domingo, 9 de outubro de 2016

OPUS POSTUMUM e o homem no sistema do idealismo transcendental

OPUS POSTUMUM e o homem no sistema do idealismo transcendental

2da. feira de 14 a 18 hs, primeiro semestre de 2017

Pós-graduação em Filosofia da UNICAMP.

HF697 - História da Filosofia Moderna I

Ementa:
A disciplina se propõe examinar a pergunta pela possibilidade das proposições sintéticas e o lugar do homem no sistema da filosofia transcendental tal como se apresenta no Convolut VII de Opus Postumum de Kant.
O Opus Postumum é o corpus estabelecido pelos estudiosos de Kant e publicado nos volumes 21 e 22 da obra completa. Reune textos que se propõem realizar a passagem da metafísica para a ciência da natureza e reflexionar sobre o homem e Deus.
Consideramos que o Convolut VII é o manuscrito que mais sistematicamente logra o propósito. Nesse sentido, justificamos seu exame.

Programa:
1. O problema do estabelecimento de Opus Postumum
2. Exame geral do Convolut VII
3. A pergunta pelas proposições sintéticas e o sistema da filosofia transcendental no Convolut VII
4. O lugar do homem na filosofia transcendental no Convolut VII


Bibliografia:
DUQUE PAJUELO, F. Física y filosofía en el último Kant,‖ in Anales del Seminario de Metafísica. Madrid, 9 (1974), 61-74.
______ ―El problema del éter en la física del siglo XVIII y el Opus postumum de Kant,‖ in Revista de Filosofía. 2nd, s. I (1975), 29-45.
______ ―Teleología y corporealidad en el último Kant,‖ in Estudios sobre Kant y Hegel.ed. C.Flores and M. Alvarez. 77-98. Salamanca, I.C.E. University of Salamanca, 1982.
______ Experiencia y sistema. Una investigación sobre el "Opus postumum" de Kant.
PhD Dissertation, Universidad Complutense de Madrid, 1976
______ ―El vuelo cansado del águila: La relación de Kant con Fichte y Schelling en el
Opus postumum,― in Ágora, Vol. 23. Number 1 (2004), 85-120.
HEIDEGGER, M. Kant y el problema de la metafísica. México: FCE, 1986.
KANT, I. Kant’s Gesammelte Schriften. Band XXI - XXII. Berlin: Walter de Gruyter & Co, 1902-
HUBER, Stephen. Die Zusammenhang von theoretischer und praktischer Selbstsetzung in Kants Opus postumum, http://www.idealismus.de/Kant_op_ma.phtml (May 2005).
FÖRSTER, E. Kant‘s Final Synthesis: An Essay on the Opus postumum. 2000
______―Kant‘s Third Critique and the Opus postumum‖ In: Graduate Faculty Philosophy Journal. 16(2) (1993), 345-358.
FRIEDMAN M., Eckart Forster and Kant’s Opus postumum. Inquiry, 46, 215–227 2003.
JIMÉNEZ, Fernando Guerrero. ―Le Nouveou Transcendental de Kant‖ In: Les Annés 1796- 1803: Kant – Opus postumum. Paris, Vrin, 2002.
LOPARIC, Z. A semântica transcendental de Kant. Campinas: Coleção CLE, Vol. 41.terceria edição 2005, primeira edição 2000.
MATHIEU, V. Kants Opus postumum. Frankfurt am Main, Kolstermann, 1989.
PEREZ, D. O. Kant e o problema da significação Curitiba: Editora Champagnat, 2008.
PRIETO, L. ―Invitación al estudio del Opus postumum de Kant,‖ in Alpha-Omega,
3(3) (2000), 501-519.
______. ―El Opus postumum de Kant: la resolución de la física en filosofía
Transcendental,‖ in Alpha-Omega 2(3) (1999), 453-482.

Por decisão da comissão de pós-graduação estamos impossibilitados de ter alunos especiais.

