terça-feira, 13 de outubro de 2020

A Clínica do Autismo

  A Clínica do Autismo

 

O seguinte trabalho tem como objetivo oferecer argumentos para defender as propostas terapêuticas singulares com relação ao tratamento de diagnosticados de autismo. O que é possível para a Psicanálise na clínica do autismo?

 

Acolhemos conceitualmente experiências de trabalho observadas durante três anos em distintas instituições, com distintos profissionais, usando distintas metodologias, abordagens e técnicas em relação a um universo de quase 200 pessoas diagnosticadas. 


Com isto pretendemos contribuir no seguinte sentido: 


1. Realizar uma breve introdução ao problema.

 

2. História do significado do autismo

 

3. DSM

 

4. Tentativas de tratamento da questão do autismo.

 

5. apresentar a questão do autismo como um problema para as ciências humanas e sociais;

 

6. tentar oferecer uma possível via de encaminhamento para o problema. Para alcançar isto daremos os seguintes passos:

 

7. definição sumária de autismo desde o DSM, suas mudanças e suas possibilidades de reformulação;

 

8. a questão do autismo entre o orgânico e anatomo-fisiológico e a questão da subjetividade, a linguagem e o laço social;

 

9. o trabalho de diferentes disciplinas, ciências e práticas com relação à questão; parâmetros gerais de orientação para um projeto terapêutico singular, suas condições institucionais e familiares;

 

10. qual o resultado procurado e por que?



https://www.institutoespe.com.br/clinicadoautismo?fbclid=IwAR3CATHIdwDDIAi-FHYVaLFju012ianFPohLQIyCHHDh1YQ6QVYsg8BZ0kA

Colóquio Estilos do Autismo: perspectivas, nuances e desafios


 A Prof. Dra Kelly Brandão da FCM da Unicamp organiza

Colóquio Estilos do Autismo: perspectivas, nuances e desafios
Dias 29 e 30 de outubro
Público e gratuito
Transmissão pelo canal do YouTube da REPSIC - Rede de Pesquisas: Psicanálise e Contemporaneidade: https://www.youtube.com/.../UCVQ1SxCDQwIZ9iRVjVAmM_w/about

Reunião Temática: A clínica psicanalítica em relação com aquilo que se nomeia como autismo – 2020

 docente Daniel Omar Perez

programa
Eugen Bleuler (1857-1939) introduz o termo “autismo” na literatura médica em 1911 para designar pessoas que tinham grande dificuldade para interagir e muita tendência ao isolamento. Mais tarde foi retomado pelo psiquiatra Leo Kanner (1943) que isolou os sintomas e propôs modos de tratamento. A Psicanálise posterior a Freud também fez uso do termo dentro da sua prática clínica oferecendo outros modos de compreensão e abordagem. Desde os casos de Rosine e Robert Lefort ou de Bruno Bettelheim até os nossos dias podemos dizer que foi construída uma história que apresenta grandes modificações tanto na teoria quanto na clínica. Nossa proposta aqui é mostrar brevemente os pontos mais relevantes dessa história do autismo na Psicanálise e dos pressupostos epistemológicos que justificam as mudanças.

sexta-feira | dia 23 de outubro

https://centropsicanalise.com.br/curso/reuniao-tematica-a-clinica-psicanalitica-em-relacao-com-aquilo-que-se-nomeia-como-autismo-2020/

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Canal de Youtube Daniel Omar Perez

 No canal de Youtube tem uma playlist que pode interessar


https://www.youtube.com/playlist?list=PLtQTl0gs8aWxjCXfJvKgIPMaXY5GfGqRH

Á noite todos os gatos são pardos


 

À NOITE TODOS OS GATOS SÃO PARDOS

 https://www.cultura930.com.br/anoitetodososgatossaopardos/?fbclid=IwAR3pDnL727RvYZc2kv3SzL1lwMSrb6hm5TlJccLDKMVKD-VV_5RUC9sonPU

À NOITE TODOS OS GATOS SÃO PARDOS.

