terça-feira, 30 de outubro de 2018

Disciplina: Tópicos Especiais de Filosofia Geral Data e hora: quinta-feira de 19.00 a 23.00 horas, primeiro semestre de 2019


Unicamp-IFCH

Data e hora: quinta-feira de 19.00 a 23.00 horas, primeiro semestre de 2019

Alunos especiais: sim

Ementa: O curso se propõe a desenvolver tópicos em filosofia geral, a partir de textos clássicos sobre o assunto, de acordo com as pesquisas em andamento no departamento de Filosofia.

Programa: O objetivo do curso é indagarmos a relação entre o sujeito e a realidade a partir de Descartes, Kant e a psicanálise. Assim, o programa visa desenvolver três tópicos fundamentais da filosofia moderna e contemporânea: (1) a noção de realidade dos objetos externos; (2) a noção de consciente e inconsciente; (3) a noção de sujeito e identidade.

(1)               a noção de realidade dos objetos externos. Como sabemos que aquilo que está diante de nós ou que pensamos ou percebemos como diante de nós é real?
1.1.            Introdução ao problema da realidade entre a filosofia e a literatura de Jorge Luis Borges
1.2.            O problema da realidade em Descartes. O sonho e as alucinações.
1.3.            O problema da objetividade dos objetos externos em Kant. As percepções, os sonhos e as ilusões
1.4.            O problema da realidade psíquica em Freud. O teste de realidade, as alucinações e os desejos
(2)               a noção de consciente e inconsciente. Existe escolha livre e consciente ou nossas escolhas são determinadas por causas que não reconhecemos nas nossas decisões?
2.1.      A consciência e causalidade natural em Kant. Liberdade e Natureza.
2.1.      O inconsciente em Freud. O desejo, o sonho e a fala.
(3)               a noção de sujeito e identidade. Como podemos afirmar que em cada caso nós mesmos temos uma identidade reconhecível e idêntica a si mesma? Como nos reconhecemos a nós mesmos?
3.1.      O ego em Descartes. O pensamento e o corpo.
3.2.      O ego e o sujeito em Kant. O pensamento e a natureza humana
3.3.      A identificação e o aparelho psíquico em Freud. A criança, os pais e o desejo.
3.4.      A identificação e o sujeito em Lacan. O sujeito, a linguagem, o desejo e o gozo.


Modo de avaliação:
Apresentação de dois trabalhos escritos dissertando sobre um ponto específico do programa. O primeiro entregue na metade do semestre e o segundo entregue no final do semestre. O modo de avaliação dos trabalhos será combinado com os estudantes.

(horário de atendimento para consultas quinta-feira de 15.00 a 19.00 horas na sala B 45 do prédio dos gabinetes dos professores do IFCH)

Bibliografia básica:
Fontes
Borges, J.L. Ficciones. In ________  Obras completas. Tomo II. São Paulo: Emece Editores, 1989.
Descartes, R. Discurso do Método. . In_______ Obras Escolhidas. São Paulo: Perspectiva, 2010.
__________ Meditações metafísicas. In_______ Obras Escolhidas. São Paulo: Perspectiva, 2010.
Freud, S. O inconsciente. In_______ Obras completas, Vol 11. Buenos Aires: Hyspamerica, 1988.
_______ Psicologia das massas e análise do eu. In_______ Obras completas, Vol 14. Buenos Aires: Hyspamerica, 1988.
Kant, I. Critica da razão pura. Lisboa: Fundação Calouste Gubelkian, 1994.
______ Antropologia desde um ponto de vista pragmático. São Paulo: Iluminuras, 2006.
Lacan, J. El Seminário 9. La Identificacion. Tradução pessoal da versão taquigrafada original.