OPUS POSTUMUM e o homem no sistema do idealismo transcendental

OPUS POSTUMUM e o homem no sistema do idealismo transcendental

2da. feira de 14 a 18 hs, primeiro semestre de 2017

Pós-graduação em Filosofia da UNICAMP.

HF697 - História da Filosofia Moderna I

Ementa:
A disciplina se propõe examinar a pergunta pela possibilidade das proposições sintéticas e o lugar do homem no sistema da filosofia transcendental tal como se apresenta no Convolut VII de Opus Postumum de Kant.
O Opus Postumum é o corpus estabelecido pelos estudiosos de Kant e publicado nos volumes 21 e 22 da obra completa. Reune textos que se propõem realizar a passagem da metafísica para a ciência da natureza e reflexionar sobre o homem e Deus.
Consideramos que o Convolut VII é o manuscrito que mais sistematicamente logra o propósito. Nesse sentido, justificamos seu exame.

Programa:
1. O problema do estabelecimento de Opus Postumum
2. Exame geral do Convolut VII
3. A pergunta pelas proposições sintéticas e o sistema da filosofia transcendental no Convolut VII
4. O lugar do homem na filosofia transcendental no Convolut VII


Bibliografia:
DUQUE PAJUELO, F. Física y filosofía en el último Kant,‖ in Anales del Seminario de Metafísica. Madrid, 9 (1974), 61-74.
______ ―El problema del éter en la física del siglo XVIII y el Opus postumum de Kant,‖ in Revista de Filosofía. 2nd, s. I (1975), 29-45.
______ ―Teleología y corporealidad en el último Kant,‖ in Estudios sobre Kant y Hegel.ed. C.Flores and M. Alvarez. 77-98. Salamanca, I.C.E. University of Salamanca, 1982.
______ Experiencia y sistema. Una investigación sobre el "Opus postumum" de Kant.
PhD Dissertation, Universidad Complutense de Madrid, 1976
______ ―El vuelo cansado del águila: La relación de Kant con Fichte y Schelling en el
Opus postumum,― in Ágora, Vol. 23. Number 1 (2004), 85-120.
HEIDEGGER, M. Kant y el problema de la metafísica. México: FCE, 1986.
KANT, I. Kant’s Gesammelte Schriften. Band XXI - XXII. Berlin: Walter de Gruyter & Co, 1902-
HUBER, Stephen. Die Zusammenhang von theoretischer und praktischer Selbstsetzung in Kants Opus postumum, http://www.idealismus.de/Kant_op_ma.phtml (May 2005).
FÖRSTER, E. Kant‘s Final Synthesis: An Essay on the Opus postumum. 2000
______―Kant‘s Third Critique and the Opus postumum‖ In: Graduate Faculty Philosophy Journal. 16(2) (1993), 345-358.
FRIEDMAN M., Eckart Forster and Kant’s Opus postumum. Inquiry, 46, 215–227 2003.
JIMÉNEZ, Fernando Guerrero. ―Le Nouveou Transcendental de Kant‖ In: Les Annés 1796- 1803: Kant – Opus postumum. Paris, Vrin, 2002.
LOPARIC, Z. A semântica transcendental de Kant. Campinas: Coleção CLE, Vol. 41.terceria edição 2005, primeira edição 2000.
MATHIEU, V. Kants Opus postumum. Frankfurt am Main, Kolstermann, 1989.
PEREZ, D. O. Kant e o problema da significação Curitiba: Editora Champagnat, 2008.
PRIETO, L. ―Invitación al estudio del Opus postumum de Kant,‖ in Alpha-Omega,
3(3) (2000), 501-519.
______. ―El Opus postumum de Kant: la resolución de la física en filosofía
Transcendental,‖ in Alpha-Omega 2(3) (1999), 453-482.

Por decisão da comissão de pós-graduação estamos impossibilitados de ter alunos especiais.

domingo, 4 de setembro de 2016

Identificações coletivas e projetos políticos

Na Unicamp, terça-feira , 19.00 horas no IFCH, no prédio da graduação do IFCH, continuamos com o dispositivo das identificações coletivas

Proposta: a ideia é colher algumas ferramentas teóricas desde a psicanálise para poder analisar as identificações coletivas e as ações e projetos políticos.

