quinta-feira, 9 de abril de 2015

Antropologia e psicologia

Reunião Científica do Grupo de Pesquisa Psicanálise e Desenvolvimento
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo;

Prédio G,  Auditório Carolina Bori, 22/04/2015, das 09:00 as 12h00
(entrada livre)

Organização: Prof. Dr. Leopoldo Fulgencio

Conferência:

A Antropologia Pragmática.
Uma investigação sobre a natureza humana
a partir da filosofia transcendental de Immanuel Kant

Prof. Dr. Daniel Omar Perez  (UNICAMP, Departamento de Filosofia)


Comentador: Prof. Dr. Nelson da Silva (IPUSP)

·       Esta Reunião Científica será transmitida ao vivo pela internet, no endereço



Resumo da conferência: A filosofia transcendental de Kant foi elaborada a partir de uma crítica à metafísica e à ontologia tradicional. Essa crítica se articula na tentativa de dar resposta às seguintes perguntas: 1. O que posso saber? 2. O que devo fazer? 3. O que é permitido esperar? As três perguntas comduzem a uma quarta: O que é o homem? A formulação de respostas a estas perguntas levou Kant a uma nova concepção de antropologia e de natureza humana. De acordo com ele, a antropologia pragmática não procura saber o que a natureza fez do homem, mas o que o homem faz, pode e deve fazer de si mesmo. Nesta conferência buca-se apresentar a concepção kantiana de natureza humana e de antropologia, bem como a relação destas com a tarefa da filosofia como crítica.


Daniel Omar Perez é professor doutor em filosofia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pesquisador PQ 1D no CNPQ com "A antropologia e o juízo prático. O ser humano como executor de operações judicativas na virtude, no direito, na história e na pedagogia de Kant". Também desenvolve um projeto sobre A constituição do sujeito a partir das relações de identificação; uma abordagem entre a filosofia kantiana e a psicanálise freudiano-lacanaina. Em 2012 realizou um estágio de pós-doutorado na Bonn Universität (ALEMANHA) onde desenvolveu parte do projeto sobre antropologia em Kant e avançou na tradução das "Reflexões de Antropologia" de Kant (trabalho iniciado com Valerio Rohden em 2008). No ano de 2007 realizou outro estágio de pós-doutorado na Michigan State University (EEUU) com o apoio da Capes onde trabalhou na antropologia pragmática de Kant e na organização do livro "Kant in Brazil" com Frederick Rauscher. Publicou artigos de filosofia e psicanálise em revistas especializadas e livros, tais como Kant e o problema da significação (Editora Champagnat, 2008), O inconsciente, onde mora o desejo (Record, 2012), Ontologia sem espelhos (CVR, 2014), dentre outros.

 Nelson da Silva Júnior é psicanalista, Doutor pela Universidade Paris VII, Professor Livre Docente e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social do Instituto de Psicologia da USP. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental. Coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise, juntamente com Christian Dunker e Vladimir Safatle.  Autor dos livros: Le fictionnel en psychanalyse. Une étude à partir de l'œuvre de Fernando Pessoa. Villeneuve d’ Asq : Presses Universitaires du Septentrion, 2000, e Linguagens e Pensamento. A lógica na razão e desrazão, Casa do Psicólogo, 2007.

Leopoldo Fulgencio é professor do Instituto de Psicologia da USP, Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade; bolsista Produtividade CNPq; autor de Freud na Filosofia Brasileira (ESCUTA, 2004), O Método Especulativo em Freud (EDUC, 2008), e “Winnicott rejection of the basic concepts of Freud’s metapsychology” (artigo selecionado para compor o anuário do International Journal of Psychoanalysis de 2007), dentre outros trabalhos publicados.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ontologia sem espelhos já tem uma segunda edição.

O livro "Ontologia sem espelhos" tem segunda edição, com correções.
Aqui tem uma versão anteriro para quem quiser ter uma idea do conteúdo.

https://www.academia.edu/11856121/Ontologia_sem_espelhos


Política: Chomsky sobre a política internacional e a ação política na América Latina

Noam Chomsky ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Noam_Chomsky )  neste início de ano participou do Forum "Emancipação e Igualdade" em Buenos Aires. Falou sobre política internacional de EUA em relação com América Latina, direitos humanos, mídia e liberdade de imprensa. O linguísta e filósofo do MIT descreveu e explicou os fenômenos e os motivos pelos quais se violam os direitos humanos e os acordos internacionais em função de políticas imperiais.


