando anular a possibilidade daquilo que se nomeia como sujeito ou da-sein, daquilo que aparece como não sendo meramente objeto.
O discurso capitalista quer mostrar a posição de um sujeito vinculado a um saber fazer que não faz laço e estaria em relação direta com objetos de consumo. Isso impede a possibilidade de um sujeito da falta que lide com o outro enquanto sujeito e com o objeto enquanto “(a)”, isto é, excesso e/ou defeito. O sujeito (da falta) do desejo se dissolve no gozo repetitivo que produz e se reproduz em objetos de consumo.
A técnica na sua realização põe o homem como disponível em seu funcionamento. A possibilidade de ser-ai, de da-sein, de morar entre o ontico e o ontológico, de estar aberto para aquilo que ainda não é, para aquilo que não é esperado dentro do planejamento e o cálculo, é bloqueada pela produção e reprodução da técnica: tudo é resultado de uma técnica, o fenômeno natural e a produção cultural.
Não é uma questão de escolha, mas de aparecimento. Optar por não participar é já uma forma de funcionar dentro do mecanismo como aquele que oferece outra opção de consumo ou de método de aparecimento e é imediatamente integrado no sistema. Se transforma em mais uma opção ou em um produto da técnica.
O discurso capitalista e a época da técnica falam dos modos em que nos encontramos na atualidade obturados diante da diferença e ao mesmo tempo, na medida em que são enunciados de alguma maneira, mostram que a fenda, o gap, a falha, a falta, o aberto ainda insiste e produz efeitos de linguagem onde algo como um sujeito ou um da-sein fala e evoca algo que não é apenas objeto de consumo e técnica. Porém, também podemos pensar que o discurso capitalista e a técnica contem em seu interior o discurso que os revela e são, portanto, inofensivos porque incluídos no mecanismo de funcionamento.
Junger se interroga acerca de se depois da segunda guerra mundial o Leviatão deixa algo sem observar. Ele considerava que o mundo estava totalmente tomado pelo poder do Leviatão. Mas ainda assim propõe três acontecimentos que poderiam estar fora do alcance do poder global que tudo o regula. Esses três acontecimentos são: o amor, a amizade e o vinho. Talvez, em alguma medida, algumas experiências de corpos e linguagens nomeadas com essas três palavras, por alguns instantes se mostrem na sua singularidade, antes de ser capturadas pelos mecanismos do gozo e da técnica. Talvez possamos encontrar outros eventos que em certa medida e tempo apareçam fora do gozo mortífero e da técnica automática que dissolvem a diferença. Proponho que um deles seja o ato de dizer a verdade. Falar a verdade pode ser um verdadeiro ato. A enunciação da verdade pode ser por algum momento uma irrupção que abre a possibilidade de que a diferença possa vir a aparecer e algo seja transformado. Se partirmos da falta ou do nada como aquilo que permite que algo apareça é necessariamente lógico que não possa sempre se dizer toda a verdade. Se há falha ou abertura sempre há algo que resta daquilo que é dito, algo não dito próprio da possibilidade do dizer. Falar a verdade, não toda, é a diferença em relação com o capital e a reprodução técnica na medida em que é inútil e irruptiva para um discurso calculado e produtivo.

E que seria falar a verdade? Em nossos termos, a partir dos elementos que fomos tentando articular em torno da diferença nos arriscamos a uma formulação.

Dizer a verdade é o ato enunciativo onde o sujeito aparece exposto á própria falta, isto é, ao próprio desejo (não ao desejo supostamente dele, não há propriedade privada do desejo ou da falta, senão exposto á falta ela mesma em relação com a qual o sujeito aparece enquanto sujeito da falta que “emerge” (?, a falta de uma palavra melhor) da fala enquanto verdadeira).


Assim, dizer a verdade é um verdadeiro ato político de consequências não mensuráveis e sem causa apropriada e razoável, é um evento gratuito (mas não mágico), uma doação que abre novas possibilidades de troca. Trata-se de um evento que poderia não ser. Dizemos político na medida em que entendemos esta noção como sendo aquilo que nomeia o campo fundamental de oposições entre agentes excludentes. 