Os textos referentes são: Freud: "Psicologia das massas" "Moises" "Totem e tabú"; Lacan "Seminário 9", "Seminário 12", Ernesto Laclau "Razão Populista" "Los fundamentos retóricos de la sociedad", Yannis Stavrakakis "Lo político en Lacan"; Nora Merlin "Populismo y Psicoanálisis".

todos estão convidados a participar, os encontros são livres e gratuitos, abertos para todos os interessados

O trabalho do grupo continuará todas as terças-feiras e avançará na Disciplina do segundo semestre para graduação na Unicamp
HG721 A Tópicos Especiais de Filosofia Geral V
3ª Feira 19:00 às 23:00 IH08

http://www.ifch.unicamp.br/ifch/graduacao-filosofia/disciplinas/2016/2o-semestre

domingo, 28 de agosto de 2016

IV CONGRESSO DE FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO


20 a 22 de Setembro: IV CONGRESSO DE FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO
"Filosofia no Brasil: a História da próxima década"
A pergunta não é se fazemos ou não filosofia, se temos ou não filósofxs, se blá, blá, blá blá... A questão é: QUE FAREMOS???

11:00 // Conferência 5: O cinismo da política neoliberal e a construção de novas maiorias políticas como sujeitos de transformação social. Daniel Omar Perez [UNICAMP]

http://filosofiaelibertacao.wixsite.com/ivcongresso/programacao

sexta-feira, 29 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Filosofia e psicanalise na UFES 29, 30 e 31 de agosto de 2016

O Professor Doutor Eladio Craia, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), fará uma palestra no 11º Simpósio sobre o tema "O Estatuto da Lei em Sacher Masoch ou A Literatura Como Topologia Clinica". 
O professor tem experiência na área de Filosofia Contemporânea, com ênfase em ontologia e na questão da Técnica contemporânea - trabalhando principalmente com os autores G. Deleuze, M. Foucault, F. Nietzsche e M. Heidegger.




O Professor Doutor Daniel Omar Perez fará uma palestra no nosso Simpósio sobre o tema "Identificações coletivas repressivas e projetos políticos com saídas pulsionais perversas: Infraestrutura da perversão".
Daniel é professor de filosofia na Unicamp, pesquisador do CNPq, psicanalista e autor dos livros "Kant e o problema da significação", "O inconsciente, onde mora o desejo", entre outros. Ministrou aulas em diferentes universidades da Argentina, Brasil, Estados Unidos e Europa.

11º Simpósio Internacional de Filosofia e Psicanálise que ocorrerá no campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo

Sexualidade e perversão na UFES, 29-30-31 de agosto

"Identificações coletivas repressivas e projetos políticos com saídas pulsionais perversas: Infraestrutura da perversão".


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Psicanálise e Política. Grupo de leitura e debate


Na Unicamp, terça-feira 19 de julho, 19.00 horas no IFCH, no prédio da pós-graduação do IFCH, continuamos com o quarto encontro de trabalho: leitura e comentário de Moises e a religião monoteista, de S. Freud, destacando a constituição de um povo e um líder.
Proposta: a ideia é colher algumas ferramentas teóricas desde a psicanálise para poder analisar as identificações coletivas e as ações e projetos políticos.


