terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Tema: Filosofia prática, afetividade e comunidade em Kant.

 Tema: Filosofia prática, afetividade e comunidade em Kant.

Resumo: A razão prática se funda num princípio racional, puro, a priori, nomeadamente, a lei
moral, sem considerar a natureza humana (de acordo com a explícita declaração de Kant na
Fundamentação da metafísica dos costumes). Esse princípio racional é, para os seres racionais
finitos (isto é, para aqueles que além de razão também são constituídos de sensibilidade), um
princípio sintético a priori, um imperativo categórico que ordena, manda, obriga inclusive contra
os sentimentos do amor próprio. Esta situação mostra que o sujeito impulsionado a agir por dever
não só obedece a razão por ser racional senão que também lida com afetos, sentimentos (sui
generis), paixões e emoções próprias e alheias. Assim, o imperativo categórico aparece associado
a um sentimento de respeito que não se desvincula da obediência moral. Funciona não só
argumentativamente senão também de modo coercitivo (com força) e quando contestado pela
ação do sujeito provoca culpa (outro sentimento). O sujeito da razão prática em Kant tem
sentimentos, afetos, emoções e paixões associadas ou contrapostas aos conceitos de razão. Essa
sensibilidade pode afetar o juízo ou a ação inclusive antes de considerar o próprio imperativo
categórico. Suas modalidades se encontram abordadas em Ensaio sobre as enfermidades da
cabeça, Antropologia do ponto de vista pragmático, lições e reflexões de antropologia e de moral
entre outros textos. E claro, também na Fundamentação e na segunda crítica. Assim, no trato com
a própria afetividade Kant propõe em Religião A 64 que não se deve pretender extirpar seu
domínio, até porque seria impossível, mas controlar os sentimentos para que não se consumam
uns aos outros dissolvendo o próprio sujeito da experiência prática em questão. No trato com a
afetividade alheia Kant propõe, também no texto da Religião, propiciar uma comunidade que
possa se impor a um modo de malignidade humana que habita no próprio convívio entre as
pessoas. Esta pesquisa procura avançar na formulação e resolução proposta por Kant ao problema
dos sentimentos, afetos, paixões e emoções individuais e coletivos com relação à realização de
regras práticas que dizem respeito ao indivíduo e à comunidade. Pretendemos progredir nos
argumentos que demonstram que a experiência prática, pensada a partir da filosofia
transcendental, não pode ser reduzida a um simples intelectualismo, individualismo ou mero
solipsismo, senão que deve considerar a sensibilidade e a relação com o outro numa comunidade.
Palavras-chave: Kant; psicologia, antropologia, moral, sentimentos
Esse projeto será trabalhado de 2022 até 2026.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O capitalismo acabou

 O tecno-feudalismo, baseado no controle da mídia digital, pauta as relações de poder e de transferência de capital, de oferta e procura, do que se torna visível e do que fica no ostracismo.

O capitalismo, tal como o conhecíamos acabou de desaparecer. Agora vivemos a era dos Feudos digitais que não só controlam o alcance da sua mensagem senão que direcionam afetos, geram ansiedades, provocam ódios e decidem o que está certo e o que está errado.








Endógeno / Exógeno

 Epidemias de angústia, de pânico, de autismo, de depressão, de ansiedade, de cansaço crônico, de esgotamento físico e mental, .....

De repente a doença mental que seria por causas endógenas ( falta de uma substância, problemas genéticos, mecanismos neurais...) aparecem por ondas, como as epidemias.
Ou os problemas endógenos se multiplicam na espécie por mutação ou as causas não são meramente endógenas.

O romance individual e social do neurótico.


Uma das formas da neurose mostra como o sujeito pode sustentar seu egoísmo na vida social junto com o altruísmo da vida pessoal.
Quer dizer, o neurótico convive com uma forma de vida onde o egoísmo prevalece nos seus anseios por cargos públicos, espaços de poder institucional e acumulo de riqueza material, mas se realiza desde um discurso altruísta, onde tudo o que faz é, supostamente, pelo bem do outro. Assim, o neurótico se torna a voz dos que não tem voz, reclama justiça para aqueles que não a tem e vive individualmente aquilo que condena nos outros.
Uma das formas da neurose mostra como o sujeito pode sustentar seu egoísmo na vida social junto com o altruísmo da vida pessoal.
Quer dizer, o neurótico convive com uma forma de vida onde o egoísmo prevalece nos seus anseios por cargos públicos, espaços de poder institucional e acumulo de riqueza material, mas se realiza desde um discurso altruísta, onde tudo o que faz é, supostamente, pelo bem do outro. Assim, o neurótico se torna a voz dos que não tem voz, reclama justiça para aqueles que não a tem e vive individualmente aquilo que condena nos outros.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Mesa: Jacques Lacan leitor de Freud I