A vontade como ilusão e a contingência como liberdade

Em algum lugar Marx explica que o sistema capitalista não só submete ao proletário senão que também o próprio burguês fica preso do mecanismo que o sustenta. Ele não seria "livre" senão que rigorosamente cumpriria uma função já determinada na qual não pode escolher volitivamente.

Algo análogo aconteceria em outros casos.

O racismo, a xenofobia, a homofobia, o machismo, o sujeito inconformadamente bem comportado e todas as formas de redução do outro diferente a mero resíduo eu as entendo como as formas que alguns sujeitos têm de expulsar aquilo que é intolerável e sem possibilidade de ser nomeado em si mesmo.
Assim, se faz uma caricatura do outro estranho, alheio que é usada como depositária daquilo que não tem como ser acolhido e elaborado no espaço onde ele se reconhece enquanto tal. 
Dessa forma, o outro excluído do âmbito das relações identitárias é resíduo, excremento, algo que não cabe nas relações de troca entre indivíduos identificados como semelhantes. 

O “negro” para aquele jornalista é alguém que faz o que ele não pode fazer, ele deve se comportar, mas o “negro” não se comporta, não se submete á obediência das regras, faz o que ele bem entende, buzina, faz aquilo que ele não pode fazer e como isso é intolerável é tratado como residual. O “negro” não é alguém específico, é apenas uma construção imaginária, mas para que funcione ele deve encontrar indivíduos concretos em quem colocar sua caricatura e dessa forma dar lugar àquilo que não tem lugar em seu sistema de reconhecimento. O jornalista não tem possibilidade de tratar com isso que o perturba nem em ele nem no outro. Por isso, o outro não pode ter estatuto de sujeito, alguém com direito e liberdade, “o negro”, “o estrangeiro”, “a mulher”, “o judeu”, “o árabe” etc. não existem, mas precisam ser construídos narrativamente no lugar do excluído para ele (o jornalista) poder seguir obedecendo e sendo bem comportado. 
Assim, o bem comportado forçadamente comportado em vez de lidar com sua situação desconfortável de obediência que o incomoda expulsa isso e o identifica no outro como residual. Isso tem consequências sociais e políticas: fomenta uma sociedade excludente onde a diferença não tem lugar a não ser como excremento, como algo com o qual nada pode se fazer, como objeto a ser descartado no banheiro ou na marginalidade. Isso também favorece o genocídio e o extermínio. Torna suportável o assassinato em massa.
De acordo com o ibge, em 2016 no Brasil a cada 23 minutos um “negro” morre violentamente, é assassinado por diferentes motivos. Se “o negro” fosse identificado como semelhante, reconhecido nos traços do seu rosto e sujeito de uma história pessoal, isso já seria nomeado como genocídio. Mas não é porque cada um deles se apaga no mecanismo da generalização e da caricatura. Não tem como alcançarmos como sociedade esse número de assassinados que aumenta a cada ano sem um sistema que funcione  eficazmente e sem a necessidade de uma vontade consciente que opere com essa intenção. O racismo está tão bem instalado que não precisa de uma pessoa física que conscientemente mande e planeje. O sistema funciona automaticamente porque é alimentado pela estrutura do discurso e os mecanismos de exclusão. Esse sistema é fortalecido pelos gestos fascistas da vida cotidiana, do dia a dia, daquilo que é natural que aconteça para nós. 

O problema não está nas palavras, mas no lugar desde onde o sujeito da enunciação fala.  O problema não é fazer um chiste senão o lugar desde onde o sujeito da enunciação faz o chiste. Lugar discursivo e institucional. Uma coisa é fazer um chiste de argentino, judeu ou negro e rir junto com ele. Outra coisa é se utilizar do chiste para rir do outro tratando o outro como objeto residual. Essa situação não ofende apenas “o negro”, “o judeu” ou “o estrangeiro” mas á comunidade em sua comum unidade, em sua comum união, em sua comunhão como lugar de acolhimento daquilo que é diferente, do que não é Eu.
O racismo do jornalista em questão não está no enunciado, mas na enunciação.  Ele fala isso rindo do outro sem o outro, num lugar institucional que não é nem indiferente nem carente de poder real no horizonte de sentido onde se produz sentido comum.