Os textos referentes são: Freud: "Psicologia das massas" "Moises" "Totem e tabú"; Lacan "Seminário 9", "Seminário 12", Ernesto Laclau "Razão Populista" "Los fundamentos retóricos de la sociedad", Yannis Stavrakakis "Lo político en Lacan"; Nora Merlin "Populismo y Psicoanálisis".
todos estão convidados a participar, os encontros são livres e gratuitos, abertos para todos os interessados
O trabalho do grupo continuará todas as terças-feiras e avançará na Disciplina do segundo semestre para graduação na Unicamp
HG721 A Tópicos Especiais de Filosofia Geral V
3ª Feira 19:00 às 23:00 IH08


Disciplina de pós-graduação de filosofia segundo semestre de 2016


UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

2ª Feira
14h00 às 18h00

HF177-A – METAPSICOLOGIA
PROF. DANIEL OMAR PEREZ
2º SEMESTRE/2016
PROGRAMA DE TRABALHO
1. O início do uso do termo inconsciente em Freud
2. As primeiras elaborações conceituais do inconsciente em Freud
3. O inconsciente nos textos metapsicológicos de 1915 de Freud
4. A interpretação lacaniana do Inconsciente em O Seminário 11.
5. Algumas observações de Kandel: a biologia e o futuro da psicanálise

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

ÉTICA I pós-graduação filosofia Unicamp

HF309-A – ÉTICA I

2ª - 15h00 às 19h00

PROF. DANIEL OMAR PEREZ

1º SEMESTRE/2016

PROGRAMA

 A disciplina abordará as inclinações, os sentimentos e os afetos na filosofia prática de Kant. Primeiramente, examinaremos as inclinações e o sentimento de respeito na Fundamentação e na segunda crítica. Em segundo lugar, examinaremos o afeto de entusiasmo na terceira crítica, no Conflito das faculdades e na Metafísica dos Costumes. Finalmente retomaremos a análise de inclinações, sentimentos e afetos na Antropologia.

 http://www.ifch.unicamp.br/pos/fi/2016/ementas1s/hf309a.pdf


domingo, 14 de fevereiro de 2016

XVII Encontro Nacional da ANPOF


DATA: 17 a 21 de outubro de 2016
LOCAL: Aracaju – SE
PERÍODO DE INSCRIÇÕES DE TRABALHOS: 17 de fevereiro a 02 de maio de 2016
INSCRIÇÃO: Faça sua inscrição pelo formulário à sua direita.
Antes de efetuar a inscrição para apresentação de trabalho, tenha em mãos o título, resumo e palavras-chave de seu trabalho.

Criticismo e Semântica


O objetivo do grupo é reconstruir o programa da crítica da razão pura, tanto teórica como não-teórica, no quadro de uma filosofia transcendental interpretada como semântica transcendental. 
Temas estudados: 1) natureza, desenvolvimento e resultados do programa da crítica da razão pura; 2) interpretação da lógica transcendental como semântica transcendental; 3) generalização dessa semântica para todos os conceitos a priori e todos os juízos sintéticos a priori; 4) o criticismo semântico kantiano como filosofia contemporânea.
Links:
COORDENADOR
Daniel Omar Perez (UNICAMP)

NÚCLEO DE SUSTENTAÇÃO
  • Aguinaldo Antônio Cavalheiro Pavão - UEL
  • Andréa Maria Altino de Campos Loparic - USP
  • Daniel Omar Perez - PUCPR
  • João Carlos Brum Torres - UCS
  • Joãosinho Beckenkamp - UFMG
  • José Oscar Marques - UNICAMP
  • Juan Adolfo Bonaccini - UFPE
  • Julio Cesar Ramos Esteves - UENF
  • Marco Antonio Franciotti - UFSC
  • Orlando Bruno Linhares - Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Patrícia Kauark Leite - UFMG
  • Silvio Pinto - UAM - México
  • Ubirajara Rancan de Azevedo Marques - UNESP
  • Zeljko Loparic - UNICAMP/PUC-SP/PUC-PR