 


À NOITE TODOS OS GATOS SÃO PARDOS

https://www.cultura930.com.br/anoitetodososgatossaopardos/?fbclid=IwAR3pDnL727RvYZc2kv3SzL1lwMSrb6hm5TlJccLDKMVKD-VV_5RUC9sonPU


Um programa que pode conter linguagem explícita, palavras de amor, nostalgias de um passado que nunca existiu e a ilusão de um futuro que talvez aconteça. Um programa de histórias, músicas, ideias e os percalços da vida cotidiana. E é por esse motivo que a confusão, a dúvida, a incerteza, o silêncio de rádio pode chegar a tomar conta do programa. Um monólogo de muitas vozes, um diálogo entre sombras, com fantasmas, amigos que não estão e outros seres imaginários.

Á noite todos os gatos são pardos

O próximo programa de Á noite todos os gatos são pardos será:
Que foi da vida das amigas e dos amigos da Mafalda?
Sexta-feira 22.00 horas
Rádio cultura am 930 de Curitiba


 https://www.instagram.com/todososgatossaopardos/?igshid=w7461hempjr9&fbclid=IwAR19i1sTjzWOReAQtnzxK_fOBIMfHQorqHFqrjAGw5lcss4jLmj3J_GqpuQ



à noite todos os gatos são pardos

 


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Cancelamento

 Tratar o outro como resto, passagem ao ato. Lacan usa esses dois termos na experiência analítica.

Quando o sujeito não se sustenta em lugar de sujeito, isto é, como finito, falho, faltante, sujeito da falta, então apela para a totalização se não é no discurso é no ato. Não suporta no outro o que não suporta nele. Assim, a falta que se revela no outro é intolerável para ele. Não é o outro sujeito que incomoda, mas que ele se tenha mostrado como equívoco, faltante, falho, que ele tenha evidenciado a falta diante de quem não a suporta. É esse o momento em que o outro é lacrado, cancelado, reduzido a lixo, passível de ser eliminado.