O racismo, a xenofobia, a homofobia, o machismo, o sujeito inconformadamente bem comportado e todas as formas de redução do outro diferente a mero resíduo não são apenas ofensas pessoais, são elementos corrosivos da possibilidade da emergência de algo como o efeito de um sujeito de desejo. Sua execução procura a anulação do outro enquanto sujeito, busca anular a própria possibilidade do efeito de sujeito e fortalece o efeito de massa na qual aparecem não só a “vitima” senão também o “carrasco”.

Iguais e diferentes

Fonte confiável me contou que o Facebook vai mudar. Pelo que entendi vão se privilegiar os grupos e vai diminuir a troca de indivíduo para indivíduo. Uma espécie de reatualização do orkut.
Pode ser que eu tenha entendido mal, mas parece que é isso.

O reforço da troca entre membros de grupos identitários evitaria os confrontos com pessoas diferentes de nós que acabam em discurso de ódio e insultos.

Penso que isso não é uma solução senão um estímulo à segregação e contribui ao desconhecimento do outro.

Quando os grupos identitários não conseguem lidar com o diferente como alteridade e só reconhecem o excluído como residual tendem a ter atitudes, gestos e atos fascistas. Evitar o encontro real com o outro é um modo de preservar imaginariamente o ódio do diferente.

A circulação e o encontro real no espaço público, com pessoas que não respondem ao padrão da nossa própria imagem física ou discursiva, propicia a possibilidade de ter que lidar com a diferença.

Por que alguém deveria lidar com a diferença e não se recluir entre os iguais? Essa pergunta cada um responde.

A repetição do mesmo e a inscrição do fenômeno

A repetição do mesmo e a inscrição do fenômeno

Do mesmo modo que nunca me perguntei como é que tenho costas ou joelho, também nunca achei que poderia ser uma pergunta o fato de eu ser torcedor de Rosario Central. Várias vezes pensei nisso, mas nunca me pareceu algo sobre o qual caberia uma pergunta. Tem alienações tão consolidadas de coisas tão insolitamente estúpidas aos olhos de qualquer um que parecem absolutamente naturais para nós. Achamos estranho, feio ou errado que o outro não compartilhe a mesma situação de alienação. Ás vezes consideramos a situação anormal ou doentia.
Ser torcedor de futebol é uma situação que traz não só prazer ou alegria senão geralmente excitação, nervosismo, angustia e sofrimento e mesmo assim repetimos a cena inúmeras vezes.
Podemos dizer que é o futebol que nos faz vivenciar isso, mas também podemos pensar que é essa situação sensitiva que se justifica (precariamente) no relato do futebol, e desse modo, aparece mais ou menos tolerável na sociedade que vivemos.


Essa hipótese poderia se estender e poderíamos pensar que as excitações prazerosas ou desagradáveis encontram justificativa em essas narrativas: esportivas, estéticas, políticas, acadêmicas etc. Se aceitarmos a hipótese podemos pensar que há um jogo de afetividades que são vivenciadas como positivas ou negativas quando articuladas com a linguagem em narrativas imaginárias e inscritas simbolicamente produzindo um efeito de sujeito que goza de alguma forma. Vou explicar um pouco melhor.

Quando o gozo (estado de excitação e desgaste no real da carne) no real do corpo não se articula numa narrativa (num relato sobre a realidade circundante ou fantasiada) e não se inscreve simbolicamente (com elementos significantes que ordenem a estrutura do discurso) o real do corpo se goza na repetição do mesmo mecanismo sem sentido até se esgotar. Pensamos que o gozo deve se inscrever para encontrar sentido e um possível corte, interrompendo o caminho ao esgotamento final.