OUTROS MEMBROS
  • Agostinho de Freitas Meirelles - UFPa
  • Alexandre Hahn - UnB
  • Claudio Sehnem - doutorando UNICAMP
  • Diego Frederichi - mestrando UNICAMP
  • Fabiano Queiros - doutorando UNICAMP
  • Fábio César Scherer - UEL
  • Jairo José da Silva - UNESP
  • José Nicolau Heck - UFG
  • Marco Ruffino - UNICAMP
  • Marcos Alberto de Oliveira - UESC
  • Maria Carolina M. M. V. de Azevedo - Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Nythamar Hilario Fernandes de Oliveira Junior - PUCRS
  • Olavo Calábria Pimenta - UFU
  • Ricardo Machado Santos - doutorando UNICAMP
  • Rodrigo Rosa - doutorando UNICAMP/professor UEL
  • Sônia Freire Barreto - UFS
  • Suze de Oliveira Piza - doutoranda UNICAMP/professora Universidade Metodista de São Paulo

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Em breve, um livro de William Mac Cormick sobre identificação.

 Do líder, as identificações e as coletividades

O trabalho de Willian Mac-Cormick Maron publicado aqui sob a forma de livro é o resultado de uma pesquisa que se demorou uns quatro anos na sua formulação, detalhes e consequências. Desde o início do percurso a pauta foi determinada pela observação e a formalização dos modos em que alguém pode vir a ocupar a posição de líder de um conjunto de pessoas. Iniciou-se esse caminho em 2010 com uma interrogação sobre a questão e algumas hipóteses sobre grupos. O relevamento bibliográfico que compõe a história desse tema levou o pesquisador a trabalhar na história da filosofia política, nos escritos sociológicos e psicológicos do século XIX, nas formulações da psicanálise de Freud e Lacan durante o século XX e nas interpretações recentemente publicadas, no inicio do século XXI, especialmente interessadas tanto em questões clínicas quanto sociais e políticas.

A leitura e a análise das fontes não foi pouca. Assim o exige o tema e o problema proposto na investigação. O resultado levou à possibilidade de elaborar algumas tentativas de aproximação à questão:

Como é que aparece e funciona o lugar do líder e a coesão do grupo?

Há um primeiro momento de análise da liderança de grupos cuja tematização se realiza especialmente na filosofia política de Maquiavel e Hobbes, nos séculos XVI e XVII. Ambos os filósofos teorizaram sua própria prática política. O primeiro realizou seu trabalho como assessor dos Medici em Florença e com Cesar Borgia em Roma. O outro com a monarquia na Inglaterra. Os dois foram militantes de grupos que nem sempre se viram de cara ao sucesso e a vitória. Ambos sofreram na carne, literalmente, a exclusão do grupo hegemônico. O segundo momento de análise de liderança pode ser reconhecido nos trabalhos sociológicos e psicológicos do século XIX. Gustave Le Bom (2008) e Gabriel Tarde (2005) tornaram-se os mais significativos dos pesquisadores de psicologia social, quiçá por serem citados pelo trabalho de Freud (2010), mas também por ser referência na sua época. O trabalho realizado por aqueles psicólogos sociais tentava dar conta de um problema novo: as sociedades de massas na Europa em pleno desenvolvimento do capitalismo. O crescimento de cidades com excluídos da cultura oficial ocupavam grande parte do espaço urbano e isso era visto como uma ameaça. O terceiro momento poderia ser determinado como sendo o da psicanálise de Freud a Lacan tentando levar adiante interesses clínicos. Com a queda da noção de individuo como elemento central, a aparição do aparelho psíquico e logo do sujeito, a questão da identificação coletiva como processo é fundamental para entender a individualidade como resultado. O quarto momento é aquele representado pelas interpretações lacanianas no cruzamento ou encontro com conceitos da filosofia do fenômeno de identificação individual e coletiva. Nesse quarto momento se insere a pesquisa de Mac Cormick.
No andamento da investigação os grupos observados começaram a aparecer em suas diferentes modalidades como pequenos grupos, coletividades e massa ou multidões. Foi constatado aos poucos que se tratava de um detalhe não menor na dinâmica das identificações que nem sempre foi diferenciado. No caso de Gabriel Tarde (2005), talvez pelo afã de procurar uma teoria geral, nos mostra a constituição do público e das multidões. No caso de Sigmund Freud (2010), com o intuito de revisar o limite das teorias anteriores, grupo ou massa estão indistintamente nomeados, porém, só se refere a grandes instituições ou casos isolados de grupos espontâneos e momentâneos. Nesse sentido, a obra de Lacan ofereceu subsídios fundamentais para a estrutura formal da identificação com o traço unário e a noção de significante, o trabalho de Juan Bautista Ritvo (2006) e (2011) proporcionou elementos para pensar as diferentes modalidades de conjuntos de pessoas e o excluído da identificação e o texto de Carlos Kuri (2010) deu a reflexão precisa para indagar o sem fundamento de uma lógica da identificação.