 



Grupo de Trabalho Filosofia e Psicanálise da ANPOF

Profa. Maria Cristina Sparano (UFPI) Profa. Claudia Murta (UFES) Prof. Daniel Perez (Unicamp) Mediador: Prof. Sergio Fernandes (UFRB)



LEITURAS DA PSICANÁLISE | Betty Fuks, Daniel Perez e Tales Ab'Saber | 19/11/2021

 Live com a participação dos conferencistas do 3º Ciclo de Conferências Leituras da Psicanálise dedicado ao texto de Freud Psicologia da Massas e Análise do Eu (1921) com mediação de Francisco Capoulade.





A origem de nossas identidades coletivas | Daniel Omar Perez | 17/11/2021

 

Professor de filosofia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)




Aula Preparatória Carl Hart - Prof Daniel Omar Perez

 O pesquisador e professor de filosofia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Daniel Omar Perez ressalta o percurso da formação intelectual como cientista e a posição de Carl Hart em relação ao consumo e os diferentes efeitos de diversas substâncias psicoativas, não só como consumidor, mas especialmente como cientista. Além disso, destaca o seu trabalho durante décadas em relação a experiências quanto aos efeitos farmacológicos e comportamentais de substâncias psicoativas em seres humanos.

Carl Hart é um dos mais reconhecidos e instigantes neurocientistas da atualidade. É um dos primeiros professores de ciências afro-americanos permanentes na Universidade de Columbia, onde leciona desde 1998.


Paulo Gala/ Economia & Finanças conversas filosóficas

 

Professor de filosofia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pesquisador PQ 1D no CNPQ com pesquisas sobre o sujeito e a linguagem a partir de Kant. Atualmente, a pesquisa aborda a relação entre a estrutura da proposição e a natureza humana (antropologia). Também desenvolve um projeto sobre a constituição do sujeito a partir das relações de identificação - uma abordagem entre a filosofia kantiana e a psicanálise freudiana e lacanaina. O trabalho de pesquisa se concentra na questão de como os indivíduos se constituem como sujeitos - tanto individual, quanto coletivamente. Sendo assim, são abordados fenômenos como massa, povo, coletivo, relações amorosas e situações diagnosticadas no espectro do autismo. O professor ainda realiza trabalho de extensão com filosofia, psicanálise e autismo.




Ministério Público Antirracista - a travessia necessária

 

APRESENTAÇÃO

 Apesar de 56% da população brasileira ser negra (preta ou parda), os negros ainda estão em absurda desvantagem nesse país em todos os índices sociais relativos à educação, renda, emprego e violência de que são vítimas. Brancos ganham o dobro que negros, sendo que as mulheres negras ganham, em regra, 70% menos que os homens brancos. Estatísticas demonstram que mulheres negras morrem mais, são mais estupradas e agredidas no ambiente doméstico e fora dele que as mulheres brancas. Um jovem negro, no Brasil, tem 7 vezes mais chance de morrer que um jovem branco. A taxa de analfabetismo entre negros é mais que o dobro que entre brancos e nossa instituição, segundo último censo, possui mais de 90% dos seus quadros ocupados por Promotores e Promotoras de Justiça brancos. O Ministério Público de São Paulo, sem se esquivar de seus deveres constitucionais e sem se alienar de uma realidade de desigualdade que se escancara em números, tem se mobilizado para criar estruturas específicas de enfrentamento do racismo em sua tripla dimensão: estrutural, institucional e individual. Dentre essas iniciativas criou, em setembro de 2020, a Rede de Enfrentamento ao Racismo (Portaria 9269/2020) que tem sido espaço importante de reflexão, diálogo e proposição de ações. É com imenso prazer que anunciamos, para marcar nosso efetivo compromisso com a democracia, a pluralidade de ideias e a justiça social, um livro que pretende ser um marco histórico na luta antirracista institucional. Com artigos variados, protagonizados por destacados integrantes do Ministério Público de São Paulo, o livro aborda de forma livre e plural o tema do racismo sob as perspectivas pessoais de seus autores, e de modo transversal. Embora organizado pelo Núcleo de Inclusão Social do nosso Centro de Apoio Operacional Cível e de Tutela Coletiva, o livro, ancorado nos trabalhos desenvolvidos pela Rede de Enfrentamento ao Racismo, rompe com a ideia de que racismo é problema, apenas, de 7 Promotores e Promotoras de Justiça com atribuição voltada à área de direitos humanos - inclusão social. Ao trazer a perspectiva do enfrentamento do racismo na seara criminal, de saúde pública, de direito do consumidor, educação, meio ambiente, pessoa com deficiência, infância e juventude, e outros, o trabalho que ora se apresenta afirma que o recorte do racismo, e seu enfrentamento interseccional, deve ser atividade diuturna de cada Promotor e Promotora de Justiça do Estado de São Paulo. Mais que isso. Ao trazer ilustres convidados da sociedade civil e da comunidade científica para colaborar com essa grande reflexão em torno do assunto, o livro posiciona historicamente o Ministério Público como órgão de escuta e diálogo na afirmação dos valores democráticos e constitucionais. Como disse o poeta Aimé Césaire, ao fazermos a luta antirracista estamos falando da história de “milhões de pessoas a quem artificiosamente inculcaram o medo, o complexo de inferioridade, o estremecimento, a genuflexão, o desespero e a subserviência”. Não é pouca, portanto, a nossa responsabilidade institucional. A busca por uma sociedade mais justa e menos desigual é a travessia que nos cabe. Vamos, sem medo, e em frente, cumprir nosso papel. Boa leitura para nós. Mário Luiz Sarrubo Procurador Geral de Justiça Ministério Público do Estado de São Paulo