Aqui apontamos duas coisas: uma hipótese acerca da estrutura de funcionamento da repetição e um encaminhamento.
(1) agentes de trabalho na instituição mostram casos onde aquilo que se repete no fenômeno não é aleatório senão que tem sua base num acontecimento vivido pelo sujeito e marcado pelo gozo. (Isso implica que o alguma inscrição houve e um efeito de sujeito apareceu e continua aparecendo como alienação)
(2) todos os agentes  da instituição trabalham a partir do fenômeno e não contra ele dos seguintes modos: inscrevendo o fenômeno em outro horizonte de sentido, rearticulando seus elementos, substituindo os elementos, procurando passar do individual para o coletivo fazendo laço com o outro semelhante e o Outro enquanto horizonte de sentido, em vez de apenas treinar movimentos pautados socialmente exigindo respostas padrão se procura partir daquilo que o sujeito traz estando aberto a possíveis situações criativas e procurando fazer lugar num horizonte de sentido primeiro grupal e depois social.



Na medida em que a excitação repetitiva encontra articulação imaginária e simbólica pode vir a encontrar corte e possibilitar laço com sujeitos e objetos. É preciso advertir que o fenômeno pode vir a encontrar corte. Mas também pode ser o caso em que o sentido dado conduza ainda ao desgaste final. Porém, a articulação nos permite trabalhar com outros elementos que não apenas a intervenção medicamentosa, absolutamente necessária para obter um mínimo de estabilidade funcional em alguns casos, mas insuficiente para articular sentido à motricidade. Para passar do movimento mecânico ao ato inscrito culturalmente que possibilita laço e propicia comunicabilidade e sociabilidade devemos trabalhar no registro da linguagem. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A maldade

Eu sei que há um grande problema na relação Capital/Trabalho, mas minha hipótese é que a maldade de algumas pessoas torna as coisas muito piores.

É possível ver quase que todos os dias a maldade da qual fala Kant em "Religião nos limites da simples razão".

Os três graus são:

a) o da fragilidade, derivada de um conflito pelo qual o homem simultaneamente reconhece a incondicionalidade da lei e debilidade dele próprio em aderir a ela;

b) o da impureza,visto dar-se no homem uma mistura do móbil moral com os não-morais; e

c) o da malignidade, que se caracteriza pela subordinação da lei moral a móbiles exteriores à moralidade.

Mas eu me refiro à maldade que faz com que o sujeito sinta prazer pela desgraça do outro. Essa é a pior de todas. Essa está incrustada na cultura, desse tipo de maldade só se sai em um trabalho em comunidade.

domingo, 5 de novembro de 2017

Agenda de novembro de 2017


6 e 7 de novembro participarei do Encontro de Pós-graduação do programa de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria apresentando parte dos resultados da pesquisa sobre identificação e psicanálise.
16 e 17 de novembro participarei no Workshop Vasculhando Borges Organizado por Unisinos Journal of Philosophy apresentando um trabalho sobre Jorge Luis Borges e a ética.
20 e 21 novembro participarei da VIII Semana da Filosofia e seu ensino. Crise e Critica | UFCA |2017 apresentando um trabalho sobre filosofia e psicanálise.
No 30 de novembro vou participar do colóquio Kant da Uel em Londrina apresentando um trabalho sobre identificação coletiva e história em Kant.

A filósofa Judith Butler

A filósofa Judith Butler é doutora em Filosofia pela Universidade de Yale, professora na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde leciona no Departamento de Literatura Comparada e no Programa de Teoria Crítica. É autora de 15 livros, dos quais seis traduzidos no Brasil por diferentes editoras. Butler é uma das convidadas do colóquio “Os fins da democracia - Estratégias Populistas, Ceticismo sobre a Democracia e a Busca por Soberania Popular”, promoção conjunta entre Berkeley e a USP, no qual estão previstas as participações de outros tantos professores oriundos de diferentes universidades, como Humboldt Universität, Boğaziçi University, Université de Paris VII, Universidade de Buenos Aires etc.
São pesquisadores e pesquisadoras norte-americanos, latino-americanos e europeus que, como nós, professoras e professores brasileiros, desenvolvem um trabalho intelectual cuja premissa é a liberdade de pensamento, a possibilidade de crítica, e a capacidade de colocar em debate questões relevantes para o conjunto da sociedade. Essa liberdade, no entanto, está ameaça por grupos que pretendem impedir a vinda de Butler ao Brasil, a realização do seminário e o livre debate de ideias.
Nós, da Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF), viemos a público manifestar junto a outras entidades nosso apoio integral à vinda da professora e filósofa Judith Butler ao Brasil e o exercício de sua liberdade de expor seus argumentos, proposições e discussões que não acreditamos poder ser cerceadas. Uma mordaça sobre sua fala é uma ameaça para todos e todas nós, cuja vida acadêmica e intelectual não pode prescindir desta liberdade.