You tube

https://www.youtube.com/c/DanielOmarPerezinbrasil/featured?view_as=subscriber 

Angústia

 Disciplina Filosofia Geral HG 532 A

Inicia 21 de setembro por google meet.
ANGUSTIA, LUTO, MELANCOLIA, DESAMPARO
Professor Daniel Omar Perez
Data e hora: segunda-feira de 19 a 23 horas
IFCH – UNICAMP
Ementa: O objetivo desta disciplina é apresentar uma análise do conceito de Angustia em Kierkergaard, Heidegger e Freud. Para isso tentaremos diferenciar de outros afetos e sentimentos como culpa, ressentimento, luto, melancolia, desespero e desamparo. Em cada um dos casos a angustia está associada ao pecado, ao nada e ao desejo. As diferentes formulações do afeto da angustia possibilitam diferentes formas de entender a existência humana e os modos de se relacionar consigo mesmo, com os outros, com as coisas e com o pensamento. A história da filosofia desde Aristóteles até a fenomenologia contemporânea vem abordando a experiência nomeada como de tristeza ou de sensação de vazio. Nosso trabalho aqui será recortado em algumas obras de três pensadores contemporâneos.
Programa:
1. Sentimentos, emoções, afetos e sensações: uma introdução
2. A angustia em Kierkergaard
2.1.Introdução aos conceitos fundamentais da filosofia de Kierkergaard
2.2.Considerações sobre o amor
2.3.O desespero humano
2.4.Angustia e pecado
2.5.Angustia como o que salva pela fé
3. A angustia em Heidegger
3.1.Introdução aos conceitos fundamentais de Heidegger
3.2.Solidão
3.3.Angustia
4. A angustia em Freud
4.1.Introdução aos conceitos fundamentais de Freud
4.2.Luto e melancolia
4.3.Inibição sintoma e angustia.
5. Retomada dos conceitos e reformulação dos significados da angustia
Metodologia: aulas expositivas com debate e intervenção dos estudantes que assim o desejarem.
Avaliação: trabalho final escrito entregue na última aula do semestre.
Aceita alunos especiais e ouvintes
Bibliografia básica:
Costa Pereira, M.E. Pânico e desamparo. São Paulo: Escuta, 2008.
Darwin, Ch. A expressão das emoções nos homens e nos animais. São Paulo: Companhia das letras 2009.
Descartes, R. Obras Escolhidas. São Paulo Perspectiva, 2010.
Freud, S. Duelo y melancolia. Vol 11 Obra completa. Buenos Aires: Hyspamerica, 1988.
_______ Inibición, síntoma y angustia. Vol 16 Obra completa. Buenos Aires: Hyspamerica, 1988.
_______ Das Ich und das Es. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuch Verlag, 2009.
_______ Das grosse Sigmund Freud Lesebuch. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuch Verlag, 2009.
________ Neurose, Psicose, Perversão. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2016.
*Girard, R. & Serres, M. O trágico e a piedade. São Paulo: Realizações Editora, 2011.
*Han, Byung-Chul La agonia del Eros. Buenos Aires: Herder, 2014.
______________ La sociedad del cansancio. Buenos Aires: Herder, 2014.
*Harari, R O seminário A Angustia de Lacan. Uma introdução. Porto Alegre: Artes e ofícios, 1997.
Heidegger, M. Que es metafísica? Y otros ensayos. Buenos Aires: siglo veinte, 1983.
___________ Os conceitos fundamentais da metafísica. Mundo, Finitude, Solidão. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.
__________ Ser e Tempo. Trad. Fausto Castilho, edição bilíngue. Campinas: Editora Unicamp / Editora Vozes
Jarpers, K. A questão da culpa. São Paulo: Todavia, 2018.
Kierkergaard, S. Obras do amor. Petrópolis: Editora Vozes, 2013.
____________ O conceito de angustia. Petrópolis: Editora Vozes, 2017.
____________ O desespero humano. São Paulo: Editora Unesp, 2010.
____________ O conceito de ironia. Petrópolis: Vozes, 1991.
____________ Diario de un seductor. Colombia: Ediciones Nuevo Siglo, 1994.
Lacan, J. O Seminário A angustia, libro 10. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.
Lacoue-Labarthe, P & Nancy, J-L El pánico político. Adrogué: Ediciones La Cabra, 2014.
Texto tipografado em frãnces http://staferla.free.fr/S10/S10.htm
Miller & all. Versiones de la Angustia. Buenos Aires: Grama, 2008.
Novaes, A. (org) Os sentidos da paixão. São Paulo: Companhia das letras, 2009.
Paschoal, A. E. Nietzsche e o ressentimento. São Paulo: Humanitas, 2014.
Perez, D. O. O Inconsciente. Onde mora o desejo. Rio de Janeiro. Record, 2012.
__________ Sentimentos em conflito. Campinas: PHI, 2019.
*Ramos, G. Angustia e sociedade na obra de Sigmund Freud. Campinas: Editora Unicamp, 2003.
Safatle, V. O circuito dos afetos. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
*Safouan, M. Angustia-Sintoma-Inibição. Campinas: Papirus, 1989.
*Soller, C. Los afectos lacanianos. Buenos Aires LetraViva, 2016
________ O que faz laço? São Paulo: Escuta, 2011.
Spinoza Ética. Edição bilíngue. Belo Horizonte: Autêntica, 2010
*Starobinski, J. A tinta da melancolia. São Paulo: Companhia das letras, 2016.
Tomás de Aquino As paixões da alma. São Paulo : Edipro, 2015
______________ A sensualidade. São Paulo : Edipro, 2015.
Outra bibliografia será fornecida de acordo com a demanda e o andamento do curso.
CALENDARIO
21 de setembro (1/15) apresentação da disciplina: conteúdo e método
28 de setembro (2/15) Sentimentos, emoções, afetos e sensações: uma introdução
5 de outubro (3/15) Introdução aos conceitos fundamentais da filosofia de Kierkergaard.
19 de outubro (4/15) Angústia e pecado. Angústia como o que salva pela fé.
26 de outubro (5/15) Considerações sobre o amor. O desespero humano.
9 de novembro (6/15) Introdução aos conceitos fundamentais de Heidegger.
16 de novembro (7/15) A angustia em Heidegger.
23 de novembro (8/15) Solidão. Angústia.
30 de novembro (9/15) Introdução aos conceitos fundamentais de Freud.
7 de dezembro (10/15) Luto e melancolia.
14 de dezembro (11/15) Luto e melancolia.
21 de dezembro (12/15) Inibição sintoma e angustia.
4 de janeiro (13/15) Inibição sintoma e angustia.
11 de janeiro (14/15) Inibição sintoma e angustia.
18 de janeiro (15/15) encerramento da disciplina