Chomsky defende posições de políticas de autgestão e denuncia a sociedade entre o grande capital e os Estados em mãos de governos que optam por políticas de concentração de riqueza em poucas mãos. Em alguns momentos o filósofo analisa eventos e mostra como as transformações políticas dependem dos atores sociais. Perante situações postas um agente político referido à comunidade deve assumir um papel ativo. Desse modo se decide o rumo dos acontecimentos.

video 1


video 2

video 3





domingo, 5 de abril de 2015

universidade para qualquer um

"Agora qualquer um vai para a universidade". Já ouvi essa frase com o tom do despreço. Talvez esse tom seja o resultado da impossibilidade, até agora, de se considerar e considerar os outros como membros da mesma comunidade. O despreço contra o pobre revela o sentimento de exclusão que funda, mem muitos casos, a constituição da propria identidade. Em muitos casos eu só posso ser eu mesmo se posso sentir que tem alguem inferior a mim.

A matéria Era lavador de carros e hoje estou concluindo o doutorado na Alemanha


http://obrasilqueconquistamos.com.br/era-lavador-de-carros-e-hoje-estou-concluindo-o-doutorado-na-alemanha/

O sujeito coletivo da história e os jogos olímpicos

O Filme "Fest der Völker" (1938) de Leni Riefenstahl não é apenas um documentário sobre os jogos olímpicos de 1936. O maior legado dessa obra é contribuir com a criação de um povo como sujeito de uma ação política. As primeiras imagens apresentam ruínas, colunas gregas, construções de centenas de anos e estatuas. Um mundo parece se abrir a partir delas, o céu, a paisagem da terra e do homem. Imediatamente pensei em "A origem da obra de arte" de Martin Heidegger.

Riefenstahl mostra a beleza dos corpos nus de homens e mulheres atléticas e a chama, sempre incandescente do fogo olímpico. A simbologia da tocha olímpica que passa de um lugar a outro, de um tempo a outro sendo transmitido de um homem ao outro dá a imagem de uma continuidade do tempo histórico. Tudo se passa como se desde aqueles antepassados gregos até a Alemanha de 1936 houvesse uma continuidade necessária e ao mesmo tempo consequência da determinação da vontade. Tudo se passa como se o destino inexorável e a determinação da vontade humana foram confluir para a realização da história.

 
(filme completo legendado)

Todos os povos da Terra são apresentados no campo dos jogos olímpicos. Cada um Marcha com seus trajes e suas características. Todos parecem contribuir com precisão de atores à festa do povo anfitrião. As imagens de Riefenstahl da abertura dos jogos mostram que realmente se trata de uma festa popular.
Nos jogos começam a aparecer os atletas estadunidenses e o relator por momentos menciona a cor da pele deles, o curioso é que não faz isso com nenhum dos outros competidores. É que esses "negros" disputam o favoritismo do anfitrião.


O ano seguinte dos jogos olímpicos, seria lembrado como o início da segunda guerra mundial. O Partido Nacional-socialista estava no poder desde 1933, havia quatro anos, e toda a mobilização dos setores populares da Alemanha foi direcionada como máquina de guerra em 1939. Aquele povo mobilizado era direcionado para o futuro a partir de uma tarefa presente que retomava um passado. A "festa do povo" de 1936 nas disputas dos jogos olímpicos se transformaria na tragedia jamais vista na Europa nos campos de batalha: 80 milhões de mortos. A mobilização popular que retomaria a dignidade do povo alemão no inicio da década de 1930 se realiza na "festa" dos jogos olímpicos de 1938 e tem seu ocaso na derrota de 1945. A mobilização popular foi direcionada com afetos e sentimentos que acompanharam ideais. Mas seriamos ingênuos se pensássemos que se tratou de uma direção externa, alheia à própria mobilização. Aquilo que colocava em ato a mobilização foi sua própria guia.

Os intelectuais europeus que comparam essa experiência com as mobilizações populares em Latino-América perdem de vista os elementos fundamentais: o tipo de afeto e sentimento, as ideias que se propõem e a história que se reivindica.



Sujeitos coletivos da ação política.