sábado, 4 de novembro de 2017

Identificação

Universidade Federal de Santa Maria


Atividades 2018 na Unicamp, ensino, pesquisa e extensão

Todas as segundas-feiras de 16 a 18 teremos o Grupo de Estudos de filosofia e psicanálise, coordenado por Rodrigo, Samia e Reginaldo que funcionará nas salas do prédio da Pós-graduação do IFCH da Unicamp.

Todas as segundas-feiras do primeiro semestre letivo de 19 a 21 horas teremos a disciplina de graduação em filosofia, sobre o amor como condição da filosofia e da constituição do sujeito.

Todas as terças-feiras do primeiro semestre letivo de 19 a 21 horas teremos a disciplina de pós-graduação em filosofia, sobre negação, contradição e oposição de Kant a Lacan.

Todas as sextas-feiras do primeiro semestre letivo de 13 a 17 horas teremos a disciplina de pós-graduação em filosofia, sobre contingencia e a priori de Kant a Kripke.

Durante todo o ano trabalharemos no projeto de extensão: filosofia sob o significante do autismo. Um trabalho de extensão universitária onde procuramos trabalhar filosofia com famílias que lidam com a questão do que se nomeia como autismo.

Continuaremos com os projetos de pesquisa: (1). sobre a auto-posição e auto-produção do sujeito a partir de Kant; (2). a identificação individual e coletiva a partir da psicanálise de Lacan.

Ensino, pesquisa e extensão 2018

No primeiro semestre de 2018 ministrarei 3 cursos na Unicamp. Um na graduação e dois na pós-graduação. O amor, a contingência e a oposição, negação e contradição.
Na verdade tudo refere ao mesmo ponto: o acontecimento no qual algo como o sujeito aparece como posição, suposição ou efeito.
Esses cursos são resultado e andamento das minhas pesquisas sobre identificação e auto-posição e auto-produção do sujeito na psicanálise lacaniana e em Kant. 
De tudo isso, o fenômeno que se nomeia como autismo é o que se me coloca como a situação mais radical a ser pensada e abordada.

O Contingente A Priori de Kripke e o Sintético A Priori de Kant

HF951-A – SEMINÁRIO DE ORIENTAÇÃO EM FILOSOFIA DA LINGUAGEM E DO CONHECIMENTO


PROF. DANIEL OMAR PEREZ 1º SEMESTRE 2018 TODA SEXTA A PARTIR DE 13. 00 HORAS

O Contingente A Priori de Kripke e o Sintético A Priori de Kant


O propósito deste seminário é estudar a polêmica em torno da hipótese de Kripke (1980) de que há verdades contingentes a priori, bem como verdades necessárias a posteriori, bem como realizer uma comparação com a teoria kantiana dos juízos sintéticos a priori. No caso de Kripke, sua hipótese depende de algumas teses mais fundamentais sobre a existência de dois mecanismos de referência na linguagem natural, a saber, referência direta (através de termos singulares genuínos ou que apresentam rigidez de jure, como Kripke a chama), e referência indireta (ou através de descrições definidas, rígidas ou não rígidas). Kripke apresenta alguns exemplos de um e de outro tipo de verdade que se tornaram célebres, e se tornaram objeto de intensa polêmica na filosofia da linguagem e epistemologia. (Em Kaplan (1989) encontramos exemplos análogos que surgem do emprego de termos indexicais.) Estudaremos as críticas de Donnellan (1977), Salmon (1986, 1987), Soames (2003, 2005), Evans (1979) e Hawthorn and Manley (2012) aos casos de contingente a priori. Veremos as defesas parciais propostas por Jeshion (2000, 2001), Williamson (1986) e Ruffino (2007, 2013). Por fim, será explorada a possibilidade de uma solução via teorias de atos de fala e enunciados performativos. No caso de Kant procuraremos apresentar sua teoria da existência em O único fundamento possível para uma demonstração da existência de Deus, os modos de doação de sentido dos distintos tipos de conceitos (empíricos, do entendimento e da razão) e os critérios para decidir a validade das proposições sintéticas na Crítica da razão pura e Prolegômenos a toda metafísica futura. Para nos aproximar da questão proposta por Kripke (1) abordaremos as proposições que contem o conceito de matéria nos Princípios metafísicos da ciência da natureza; (2) as proposições de direito em Metafísica dos costumes.