Objeto de desejo

 "Reconhecer-se como objeto de desejo é sempre masoquista"

Jaques Lacan, em O Seminário A Angústia.
Essa formula é desenvolvida detalhadamente no texto. Esse será um dos momentos em que nos demoraremos no nosso seminário de pós-graduação que começa no 22 de setembro na Unicamp.

Angústia

 

A experiência de escuta psicanalítica nas neuroses histéricas e obsessivas provoca a angústia do falante que ao se ouvir falando experimenta o próprio estranhamento. Sou eu que falo? Esse sou eu? Quem é esse que fala? As palavras evocadas pelo falante são reconhecidas na boca do Outro. O Outro, o grande Outro, fala por mim, pela minha boca.

A fala parte de um eu que se reconhece numa imagem especular (narcísica), é nessa fala "de si" e no olhar da imagem especular que a escuta analítica possibilita o desencontro entre o corpo e a imagem provocando um duplo e com ele o sentimento de estranhamento: estamos aqui lacanianamente diante das portas da angústia.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Fe, rei e lei


Essa era a consigna de conquistadores espanhóis e portugueses na América.É porque os povos originários não tinham Fé (a dos europeus), rei (o dos europeus) e lei (a dos europeus) que os povos nativos podiam ser exterminados fisicamente, espoliados culturalmente e saqueados economicamente.Será que isso deve ser homenageado na América?
Na maior parte do território americano houve um guerra revolucionária no final do século XVIII e início do século XIX para acabar com a exploração colonialista. Porém, ainda hoje temos defensores locais da ideologia do colonizador.
Olhar a história da América desde de uma cátedra de alguma universidade europeia tem sido uma constante de muitos grupos de intelectuais locais.

Homenagem a escravista, genocida ou torturador não é patrimônio histórico.


Na Argentina se conservaram os campos de sequestro e tortura da ditadura genocida, mas não se fizeram estatuas para Videla ou Galtieri. Na Alemanha se conservaram os campos de concentração e de extermínio, mas não se nomearam ruas, avenidas e praças com os nomes dos genocidas nazistas.
Quando se derrubou o muro de Berlim não lembro de ninguém falando: gente isso é patrimônio histórico!!! Vamos deixar o muro e os pontos de controle de Berlim intatos!. Quando caiu a União soviética não vi ninguém triste porque a estatua de Stalin era derrubada. Da mesma forma, ninguém fez defesa de patrimônio cultural o dia que no Iraque derrubaram as estatuas de Saddan Hussein e apagaram suas pinturas.
A nossa colonização cultural é tão visceral que aceitamos homenagens a saqueadores como se fossem patrimônio cultural.

Conservar o que?


Cada vez que um sujeito vai para análise (psicanálise) revisa sua história e a reescreve várias vezes no processo de tratamento. Isso faz com que algumas imagens que eram idealizadas como estatuas caiam e outras questões aparecem. Da mesma forma aquelas ideias que eram protegidas como grandes obras de arte se transformem em um objeto qualquer e outros elementos passem a ocupar o estatuto de obra de arte. Enunciados que eram princípios inquestionáveis como se fossem escrituras ou livros sagrados se dissolvem numa sopa de letras e outras narrativas aparecem.
Do mesmo modo acontece com as identificações coletivas e suas historias como grupos, massas e povos.

