sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A terceira causalidade (de Sigmund Freud)


"Em outras palavras, o ser humano não só agiria apenas como um objeto da natureza (obedecendo à causalidade natural), mas também o faria de acordo com representações da consciência (obedecendo a uma causalidade livre). Assim, considerando meu corpo como um objeto da natureza, seria possível explicar seu deslocamento da cadeira (ponto A) até a porta (ponto B) como um movimento determinado por uma causa mecânica e impulsionado por uma força que o move de um ponto a outro. Porém, também poderia pensar, sem me contradizer, que esse mesmo movimento obedece à determinação de uma causalidade livre, a qual age sobre as representações da consciência do agente do movimento. Dessa maneira, teríamos duas causalidades para explicar o fenômeno, o que implicaria duas experiências diferentes, uma cognitiva (da razão teórica), a outra prática (da ordem das representações mentais que supõem uma vontade livre). Note-se que não se trata de postular uma liberdade a esmo, mas um segundo registro de causalidade.
Entretanto, no início do século XX, Sigmund Freud nos apresentou outra causalidade: a causalidade psíquica inconsciente. De acordo com as observações, estudos e hipóteses de Freud, o comportamento humano não só estaria determinado por sua natureza biológica, como pode mostrar a medicina, ou por sua consciência, como expõe a razão prática - mas também pelo Inconsciente: outro modo de lidar com fenômenos peculiares."


(do livro "O Inconsciente", Rio de Janeiro: Editora Record)

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