BIBLIOGRAFIA Daniel Omar. (Org.). (2005) Kant no Brasil. 1ed.São Paulo: Editora Escuta, v. 1, p. 273- 313. Donnellan, K. (1977). “The Contingent A Priori and Rigid Designators”. Midwest Studies in Philosophy II, pp. 12-27.
Donnellan, K. (1983 ). “Kripke and Putnam on natural kind terms”. In S. Ginet and S. Shoemaker (eds.), Knowledge and Mind: Philosophical Essays, Oxford, Oxford University Press, pp. 84-104. Evans, G. (1979). “Reference and Contingency”, The Monist 62, pp. 161-89. Kant, I. (1901-) Kant´s gesammelte Schriften. Berlin: Walter de Gruyter & Co. ________. (2000) A semântica transcendental de Kant. Campinas: CLE. ________. (2005) O problema fundamental da semântica jurídica de Kant. In: Perez, ________ (2008) Kant e o problema da significação. Curitiba: Champagnat. _________ (2016) Ontology, metaphysics and criticism as Transcendental Semantics as of Kant. Revista de Filosofia Aurora, v.28, n.44. Hawthorne, J., e Manley, D. (2012). The Reference Book. Oxford: Oxford University Press. (Chapter II.) Hintikka, J. (1962). “Cogito ergo Sum: Inference or Performance?” in Sesonske, A. and Fleming, N. (eds.). Meta-Meditations: Studies in Descartes. Belmont, CA.: Wadsworth Publishing Co, pp. 50-76. Jeshion, R. (2000). “Ways of Taking a Meter”. Philosophical Studies 99: 297–318. Jeshion, R. (2001). “Donnellan on Neptune”. Philosophy and Phenomenological Research LXIII, N. 1, pp. 111-135. Kaplan, D. (1989). “Demonstratives. An Essay on the Semantics, Logic, Metaphysics and Epistemology of Demonstratives and Other Indexicals” in Almog, J., Perry, J., Wettstein, H. (eds.), Themes From Kaplan. New York: Oxford University Press. Kripke, S. (1980). Naming and Necessity. Cambridge: Harvard University Press. Ruffino, M. (2007). “The Contingent A Priori and De Re Knowledge”, in Penco, C., Vignolo, M., Ottonelli, V, Amoretti, C. (eds.), Proceedings of the 4th Latin Meeting in Analytic Philosophy. Genova: CEUR Workshop Proceedings, pp. 45-58. Ruffino, M. (2013). “O Contingente A Priori”. Em Branquinho, J. e Santos, R. (Eds.), Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Salmon, N. (1986). Frege’s Puzzle. Atascadero, CA: Ridgeview Publishing Co., pp. 140-2. Salmon, N. (1987) “How to Measure the Standard Meter”, Proceedings of the Aristotelian Society 88, pp. 193-217. Soames, S. (2003). Philosophical Analysis in the Tweentieth Century, Vol. 2. The Age of Meaning. Princeton: Princeton University Press, pp. 372-422. Soames, S. (2005). Reference and Description. Princeton: Princeton University Press, pp. 54-68.  Wiliamson, T. (1986). “The Contingent A Priori: Has It Anything to Do with Indexicals?”, Analysis, Vol. 46, No. 3 (Jun., 1986), pp. 113-117

Filosofia e psicanálise: sobre contradição, negação e oposição a partir de Kant e suas implicações em Lacan e Laclau

todas as Terças-feiras do primeiro semestre de 2018 de 19 a 23 horas na Unicamp
Filosofia e psicanálise: sobre contradição, negação e oposição a partir de Kant e suas implicações em Lacan e Laclau
Disciplina de pós-graduação em filosofia para o primeiro semestre de 2018 na Unicamp.