Patrimônio cultural ou ideologia do invasor?


Brasil tem nomes de ditadores e genocidas em ruas, estradas, estatuas, bairros e praças. Na América toda encontramos estatuas de escravistas, criminosos de guerra e saqueadores.
Agora resulta que essa estratégia ideológica do colonialismo e do imperialismo se chama patrimônio cultural.
Quando morei na Alemanha não vi nenhuma estatua de Hitler ou uma rua ou avenida em homenagem às SS. Será que eles estão perdendo o "patrimônio cultural".
Para mim, o patrimônio cultural é o ouro e as obras de arte roubadas da América que estão nos museus e coleções privadas da Europa.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Paixões tensas, uma iniciação

Sem rodeios Lacan fala: “Que é a angústia? Afastamos a ideia de que seja uma emoção. Para introduzi-la direi que ela é um afeto.”  (Lacan, 23, 2005) Lacan volta a nos recordar junto com Freud que o afeto não é recalcado. “Ele se desprende, fica à deriva. Podemos encontrá-lo deslocado, enlouquecido, invertido, metabolizado, mas ele não é recalacado. O que é recalcado são os significantes que o amarram”  (Lacan, 23, 2005). Isso Freud já tinha nos mostrado no seu texto metapsicológico O Inconsciente de 1915. Mas citando o livro II da Retórica de Aristóteles, onde o filósofo trata das paixões, afirma que “O que há de melhor sobre as paixões está preso na malha, na rede da retórica”  (Lacan, 23, 2005). É no entramado dos significantes que aparece a angustia. Uma teoria lacaniana dos afetos não poderia ser pensada sem a relação significante. Aqui Lacan retoma o espírito do estagirita.

Angustia e o desejo do Outro


No dia 11 de novembro de 1962, numa sala de aula de Paris, o doutor Jaques Lacan afirmava que a estrutura da angustia e a estrutura da fantasia era exatamente a mesma. A ocorrência não deixa de surpreender a próprios e estranhos. Mas se avançarmos um pouco no seu discurso ouviremos dizer também que “a relação essencial da angústia é com o desejo do Outro” (Lacan, 14, 2005). O Grande Outro, aquele lugar desde o qual o sujeito entende que é demandado a responder, a agir, a se comportar, não diz o que exige e então surge o interrogante: Que queres? Que quer ele de mim? Que quer ele comigo? Como me quer ele? Que quer ele a respeito deste lugar do eu? Lacan nos adverte que é na “relação com o desejo e a identificação narcísica”  (Lacan, 15, 2005) que aparece a função da angústia.

Lacan, J. (2005). O Seminário 10 A Angustia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.


Entre as palavras tramam os afetos

Lacan fala: “Que é a angústia? Afastamos a ideia de que seja uma emoção. Para introduzi-la direi que ela é um afeto.”  (Lacan, 23, 2005) Lacan volta a nos recordar junto com Freud que o afeto não é recalcado. “Ele se desprende, fica à deriva. Podemos encontrá-lo deslocado, enlouquecido, invertido, metabolizado, mas ele não é recalacado. O que é recalcado são os significantes que o amarram”  (Lacan, 23, 2005). Isso Freud já tinha nos mostrado no seu texto metapsicológico O Inconsciente de 1915. Mas citando o livro II da Retórica de Aristóteles, onde o filósofo trata das paixões, afirma que “O que há de melhor sobre as paixões está preso na malha, na rede da retórica”  (Lacan, 23, 2005). É no entramado dos significantes que aparece a angustia. Uma teoria lacaniana dos afetos não poderia ser pensada sem a relação significante. Aqui Lacan retoma o espírito do estagirita.


Lacan, J. (2005). O Seminário 10 A Angustia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.