Estudos
Derrida, J. Cogito e história. In_________ A escritura e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 1995.
________ «Ser justos con Freud». La historia de la locura en la época clásica’, Revista de la Asociación Española de Neuropsiquiatría, 53 (1995).
Foucault, M. A história da loucura na idade clássica. São Paulo: Perspectiva, 2004.
__________ Réponse à Derrida. In: ______. Dits et écrits II: 1970-1975. Paris: Gallimard, 1994c, p. 281-295.
__________ Uma lectura de Kant. Introducción a la antropologia en sentido pragmático. Buenos Aires: Siglo XXI, 2009.
Perez, D. O. Kant e o problema da significação. Curitiba: Editora Champagnat, 2008.
_________ O inconsciente: onde mora o desejo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
Perez, D. O.; Bocca, F; Bocchi, J. Ontologia sem espelhos. Ensaio sobre a realidade. Curitiba: CRV, 2014.
Perez, D. O.& Starnino, A. Por qué nos identificamos? Curitiba: CRV, 2018.

Outras referências bibliográficas serão indicadas no do curso.

História da Filosofia Moderna II Antropologia e filosofia em Kant


Disciplina do programa de pós-graduação em filosofia, primeiro semestre de 2019
Unicamp

HF698 - História da Filosofia Moderna II

Antropologia e filosofia em Kant

Professor: Daniel Omar Perez
Data e horário: sexta-feira de 19 a 23 horas
Serão aceitos alunos especiais
As aulas serão expositivas com tempo para debate de questões
A disciplina será avaliada por um trabalho final apresentado pelo estudante

Ementa:
O objetivo deste curso é mostrar que a noção de homem, apresentada por Kant em Opus Postumum, reflexões e lições de antropologia, funciona como operador de regras lógico-semânticas de juízos cognitivos, práticos e reflexivos e, ao mesmo tempo designa o objeto de aplicação de juízos práticos.
Para alcançar esse objetivo, (1) mostraremos que a tarefa da filosofia transcendental se pauta pela pergunta como são possíveis os juízos sintéticos a priori? Essa pergunta se desdobra no âmbito cognitivo e prático como também nas modalidades do juízo reflexionante; (2) demonstraremos que as três perguntas kantianas (o que eu posso saber? O que eu devo fazer? O que está me permitido esperar?) são sistematicamente articuladas pela pergunta pela possibilidade dos juízos; (3) mostraremos que (1) e (2) conduzem à pergunta o que é o homem?; (4) demonstraremos que a tentativa de resposta a essa quarta pergunta se apresenta nas reflexões e lições de antropologia bem como em Opus Postumum; (5) a tentativa de resposta apresenta como resultado dois aspectos do homem: 5.1. como operador de regas (lógico-semânticas) para formular juízos e 5.2. como objeto de aplicação dos juízos práticos.

Programa:
  1. O projeto crítico de Kant na primeira crítica: linguagem, formulação de problemas e natureza humana
  2. A pergunta pelas proposições sintéticas como fio condutor do projeto crítico
  3. O lugar do ser humano no projeto crítico
  4. Os estudos sobre a natureza humana e a antropologia em Kant
  5. Os últimos pensamentos de Kant sobre o ser humano e a auto-posição

Bibliografia:

BRANDT, R. & STARK, W. Einleitung. IN Kants Gesammelte Schriften. Berlin: W. de Gruyter, 1997.
BRANDT, R. Kritischer Kommentar zu Kant´s Anthropologie in Pragmatischer Hinsicht. Hamburg, 1999.
FOUCAULT, M. Una lectura de Kant, introducción a la antropología en sentido pragmático. Buenos Aires: Siglo XXI, 2009.
FRIERSON, P. Character and evil in Kant’s Moral Anthropology. Journal of History of Philosophy; oct.; 44, 4; pp 623-634, 2006.
_____________ The moral importance of Politeness in Kant’s Anthropology. Kantian Review, vol 9, pp. 105-27, 2005.
_____________ Freedom and anthropology in Kant’s moral philosophy (freedom). New York, Cambridge University Press, 2003.
FÖRSTER, E. Kant‘s Final Synthesis: An Essay on the Opus postumum. 2000
HEIDEGGER, M. Kant y el problema de la metafísica. México: FCE, 1986.
KANT, Immanuel, Crítica da Faculdade do Juízo. (tradução de Valério Rohden e Antônio Marques). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
________________Crítica da Razão Pura. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994.
________________ Gesammelte Schriften. Berlim: Edição Akademie, 1966.
________________Lógica. (tradução de Guido Antônio de Almeida). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1992.
LOUDEN, R. Kant’s Impure Ethics. New York: Oxford University Press, 2000.
PEREZ, D. O. Kant e o problema da significação Curitiba: Editora Champagnat, 2008.
_________  La responsabilidad no-recíproca y desigual. Una interpretación kantiana.. In: Dorando Michelini; Wolfgang Kuhlmann; Alberto Damiani. (Org.). Ética del discurso y globalización. Corresponsabilidad solidaria en un mundo global intercultural.. 1ed.Rio Cuarto: Ediciones del Icala, 2008 b, v. 1, p. 49-59.
_________ A loucura como questão semântica: uma interpretação kantiana. Trans/Form/Ação (UNESP. Marília. Impresso), v. 32, p. 95-117, 2009.
_________ A antropologia pragmática como parte da razão prática em sentido kantiano. Manuscrito (UNICAMP), v. 32, p. 357-397, 2009 b.
_________  El cuerpo y la ley: de la idea de humanidad kantiana a la ética del deseo en Lacan. Revista de Filosofia : Aurora (PUCPR. Impresso), v. 21, p. 481-501, 2009.
_________  O Sexo e a Lei em Kant e a Ética do Desejo em Lacan.. Adverbum (Campinas), v. 4, p. 104-112, 2009 c.
_________  Kant : a lei moral. In: Anor Sganzerla; Ericson Falabretti; Francisco Bocca. (Org.). Ética em movimento: contribuições dos grandes mestres da filosofia. 1ed.São Paulo: Paulus, 2009 d, v. 1, p. 147-154.
_________ A lei, a filosofia, a psicanálise.. In: Leyserée Adriane Fritsch Xavier. (Org.). Kant a Freud: o imperativo categórico e o superego.. 1ed.Curitiba: Juruá, 2009 f, v. 1, p. 11-14.
_________  . Ética y Antropologia o el kantismo de Maliandi. In: Michelini, Dorando, J. ; Hesse, Reinhard; Wester, Jutta.. (Org.). Ética del Discurso. La pragmática trascendental y sus implicancias prácticas.. 1ed.Rio Cuarto: Ediciones del Icala., 2009, v. 1, p. 107-115.
_________ A proposição fundamental da antropologia pragmática e o conceito de cidadão do mundo em Kant. Coleção CLE, v. 57, p. 313-333, 2010.
_________ O significado de natureza humana em Kant. Kant e-Prints (Online), v. 5, p. 75-87, 2010b.
_________  El ódio al vecino o: se puede amar al prójimo? Un diálogo con los conceptos de responsabilidad y solidaridad de Dorando Michelini.. In: Anibal Fornari; Carlos Perez Zavala; Jutta Westter. (Org.). La razón en tiempos difíciles.. 1ed.Rio Cuarto - Argentina: Universidad Católica de Santa Fe - Ediciones del Icala, 2010 c, v. 1, p. 29-36.
_________  Acerca de la afirmación kantiana de que el ser humano no es un animal racional y mucho menos alguien en quién se pueda confiar. In: Dorando Michelini, Andrés Crelier, Gustavo Salermo. (Org.). Ética del discurso. Aportes a la ética, la política y la semiótica.. 1ed.Rio Cuarto, Argentina: Ediciones del Icala - Alexander von Homboldt Stiftung., 2010 d, v. 1, p. 74-81.
_________  O significado da natureza humana em Kant. In: Leonel Ribeiro dos Santos; Ubirajara Rancan de Azevedo Marques; Gregorio Piaia; Marco Sgarbi; Ricardo Pozzo. (Org.). Que é o homem? Antropologia, estética e teleologia em Kant.. 1ed.Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2011, v. 1, p. 207-218.
_________   A natureza humana em Kant. In: Claudinei Luiz Chitolina; José Aparecido Pereira; José Francisco de Assis Dias; Leomar antonio Montagna; Rodrigo Hayasi Pinto. (Org.). A natureza da mente. 1ed.Maringá: Editora Humanitas Vivens, 2011 b, v. 1, p. 97-115.
_________  Foucault como kantiano: acerca de um pensamento do homem desde sua própria finitude. Revista de Filosofia: Aurora (PUCPR. Impresso), v. 24, p. 217, 2012.
_________  Kant, o antropólogo pragmático.. In: Anor Sganzerla; Antonio José Romera Valverde, Ericson Falabreti. (Org.). Natureza Humana em movimento.. 1ed.São Paulo: Paulus, 2012, v. 1, p. 127-144.
________  A relação entre a Teoria do Juízo e natureza humana em Kant. Educação e Filosofia (UFU. Impresso), v. 27, p. 233-258, 2013.
_________  História e teleologia na filosofia kantiana. Resposta às críticas de Ricardo Terra contra a ?Escola semântica de Campinas?. Studia Kantiana (Rio de Janeiro), v. 16, p. 144-159, 2014.
__________  Idealismo Transcendental e Realismo Empírico: uma Interpretação Semântica do Problema da Cognoscibilidade dos Objetos Externos. Estudos Kantianos, v. 2, p. 29-40, 2014.
__________  Ontology, metaphysics and criticism as Transcendental Semantics as of Kant. Revista de Filosofia: Aurora (PUCPR. Impresso), v. 28, p. 459, 2016.
___________  A identificação, o sujeito e a realidade. Uma abordagem entre a filosofia kantiana e a psicanálise freudiano-lacaniana. Sofia, v. 6, p. 162-210, 2016.
PEREZ, D. O. (Org.) ;  Rauscher, Frederick (Org.). Kant in Brazil. 1. ed. Rochester: University of Rochester Press, 2012. 368p .
ZAMMITO J. H. Kant, Herder, and the Birth of Anthropology. Chicago: Univ. of Chicago Press, 2002.

