sexta-feira, 5 de maio de 2017

Jacques-Alain Miller, longe de América do sul, como sempre esteve.

Há pouco tempo Jacques-Alain Miller escreveu um texto onde, lateralmente, se refere a Perón e a Chavez. O texto é uma tomada de posição política perante a direita francesa. Mas o genro de Lacan decide meter no saco a Perón e a Chavez. Se refere ao anti-semitismo, algo que os franceses, na sua grande maioria, tem praticado pessoal e institucionalmente com grande fruição, mas Jacques-Alain Miller decide que Chavez e Perón são próximos no nazismo e ponto. O fato que usa para se referir a Chavez é irrefutável: um vídeo de youtube. Isso é suficiente para colocar a Chavez como um político antisemita e próximo de Hitler. O fato de o nazismo na Europa ter cozinhado 6 milhões de judeus e os franceses ter contribuído na perseguição e eliminação sistemática de judeus aos milhares parece que para o marido da filha de Lacan é comparável com um vídeo do youtube. O Real no caso passa longe da análise do detentor dos direitos de publicação dos Seminários e dos escritos de Lacan.
Com relação a Perón ele diz que "convirtió a la Argentina en refugio de los desertores de la SS" isso é tão verdadeiro quanto dizer que Roosvelt converteu EUA em refugio de nazistas, Stalin converteu a US em refugio de nazistas, De Gaulle converteu a França se em um refugio de nazistas e a própria Alemanha se converteu em um refugio de nazistas. Duvido que o "revisor" dos textos de Lacan não saiba que depois da guerra todos esses países e muitos outros acolheram desertores das SS e nazistas em geral, mesmo ele sendo um "revisor", ou talvez por isso mesmo, duvido que não saiba que as universidades dos EUA acolheram nazistas à vontade. Mas parece que, para o interprete de Lacan, isso transformaria somente a Perón em um "nazista" e não aos outros políticos.
Talvez, Jacques-Alain Miller está muito longe de América, como aliás sempre esteve, e a distância não lhe permita ver os fatos, a não ser por youtube.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O VII Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise - “Corporeidade e Vulnerabilidade: desafios da Filosofia e da Psicanálise na atualidade”:

O VII Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise - “Corporeidade e Vulnerabilidade: desafios da Filosofia e da Psicanálise na atualidade”:



a ser realizado nos dias 20,21 e 22 de setembro em Teresina Piauí -Br, tem como objetivo promover o debate sobre questões da corporeidade e da vulnerabilidade subjetiva e social buscando verificar consequências clínicas e sociais decorrentes do adoecimento social e psicológico assim como aquelas que estão na origem desse processo. O evento visa promover a interdisciplinaridade. A conjunção do debate acadêmico com a realidade social ao qual esses debates estão relacionados, principalmente no Nordeste e em nossa cidade, com características importantes de pobreza social e adoecimento psicológico e com consequências extremas, como o alto índice de suicídios. Desse modo, o evento abrangerá as áreas de Filosofia (Filosofia da mente, Epistemologia, Ética... ) e Psicanálise, como também a Psicologia, as Ciências Médicas, além das áreas ligadas às Ciências e Assistência Social em geral.

GT FILOSOFIA E PSICANÁLISE (ANPOF)

COORDENAÇÃO – PROF. MARIA CRISTINA DE TÁVORA SPARANO (ufpi)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

SEMINÁRIO DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA POLÍTICA - unicamp

SEMINÁRIO DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA POLÍTICA
segunda-feira de 14.00 a 18.00 (8 e 15 de maio)
e
quarta-feira de 8.00 a 12.00 (10 e 17 de maio)
aberto para todos os estudantes da Unicamp

Ementa: O curso visa, em um primeiro momento, apresentar uma introdução ao pensamento de Maquiavel, tal como exposto na obra o Príncipe, ressaltando os elementos desta obra que rompem com a teoria tradicional acerca do Estado. Em um segundo momento, uma introdução ao pensamento de alguns dos filósofos que fundamentaram a Teoria moderna do Estado na ideia de um contrato fundacional feito por agentes livres e iguais, quais sejam, Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau. Num terceiro momento, uma introdução ao pensamento de dois filósofos contemporâneos, Carl Schmitt e Leo Strauss, considerados como expoentes do pensamento conservador, que elaboraram críticas ao modelo de organização e funcionamento dos Estados liberais que se estabeleceram na Europa e América, fundado nos ideários sustentados pelos filósofos Contratualistas.
Programa:
Unidade 1.
a) Maquiavel
- Vida e obra
 - Objetivos de Maquiavel com O Príncipe.
- A pretensão científica de O Príncipe
- A natureza humana em O Príncipe
- O Príncipe como manual Técnico de aquisição e conservação de Estados (principados).
Unidade 2.
a) Conceituação e características gerais do Contratualismo Moderno.
b) Hobbes:
- Vida e obra
- A teoria contratualista de Hobbes e a instituição do Estado Absoluto
c) Rousseau:
- Vida e Obra
- A teoria contratualista de Locke e a instituição do Estado Liberal
d) Locke:
- Vida e Obra
- A teoria contratualista de Rousseau e a Instituição do Estado Democrático.
Unidade 3.
a) Caracterização do pensamento Conservador
b) Schmitt.
- Vida e obra
- O Político como relação amigo x inimigo
- A crítica ao Estado Liberal.
c) Strauss.
- Vida e Obra.
- Direito Natural e crítica ao Estado Liberal.

