quarta-feira, 22 de julho de 2026

Filosofia da Ciência I Angústia e repetição

Disciplina: HF033 - Filosofia da Ciência I Nome Português: Filosofia da Ciência I Nome Inglês: Philosophy of Science I Nome Espanhol: Filosofía de la Ciencia I Angústia e repetição Segundo semestre de 2026 Dia e horário: segunda-feira de 14.00 horas a 18.00 horas Aceita alunos especiais Sala de aula no Centro de Lógica e Epistemologia (CLE) Professor: Daniel Omar Perez Programa: Esta disciplina está pensada no interior da área de filosofia da ciência, mais especificamente, dentro da filosofia da psiquiatria, psicologia e psicanálise. Procuramos refletir sobreascondições de possibilidade da experiência clínica. Do horizonte geral: Quais sãoosingredientes e o funcionamento do dispositivo que permite a experiência clínica? Àperguntaparticular: Como podemos pensar a angústia como experiência dentro da clínica psicanalítica?Entendemos aqui nosso trabalho de filosofia da ciência a partir de uma orientação kantianaacerca do alcance da experiência e seus limites. A angústia foi pensada na história da medicina dentro da melancolia, ligada à teoriadoshumores de Hipócrates até Galeno entrando no século XVIII. No século XIXeuropeuaangústia estava do lado da neurastenia. Foi Freud que isolou a experiência de angústia. Aneurastenia seria o esgotamento da energia, enquanto a angústia, para Freud seria o acúmulode energia. Decididamente, Freud em diálogo com Fliess (1897), de acordo comos dadosclínicos, a angústia seria causada pela repressão sexual. No entanto, o caso do PequenoHans(1908) mostra algo que será elaborado quase vinte anos depois. EmInibição, SintomaeAngústia (1926), Freud determina que é a angústia que causa repressão. Aretomadadaexperiência da angústia em psicanálise reformula sua concepção em 1963. Em OSeminário10 A Angústia de Jaques Lacan avança na ideia de que angústia e desejo habitama mesmaestrutura. A angústia surge quando o objeto de desejo aparece em excesso, semmediaçãosimbólica. Assim, quando o Real do objeto causa de desejo não é simbolizadoe/ouimaginarizado, o afeto da angústia comparece como sinal. Diferente da concepção de Freudde compulsão de repetição como retorno do recalcado, o que Lacan mostra é que a repetiçãonão é simples reprodução do mesmo, eterno retorno do mesmo, mas insistência do real que não se deixa simbolizar, não se inscreve. O sujeito, ao repetir, não busca, como sustentavaFreud, reviver uma experiência passada, mas se coloca em funcionamento o movimentoqueleva ao ponto de encontro com aquilo que do objeto que não cessa de não se articular nalinguagem. A repetição, portanto, é o movimento que expõe o sujeito ao excesso, à presençado objeto que não pode ser integrado ao simbólico. É nesse excesso que a angústiasemanifesta, não como sinal de algo que falta, de um vazio ou nada, mas como sinal da faltadafalta, ou seja, da irrupção do objeto sem mediação na linguagem. A repetição insiste porqueoReal insiste, e o sujeito é convocado a lidar com esse encontro inevitável. Na clínica, issosignifica que a repetição não deve ser vista como círculo vicioso a ser interrompido, mascomo via de acesso ao ponto mais íntimo da estrutura do sujeito. Assim sendo, esta disciplinapropõe examinar a repetição do paciente na experiência de angústia que o conduz aumasituação mortificante. Plano de trabalho: 1. Breve história da angústia nas psiquiatrias 2. Breve história da angústia nos Manuais do DSM 3. Breve história da compulsão nas psiquiatrias 4. Breve história da angústia e da compulsão na história da psicanálise 5. A angústia em Inibição, Sintoma e Angústia de S. Freud 6. A repetição em Além do princípio do prazer de S. Freud 7. O nascimento do sujeito: física, linguística, sociologia, fisiologia, topologia. (OSeminário 10 de J.Lacan) 8. A causa do desejo: a identificação sádica e a masoquista; o amor real. Kant e Sade(OSeminário 10 de J.Lacan) 9. Passagem ao ato, acting out: as mentiras do inconsciente. (O Seminário 10 de J.Lacan)10. O sintoma como gozo. (O Seminário 10 de J.Lacan) 11. A angústia entre o gozo e o desejo: a perversão e a angústia do Outro (OSeminário10de J.Lacan) 12. Os objetos parciais: a boca e os olhos, a voz, o falo evanescente, do anal ao ideal (OSeminário 10 de J.Lacan) 13. Desejo e castração: Do a aos Nomes-do-pai (O Seminário 10 de J.Lacan) 14. O inconsciente e a repetição (O Seminário 11 de J.Lacan) 15. A angustiante experiência de repetir a repetição que leva à angustia: o mortificanteeavida em psicanálise

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