http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/redes/enfrentamento_racismo/racismo_cartilhas/TravessiaNecessaria3.pdf




🗣 Expositor Adilson José Moreira Professor universitário e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de Harvard 🗫 Mediador: Filipe Viana de Santa Rosa Promotor de Justiça do MPSP Roda de conversa com alguns dos autores do livro: Bruna Ribeiro Dourado Varejão Promotora de Justiça do MPSP Carlos César Silva Sousa Júnior Analista jurídico do MPSP Claudio Luis Watanabe Escavassini Promotor de Justiça do MPSP Denilson de Souza Freitas Promotor de Justiça do MPSP Elaine Maria Clemente Tiritan Muller Caravellas Promotora de Justiça aposentada do MPSP Jaqueline Mara Lorenzetti Martinelli Procuradora de Justiça Criminal do MPSP Milene Cristina Santos Analista jurídica do MPSP Natália Lôbo Oliveira Cividanes Assistente Social do Núcleo de Assessoria Técnica Psicossocial (NAT) do MPSP Natalia Rosalem Cardoso Promotora de Justiça do MPSP Ricardo Ferracini Neto Promotor de Justiça do MPSP Yone da Cruz Martins de Campos Assistente Social do Núcleo de Assessoria Técnica Psicossocial (NAT) do MPSP

terça-feira, 5 de outubro de 2021

O que é a Psicanálise? Parte III I Daniel Omar Perez


 O que é a psicanálise? Como ela se forma? Que tipo de ciência ela é? Medicina ou filosofia? Neste episódio Daniel Omar Perez fala sobre os fundamentos do dispositivo psicanalítico e de que modo ele pode vir a ser pensado na cultura.

Daniel Omar Perez apresenta o ESPEcast para contribuir com o debate, a polêmica e a indagação dos fenômenos que constituem as condições, os resultados e a história da psicanálise, desde seu surgimento até suas formas de prática clínica, tanto quanto as filosofias e as outras ciências que contribuem para seu pensamento. Este podcast busca indagar sobre questões cotidianas da vida psíquica e promover discussões, com profissionais da área e de áreas vizinhas, sobre algumas das interpretações acerca da formação psíquica, cultural e social do ser humano.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

História e Epistemologia da Psicanálise- Daniel Omar Perez -SEMINÁRIO ABERTO


 

Daniel Omar Perez: O lugar da psicologia na filosofia transcendental de Kant - Seminário Aberto


 SEMINÁRIO ABERTO - Daniel Omar Perez (transmitido em 20 de maio de 2021)

Daniel Omar Perez é filósofo, professor da UNICAMP e pesquisador de temas como a interface entre filosofia kantiana e as psicanálises freudiana e lacaniana, a constituição do sujeito e o sujeito e a linguagem a partir de Kant. É autor de diversos livros, entre eles "O Inconsciente: Onde Mora o Desejo" (Civilização Brasileira, 2012). Tradutor de "Reflexões de Antropologia - Sobre o sentimento de prazer e desprazer", publicado pela Editora Instituto Langage e disponível em https://institutolangage.com.br/loja/....