Bibliografia
BOBBIO, N. Locke e o Direito Natural. Brasília: Editora da UNB, 1997.
BOBBIO, N. O positivismo Jurídico: Lições de Filosofia do Direito. São Paulo: Ícone, 1999.
BOBBIO, N.; BOVERO, M. Sociedade e Estado na filosofia política moderna. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
BOBBIO, N. Thomas Hobbes. Rio de Janeiro: Campus, 1991.
CHEVALIER, J. J. Historia do Pensamento Político, tomo 1. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982.
CHAPPELL, V. LOCKE. São Paulo. Ideias & Letras, 2011.
CHEVALIER, J. J. Historia do Pensamento Político, tomo 2. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983.
FROZZINI, F. MAQUIAVEL – O REVOLUCIONÀRIO. São Paulo. Ideias & Letras, 2016.
HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
LIMONGI, M. I. Hobbes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1992.
LOCKE, John. Segundo Tratado do Governo Civil. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
FRATESCHI, Y. A. A Física da Política: Hobbes contra Aristóteles. Campinas: Editora da Unicamp, 2008.
GATTI, R. ROUSSEAU. São Paulo. Ideias & Letras, 2015.
MACPHERSON, C.B. A teoria política do individualismo possessivo de Hobbes até Locke. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Coleção Pensamento Crítico, 2).
MAQUIAVEL, N. Príncipe. Tradução de Maria Júlia Goldwasser. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
QUIRINO, Célia Galvão de. SOUZA, Maria Teresa Sadek. (org). O Pensamento Político Clássico: Maquiavel, Hobbes, Locke, Montesquieu e Rousseau. São Paulo: T.A. Queiroz Editor, 1980.
ROUSSEAU, J. Jacques. Contrato Social. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (coleção Os Pensadores)
_______________________ Discurso sobre as origens e fundamentos da desigualdade entre os Homens. São Paulo: Abril Cultural, 1983, (Coleção Os Pensadores).
SCHMITT, Carl. O conceito de Politico. Petrópolis: Vozes, 1992.
SCHMITT, Carl. El Leviathan en la teoría del estado de Thomas Hobbes. Granada: Editoral Comares, 2004.
SCHMITT, Carl. Teologia Política. Belo Horizonte: Editora Del Rey, 2006.
SORREL, T. HOBBES. São Paulo. Ideias & Letras, 2011.
STRAUSS, Leo. Droit naturel et Histoire. Paris: Librarie Plon, 1954.
--------------, Leo. Historia de la filosofia Política. México: Fondo de Cultura Ecónomica, 1986.
STRAUSS, Leo. Uma introdução a filosofia política: dez ensaios. São Paulo: É Realizações, 2016.
STRAUSS, Leo. A filosofia Política de Hobbes: suas bases e sua gênese. São Paulo: É Realizações, 2016.
STRAUSS, Leo. Reflexões sobre Maquiavel. São Paulo: É Realizações, 2015.

Filosofia da psicanálise

Ementa de Tópico Especial de Filosofia da Psicanálise

segunda-feira de 19.00 a 23.00 horas, IFCH, Unicamp, curso de graduação

de 31 de julho a 27 de novembro


A disciplina visa apresentar os elementos fundamentais da psicanálise lacaniana. Para tal fim, abordaremos a obra de Lacan em 4 momentos: (1) os escritos da década de 1940; (2) os escritos e o ensino da década de 1950; (3) os escritos e o ensino da década de 1960; (4) os escritos e ensino da década de 1970. De cada um desses momentos destacaremos os elementos introduzidos em cada caso, os pontos de continuidade e de ruptura. Daremos ênfase às noções de (1) significante; (2) desejo; (3) sujeito; (4) estrutura clínica: neurose, psicose e perversão; (5) inconsciente; (6) angustia; (7) interpretação; (8) objeto; (9) real-simbólico-imaginário; (10) saber e verdade; (11) transferência; (12) os quatro discursos e o discurso capitalista; (13) topologia; (14) sinthoma.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Psicanálise: Identidade e identificação

 HF090 - Tópicos Especiais de Filosofia da Epistemologia da Psic. e da Psicanálise II   

Pós-graduação em filosofia - IFCH - Unicamp a partir 1 de agosto até 28 novembro 2017

 terças-feiras de 19.00 a 23.00 horas no IFCH

Psicanálise: Identidade e identificação

Ementa: A identidade (nacional, étnica ou de gênero) foi reconhecida em boa parte da literatura filosófica, científica e política do século XIX e início do XX a partir de predicados com relação a uma essência ou natureza. Com a psicanálise o conceito de identidade fixa e referida a atributos ou predicados naturais ou essenciais é deconstruída a partir da noção de identificação. A disciplina visa apresentar os elementos fundamentais da identificação coletiva seja na forma de massa ou grupo nacional, cultural, etnico, político, generacional ou de gênero a partir dos conceitos da psicanálise. Para isso, abordaremos os textos clássicos de Freud, Reich e Lacan e os estudios atuais sobre o problema da identificação coletiva. O objetivo é mostrar a possibilidade de compreendermos a formação de um sujeito coletivo como uma construção permanente e aberta. Desta forma, consideramos possível dar conta das situações de mudança e da dinâmica das demandas dos coletivos. A passagem da noção de identidade para a noção de identificação acarreta problemas lógicos e de teoria social.   

Programa:
1. O nascimento do sujeito: uma invenção burguesa
2. O desprezo pelas massas: um sentimento reacionário
3. A psicologia das massas e a análise do Eu a partir de Freud
4. A psicologia das massas do fascismo a partir de Reich
5. A identificação a partir de Lacan
6. Noções de psicanálise para um dispositivo da identificação individual e coletiva
7. Eu, tu, ele, nós vocês, eles: a identificação com um pronome na formação do indivíduo, do coletivo e do outro.
8. O problema do si mesmo e da alteridade: um diálogo entre o dispositivo psicanalítico, Butler, Agamben e Ricoeur