Desde as passeatas de junho-julho de 2013 que começaram com uma reclamação contra o aumento das passagens dos ônibus voltou no Brasil o debate sobre a importância da participação e da reclamação de grandes coletivos.
Nas eleições para presidente em 2014 tivemos também uma grande movilização popular que polarizou o país entre os dois principais candidatos.
Agora, no início de 2015 já assistimos ou participamos de algum tipo de movilização popular.
Milhares de pessoas se convocam por várias vias para mostrar seus sentimentos e  expressar suass reclamações. Em torno de um conjunto de sentimentos e reclamações compartilhados se congregam em praças, avenidas e ruas, levantam bandeiras, pintam cartazes, compõem cantos e gritam palavras de ordem.
Os movimentos populares historicamente produzem câmbios fundamentais. O Brasil tem duas situações emblemáticas: 1. a marcha das familias em 1964 que deu apoio a um golpe militar que quebraria a ordem institucional democrática, 2. as diretas já no final daquela ditadura, quase 20 anos mais tarde, dando apoio à democracia por vir.
Entre uma movilização popular e outra há uma absoluta oposição política, uma era a favor de quebrar a democracia, a outra era pelo aprofundamento da prática democrática. Embora em ambos os casos tenhamos um fenômeno de massas o direcionamento é o oposto.
A diferença está em todos os elementos que compõem o vínculo entre as pessoa.
Assistir "O triunfo da vontade" pode nos ajudar a ver essa diferença.

(filme completo legendado)

O filme-documentário mostra uma estética, uma ordem e um discurso muito peculiar que levará a ter 80 milhões de mortos nos campos de batalha e 8 milhões nos campos de extermínio.

Não é suficiente com que seja popular ou massivo para ser algo positivo, é preciso que a estética e o discurso dessa massa não seja nem a estética nem o discurso do ódio e da eliminação do outro.

domingo, 22 de março de 2015

Contradição, Oposição e Antagonismo segundo Ernesto Laclau


Aula do professor Ernesto Laclau apresentando "Contradição, Oposição e Antagonismo" desde Kant e Hegel até a interpretação de Lacan.

https://vimeo.com/14832210

Material para o nosso curso sobre a constituição do Sujeito a partir das relações de identificação.


Forum de pensamento contemporâneo na Argentina

Durante 3 dias do mês de março se reuniram uma série de intelectuais latinoamericanos e alguns estadounidenses e europeus como Chomsky e Vattimo na Argentina para debater política e pensamento.
Aqui estão os vídeos do encontro.

O link envia a videos de cada conferência.
https://www.youtube.com/channel/UCdMfEHeDq74KW2OZWLzATkA

Os links abaixo I, II e III são de cada momento.









O amor, o espanto e a política.

Os grupos políticos se organizam a partir de demandas comuns e identificações com signos comuns. Esses grupos identitários, mesmo momentâneos, são sustentados por relações afetivas entre os membros. As demandas, os signos e os afetos comuns fecham o grupo e excluem àqueles que não são reconhecidos dentro dessa esfera. O outro é o adversário, o inimigo ou o diferente.
Porém, a lógica da identificação pode ser iniciada não com a demanda mas com o afeto em relação ao excluído: o ódio ao outro que não sou eu.
Jorge Luis Borges escreveu: "não nos une o amor mas o espanto".
Poderíamos pensar como funciona a política organizada desde o ódio. Minha hipótese é que ou não avança para além de uma queixa ou um ato de violência, não entanto, quando avança só conduz à destruição própria e alheia.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

XVII Colóquio Kant da SKB-Seção Campinas Interpretações semânticas de Kant

XVII Colóquio Kant da SKB-Seção Campinas 
Interpretações semânticas de Kant
e Encontro do Grupo de Trabalho da ANPOF
 "Semântica e criticismo"

Data e hora: da totalidade das apresentações e reuniões do Colóquio e do Encontro, de 24 a 28 de agosto de 2015 das 8.00 hs. às 20.00 hs. 
Local: Unicamp / IFCH

Coordenador do evento

Daniel Omar Perez (Unicamp)

O colóquio terá várias apresentações individuais, os debates estarão focados nos seguintes temas: 
1. as interpretações semânticas de Kant
2. a possibilidade ou não de um labor filosófico sem ontologia
3. o funcionamento do juízo e o significado dos conceitos kantianos
4. a relação entre filosofia prática e antropologia
6. o papel do Estado

Chamada de trabalhos: 
Para os interessados em geral (não membros do GT e da Seção Campinas)
Data limite para apresentação de trabalhos para o colóquio: 30 de abril de 2015.
Os trabalhos devem ser enviados na íntegra, em arquivo pdf contendo os seguintes elementos:
Nome do pesquisador e instituição; título do trabalho; resumo entre 5 e 15 linhas; 5 palavras chave; texto integral do trabalho a ser apresentado.
Os trabalhos serão avaliados e os aceitos serão publicados em lista até 13 de maio de 2015.
Os critérios de avaliação são: 1. Pertinência do trabalho com relação aos estudos kantianos; 2. Relevância científica; 3. Objetivo, método e resultado definidos e explícitos.