O resultado de Mac Cormick aqui publicado na forma de livro progride na impossibilidade de dar um conjunto de características positivadas e substanciais àquele que ocupa o lugar do líder derrubando a ilusão voluntarista ou a ideia de fatalidade inata. Também acaba com a possibilidade arbitrária da criação de coesão grupal. Isso pode ser derivado de uma leitura e compreensão de O homem Moises e a religião monoteísta de Freud (2014). Porém, em lugar de mostrar apenas obstáculos ou negatividades o autor amplia o trabalho de formalização do evento. Com um conjunto de elementos que tínhamos desenvolvido nos seminários semanais do programa de pós-graduação em filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com a participação do professor Francisco Verardi Bocca, o autor prosseguiu nos detalhes conceituais, especificações e dessa forma buscou apresentar a questão do líder e a coesão do grupo com seus problemas e também com seu funcionamento. Assim, por exemplo, com Ernesto Laclau (2011) e Carl Schmitt (2008) conseguiu articular os conceitos de povo e conflito que esclarecem e definem o fenômeno de um determinado tipo de coesão. Foi preciso ainda uma compreensão do acontecimento do amor. Esse elemento já tinha sido apresentado por Freud (2010) com sendo a base da coesão social ou grupal. Entretanto, cabe destacar que o trabalho de pesquisa de Bruna Iodice (2014) sobre o amor de Lacan a Freud desenvolvido na mesma época da pesquisa de Mac Cormick dá ainda subsídios sob outra perspectiva para quem quiser avançar na pergunta de por que nos identificamos.
O livro de Mac Cormick convida a pensar a questão do líder, as identificações e as coletividades segundo a ordem do desejo, da demanda e do conflito. O autor trabalha sobre um horizonte de vazios e instabilidades como condição de identificação e orientação de demandas. Com isto não só temos ferramentas para a compreensão e acolhimento do evento da liderança e da identificação coletiva. A partir de aqui é possível continuar um caminho de investigação acerca dos sujeitos individuais e coletivos, os modos de organizar suas demandas e a satisfação destas, bem como desenvolver uma prática clínica e social.


Daniel Omar Perez
Professor de Filosofia da Unicamp


Referências
Freud, Sigmund (2010) Massenpsycholegie und Ich-Analyse. Hamburg: Nikol.
_____________ (2014) O homem Moises e a religião monoteísta. Três ensaios. Porto Alegre: LPM.
Iodice, Bruna (2014) O amor para além do narcisismo : o dom do amor na constituição do sujeito. Dissertação de mestrado em filosofia PUC-PR.
Kuri, Carlos (2010) La Identificación: Lo originario y lo primario: Una diferencia clínica. Rosário: Homo Sapiens Ediciones.
Laclau, Ernesto (2011) La razón populista. Buenos Aires: FCE.
Le Bon, Gustave (2008) Psicologia das Multidões. São Paulo: Martins Fontes.
Ritvo, Juan Bautista (2006) Figuras del prójimo. El enemigo, el cuerpo, el huesped. Buenos Aires: Letra Viva.
_________________ (2011) Sujeto massa, comunidade: la razón conjetural y la economia del resto. Santa Fe: Mar por médio Editores.
Schmitt, Carl (2008) O Conceito do Político. Belo Horizonte: Del Rey.
Tarde, Gabriel (2005) A opinião e as massas. São Paulo: Martins Fontes.