Filosofia e psicanálise: sobre contradição, negação e oposição a partir de Kant e suas implicações em Lacan e Laclau
O curso visa abordar as noções de contradição, negação e oposição em Kant com o intuito de acompanhar o percurso do uso desses elementos até a psicanálise lacaniana e a teoria política de Laclau. A elucidação desses elementos lógicos é fundamental para elaborar o dispositivo conceitual que nos permite entender a constituição do sujeito e das identificações coletivas
1. "As magnitudes negativas na filosofia", "Lógica" e "Crítica da razão pura" de I. Kant.
1.1. A diferença entre oposição lógica e oposição real
1.2. Causa e identidade
1.3. Realidade, negação, limitação e contradição
1.4. As quatro formas do conceito de Nada
2. "Ciência da lógica" e "Fenomenologia do espírito" de G. Hegel
2.1. A crítica de Hegel a Kant: acerca de negação e contradição
3. "Interpretação dos sonhos" e "A negação" de S. Freud
3.1 Negação, determinação e sobredeterminação
4. "Sobre a contradição" e "Sobre o tratamento correto das contradições no interior do povo" de Mao Tse-tung.
4.1. Contradição fundamental e contradição secundária
5. "Contradição e sobredeterminação" de L. Althusser
6. "Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a Verneining de Freud" e "Resposta ao comentário de Jean Hyppolite sobre a Verneining de Freud" de J.Lacan
7. "Antagonismo, subjetividade e política" de E.Laclau
Bibliografia Básica:
Althusser, L. "Contradicción y sobredeterminación" IN "La revolución teórica de Marx". México: Siglo XXI, 1985.
Freud, S. "La negación" IN Freud Obras Completas, vol. 16. Buenos Aires: Hyspamerica, 1988. Versão em alemão na obra completa on-line http://freud-online.de/Texte/PDF/freud_werke_bd14.pdf

_______ "La interpretación de los sueños" IN Freud Obras Completas, vol 3. Buenos Aires: Hyspamerica, 1988.
_______ "Die Traumdeutung" Hamburg: Nikol, 2010.
Hegel, G "Phänomenologie des Geistes." Paderborn: Voltmedia.
_______ "Ciencia de la lógica." Trad Rodolfo Mondolfo. Buenos Aires: Las cuarenta, 2013. Versão em alemão file:///C:/Users/Usuario/Documents/3%20BIBLIOTECA/Wissenschaft%20der%20Logik%20-%20Erster%20Teil.pdf
Kant, I. "Kant’s Gesammelte Schriften." Berlin: Walter de Gruyter & Co, 1902-.
Lacan, J. "Escritos." Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1998. Versão em francês http://staferla.free.fr/

Laclau, E. "Los fundamentos retóricos de la sociedad" Buenos Aires: FCE, 2014.
Mao Tse-tung "Cinco Tesis filosóficas" IN Obras Escogidas de Mao Tse-tung. Ediciones em lenguas extranjeras Pekin, 1968.

O amor em psicanálise como condição para a constituição do sujeito e a atividade da filosofia

Toda segunda-feira de 2018, a partir de fevereiro até junho inclusive, de 19 a 23 horas no IFCH da Unicamp
Disciplina de graduação em filosofia


Tema: O amor em psicanálise como condição para a constituição do sujeito e a atividade da filosofia