sábado, 13 de outubro de 2018

Por que nos identificamos?



Abertura: Por que nos identificamos?



Por que nos consideramos iguais a uns e diferentes de outros? Porque nos apaixonamos por determinadas pessoas, coisas ou ideias? Como decidimos nossas escolhas, nossos gostos? Por que demonstramos determinados sentimentos e não outros? O que faz ser o que consideramos que somos? Por que nos reconhecemos a partir de um nome e de uma história individual, familiar ou grupal, de gênero, política ou étnica? Por que respondemos individual ou coletivamente com um sentimento de pertencimento ou, do contrário, de estranheza?
A identificação aparece como aquilo que nos constitui tanto individual quanto coletivamente, como “aquilo que se cristaliza numa identidade”, como vai nos dizer Jaques Lacan na abertura de seu penúltimo seminário.

No interior da problemática identitária, este livro é o resultado de um trabalho de investigação com Psicanálise na clínica, na filosofia, a política, a formação de grupo, as questões de gênero, e a economia. Desde a crítica da identidade elaborada na filosofia moderna a partir de O Seminário IX de Lacan, A Identificação, articulamos um dispositivo conceitual que nos permite reformular a pergunta por aquilo que sou ou que somos já não desde uma essência, substância ou função lógica e sim desde a diferença.




Trata-se de oferecer uma crítica à formula tradicional de entender a individualidade e o grupo, e propor um dispositivo que possa ser usado para acolher diferentes experiencias de subjetivação. Examinar os processos de identificação nos permite compreender a forma em que nos relacionamos com nós mesmos, com os outros, com os ideais e com os objetos.