Ementa: A disciplina tem como objetivo indagar os elementos que fazem possível a constituição do sujeito do inconsciente (da enunciação) e a emergência da atividade filosófica. Para tal fim, abordaremos a questão do amor em psicanálise e com essas ferramentas iremos a abordar cada caso.
Nossa hipótese é que: a partir dele (do amor, entendido desde Freud e de Lacan) o sujeito e filosofia são possíveis. Nesse sentido trabalharemos um conjunto de textos que nos permitirão destacar cada um dos elementos com o intuito de organizar um dispositivo conceitual capaz de provar nossa hipótese e alcançar nosso objetivo.
O método de trabalho sobre a questão será análogo ao de Kant na sua disciplina de Antropologia desde um ponto de vista pragmático. Pretendemos estar realizando uma continuação daquele trabalho.
Programa:
Definições de filosofia, sujeito e amor na história da filosofia e na literatura que nos permitirão demarcar o horizonte de trabalho. A apresentação do horizonte de trabalho. Amor sensual, amor filial, amor de amigo, o amor universal, o amor a Deus, o amor à Pátria. A filosofia teorética, prática e a filosofia como práxis e filosofia de vida
Exposição do objetivo, método e possíveis resultados do trabalho
O amor de Freud: Narciso e seu espelho. Quem é o objeto do nosso amor? Quem é aquele que pode nos amar? Como o amor começa e como o amor acaba? É possível amar a mais de uma pessoa?
O dom de amar segundo Lacan e a possibilidade do sujeito e da atividade filosófica
O amor do banquete: completude e ágalma (os mitos e o amor de transferência; mestre e discípulo) (alguns elementos da leitura de Lacan em O Seminário 8)
O amor de Alcibíades e Sócrates (o amigo e a política) (alguns elementos da leitura de Lacan em O Seminário 8)
O amor de mãe em Medeia (as interpretações de Passollini e Lars von Trier)
O amor sacro e mundano da Salomé (da Biblia a Wilde e Strauss)
O amor de irmã da Antígona (alguns elementos da leitura de Lacan em O Seminário 7 e 15)
O amor de Helena (entre dois amores, amor e traição I)
O amor de tango (o amor na gloria e no ocaso; o drama da vida e a traição; a mãe e os amigos)
O amor na amizade. Séneca e marco Aurelio
O amor da família italiana (a família na república, no Império e nas cenas do cinema americano, de Paul Veyne a Francis Ford Coppola)
O amor do Deus dos judeus e dos cristãos (o fruto do jardim, babel, a destruição das cidades ímpias, Jô e as apostas, o Apocalipse)
O amor de Jesus (o universal e a carne ou a pregação e Maria Madalena; o pai, o povo e a cruz; Jesus carrega a cruz por amor a um povo que o apedreja;
O amor de Agostinho (confissões autobiográficas, Monica –a mãe- e a salvação, o amor homossexual e a dúvida do pecado entre a carne e a alma)
O amor de Heloisa e Abelardo (a liberdade da mulher e a insegurança do homem)
O amor entre os homens dos árabes (a poesia homo afetiva do século IX; o amor romântico e erótico dos homens)
O amor cortês (cavaleiros e princesas num mundo sempre imaginário)
O matrimónio por amor ( a igreja e a função da família)
O amor de Santa Teresa de Ávila e de San Juan de la Cruz (alguns elementos da leitura de Lacan em O Seminário 20)
A maldição de Malinche (amor e traição II)
O amor de Descartes e a princesa triste (as paixões da alma, o eu e a filosofia)
O amor de Kant (a distância e o sexo)
O amor de Arendt e Heidegger (a filosofia, a universidade e o racismo)
O amor de Simone e Sarte (liberdade individual e compromisso político)
O amor de Perón e Evita (a política, a pátria e o povo)
O amor segundo Hitchcock (a mãe e a psicose) (alguns elementos da leitura de Lacan em O Seminário 3)
O amor segundo Woody Allen (a tradição judaica na cidade cosmopolita)
O amor segundo Clint Eastwood (a tradição republicana ou como manter valores em épocas de decadência)
Epílogo do amor
Metodologia: aulas expositivas e debate sobre o conteúdo
Avaliação: Trabalho final escrito avaliado com critérios acordados em sala de aula
Consulta: Toda segunda-feira de 16.00 h a 19.00 h na sala 45 B
Bibliografia:
em breve será divulgada